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Combate ao terrorismo, Estado Islâmico, Oriente Médio, Política Internacional, Rússia, Síria, Síria, Turquia

Bandidos tremei! Rússia prepara o movimento final na Síria. Elite da Frota do Norte se dirige a Tartus para reforçar a capacidade ofensiva da Marinha russa no Mediterrâneo, tornando-a fator decisivo para a vitória contra os terroristas a serviço dos EUA


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Depois de desmascarar a política Ocidental para a questão síria e consolidar uma posição de protagonismo hegemônico no Oriente Médio, Vladmir Putin vem demonstrando que está de fato disposto a apostar alto na manutenção do governo legítimo de Bashar al-Assad, reforçando o esforço no combate sistêmico aos terroristas patrocinados pelos EUA e seus cúmplices do mundo árabe.

Diante do fracasso do cessar-fogo mediado junto com os EUA no início de setembro, violado de forma contumaz pelos diversos grupos de insurgentes, o Exército sírio, com apoio de seus aliados russos, iranianos e o Hezbollah, iniciou uma ofensiva geral sem precedentes para eliminar definitivamente a presença dos terroristas em Allepo, principal cidade do norte da Síria, e cujo controle é de fundamental importância estratégica para dar fim à guerra que assola o país por cinco anos.

Segundo o porta-voz do Exército sírio, a ofensiva se justificou uma vez que os grupos terroristas estavam explorando a calma para se rearmarem, enquanto insistiam em violar os termos do cessar-fogo, obrigando o Exército a “continuar cumprindo seus deveres nacionais combatendo o terrorismo para trazer de volta a segurança e a estabilidade”. Tais informações foram ratificadas pelo chefe da Direção-Geral Operacional do Estado-Maior do Exército russo, Sergei Rudskoy, que declarou expressamente que “os terroristas estão usando o cessar-fogo para seus próprios interesses”, e que a Inteligência russa observou a “concentração de mais de 1.200 extremistas para uma tentativa de romper o cerco estabelecido pelas forças governamentais a partir da parte oriental da cidade”.

A intensidade e o poder de fogo dos ataques do Exército sírio às posições controladas pelos insurgentes levaram os Estados Unidos, o Reino Unido e a França – tradicionais aliados dos terroristas – a pedirem uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU (26/09/2016), acusando a Rússia de cometer atos “bárbaros” na Síria e de abusar de seu poder de veto no Conselho. A hipocrisia yankee ficou bem manifesta nas palavras da embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, ao tentar atribuir à Rússia a responsabilidade pela escalada do conflito, sem mencionar o descarado apoio – político, militar e financeiro – prestado pelos EUA e seus aliados aos terroristas que operam na Síria, inclusive o Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra:A Rússia tem o poder de acabar com esse sofrimento. Não existirá paz na Síria se a Rússia continuar com essa guerra”, disse Power em referência à legítima intervenção militar russa na Síria, que fez a guerra mudar quando o Governo parecia estar a ponto de perdê-la.

A ofensiva “diplomática” do Ocidente pelos terroristas sitiados continuou no início de outubro, quando o ministro da defesa britânico Michael Fallon acusou a Rússia de “prolongar esta guerra civil na Síria” e que Moscou deve “ser responsabilizada pelas suas ações em Aleppo”. Em sua retórica vazia Fallon também se manifestou a favor da criação de zonas de exclusão aérea na Síria, repetindo as ameaças norte-americanas, que em junho divulgou que a “Força Aérea dos EUA está pronta para criar zonas de exclusão aérea na Síria”, aguardando a “permissão para abater os jatos da Força Aeroespacial da Rússia”.

A resposta russa veio no último dia 15/10, quando a elite da Frota Russa do Norte partiu de Murmansk em direção ao Porto de Tartus na Síria, agora alçado à condição de “base permanente da Marinha Russa”, conforme afirmação do vice-ministro da Defesa da Rússia, Nikolai Pankov.

O grupo naval é capitaneado pelo cruzador pesado porta-aeronaves Admiral Kuznetsov e inclui o cruzador nuclear Pyotr Veliky (classe Kirov, considerado pelos especialistas o melhor navio de combate da atualidade), o navio anti-submarino Severomorsk, o destroier Vice-Admiral Kulakov e quatro outros navios de guerra da Frota do Norte, que irão se juntar aos seis outros navios de guerra em serviço no Mar Mediterrâneo, com o objetivo declarado de “garantir a segurança de navegação marítima e de outras atividades econômicas marítimas da Federação Russa, bem como dar resposta a novos tipos de ameaça como a pirataria e o terrorismo internacional”, conforme comunicado do serviço de imprensa da Frota do Norte.

Trata-se obviamente de um eufemismo, uma vez que não há dúvidas de que o deslocamento desta poderosa esquadra – uma das maiores exibições de força de Moscou desde a Guerra Fria – tem por finalidade reforçar a capacidade ofensiva e o poder de fogo da Marinha russa no Mediterrâneo, tornando-a fator decisivo para a vitória das forças sírias, não apenas em Allepo mas em todos os territórios ainda controlados pelos terroristas. Além disso, é um recado direto para os EUA e seus aliados de que a Rússia não se deixará intimidar por ameaças e provocações e que está disposta a responder por todos os meios qualquer tentativa de derrubar o Governo de Bashar al-Assad.

Isso fica ainda mais claro quando se sabe que o “Admiral Kuznetsov” recebeu a bordo “tudo o que lhe foi destinado”, dotado com o máximo de armas e aeronaves de combate, o que significa que está equipado com os novíssimos e letais caças MiG-29KR e MiG-29KUBR e os helicópteros Ka-52Ka Alligator, além dos caças Su-33 de superioridade aérea e helicópteros Ka-27 e Ka-29 de guerra antissubmarino. Com uma tripulação de alto-nível, recentemente o “Admiral Kuznetsov” passou por severos treinamentos de defesa antimíssil e antissubmarino, o que indica uma preparação para missões prolongadas. Com deslocamento de 55.000 toneladas, 302 metros de comprimento, velocidade máxima de 29 nós e capacidade para acomodar mais de 50 aviões e helicópteros, o Kuznetsov pode inaugurar um novo conceito de guerra aero-naval, proporcionando apoio aéreo a unidades de desembarque a partir de operações em zonas costeiras.

A opção militar de Moscou vem acompanhada de uma reviravolta política de extrema magnitude, que foi a reaproximação com a Turquia. Membro da OTAN, a Turquia recentemente passou por uma tentativa de golpe de Estado, que o presidente Recep Tayyip Erdogan atribuiu aos seus aliados ocidentais, em especial a Alemanha e os EUA. Em um discurso televisionado no palácio presidencial pouco depois da tentativa de golpe, Erdorgan afirmou: – “Infelizmente, o Ocidente está apoiando o terrorismo e a favor dos golpistas. Os que imaginamos nossos amigos estão a favor dos golpistas e dos terroristas”.

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O evento marcou uma drástica mudança na política externa turca, que passou a considerar as opções russas para o fim do conflito na Síria. Ancara, que sempre apoiou os grupos radicais que lutam contra Bashar al-Assad, deixou de exigir a deposição do presidente sírio como condição preliminar para qualquer acordo de paz. Por outro lado, a questão curda ganhou relevância ao passo que os objetivos de Washington – agora sob suspeição – incluem a divisão da Síria e criação de um Estado curdo, o que ameaçaria a integridade territorial da Turquia e sua soberania. Essa a principal razão pela qual Erdorgan tem ensaiado uma aproximação com o eixo Síria-Irã- Rússia: porque já entendeu que manter a integralidade do Estado sírio, sob controle de Assad, é a única forma de impedir que os curdos alcancem um Estado federal autônomo – autonomia igualmente rejeitada pelo governo sírio.

Desde agosto os governos da Turquia e da Rússia reaproximaram-se em nome dos seus principais objetivos – para Ancara, reprimir os combatentes curdos e manter ao largo os extremistas do Estado Islâmico; para Moscou, o objetivo é devolver o controle da região às forças de Bashar al-Assad. Segundo um acordo divulgado no início daquele mês, as forças turcas vão continuar na Síria durante o tempo que for preciso para “limpar a fronteira de extremistas do Estado Islâmico e outros militantes“. O anúncio foi precedido pela primeira grande operação turca em território sírio, com aval da Rússia. “Temos defendido sempre a integridade territorial da Turquia. Também temos defendido a integridade territorial da Síria. O objetivo destas organizações terroristas é criar um Estado nestes países. Mas nunca terão sucesso”.

Segundo Bassam Abu Abdallah, diretor do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade de Damasco, a Síria não deve esperar muito das negociações em Genebra, mas sim da cooperação entre a Rússia e a Turquia, que pode levar Ancara a decidir pelo fechamento de sua fronteira com a Síria, resultando numa mudança drástica no equilíbrio de forças, ao impedir o fluxo de rebeldes e armamentos em direção à Síria. E se a fronteira fechar, está selado o destino dos insurgentes terroristas e seus mestres americanos: vão perder a guerra.

A histeria e a apreensão dos países da OTAN com a passagem da frota russa nas proximidades de suas costas não são injustificáveis. Como nunca antes, a Rússia é dona absoluta da situação na Síria. Aos EUA, seus fantoches e seus aliados, restam poucas opções: abandonar o jogo ou enfrentar abertamente a hegemonia russa.

Em tempo: Acabo de receber a notícia de que a Rússia descartou nesta segunda-feira (24) uma nova trégua humanitária na cidade de Aleppo. Em comunicado à agência “Interfax”, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Gennady Gatilov, advertiu que “não faz sentido falar de novas pausas humanitárias que são utilizadas pelos guerrilheiros para reagrupar suas forças e para reabastecer suas reservas”.  Concomitantemente, o Exército sírio anunciou que retomou o controle de uma base militar e de uma torre de telefonia situadas em duas colinas perto do sul de Aleppo, iniciando uma nova ofensiva contra os terroristas sitiados na cidade. O tempo está acabando….

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