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Política Internacional

Guerra Biológica: a luta contra o Estado Islâmico e a “Conspiração Ebola”


Portal de entrada do Fort Detrick, em Maryland, nos EUA.

Portal de entrada do Fort Detrick, em Maryland, nos EUA.

Introdução – A guerra biológica

O uso de microrganismos ou suas toxinas como arma de guerra para matar ou incapacitar inimigos – a chamada “guerra biológica” – é algo muito mais antigo do que muitos podem acreditar, sendo uma prática comum durante a Antiguidade e a Idade Média. Historiadores registram o uso de fezes de animais nas pontas das lanças pelos assírios (séc. XX a.C) e a contaminação deliberada de água potável pelos exércitos romanos através do despejo de restos cadavéricos de pessoas contaminadas em poços e fontes que abasteciam as cidades. Em 1346, durante o cerco Tártaro sobre Kaffa (atual Teodósia na Ucrânia) cadáveres de soldados que faleceram com peste eram lançados por cima das muralhas da cidade sitiada. Com sua rendição, seus habitantes se exilaram por toda a Europa, dando início à segunda grande epidemia de peste negra, que matou um terço de toda a população daquele continente.

Durante a Primeira Guerra Mundial, agentes alemães inocularam cavalos e cabeças de gado com mormo (doença crônica de eqüinos, causada pelo microrganismo Pseudomonas mallei), antes de despachá-los para a França. Após o fim do conflito, a Convenção de Genebra (1925) proibiu o uso das armas biológicas, mas não as pesquisas, produção e posse dessas armas. Entre 1937 e 1945 o Japão operou na Manchúria (região da China que estava sob domínio japonês) um centro de pesquisas de armas biológicas, a famosa Unidade 731, comandada pelo microbiólogo e tenente-general Shiro Ishii. Durante a guerra pelo menos 11 cidades chinesas foram atacadas com bio-armas, que incluía a contaminação de suprimentos de água e alimentos com culturas puras de Bacillus Anthracis, vibriões coléricos, shiguelas, salmonelas e bacilos da peste. Mais de 15 milhões de pulgas infectadas com bacilos da peste bubônica foram despejadas de aviões sobre cidades chinesas, levando aproximadamente duzentas mil pessoas à morte.

Com o fim da guerra, as experiências da Unidade 731 foram ocultadas e seus responsáveis, anistiados e levados aos EUA, passando a integrar o projeto Fort Detrick, em Camp Detrick, Maryland, onde o Governo americano realizava experimentos com Bacillus anthracis  e Brucella suis. Entre 1949 e 1968 bactérias Serratia marcescens foram deliberadamente pulverizadas em Nova Yorque e São Francisco, provocando nesta última um surto de infecção hospitalar com casos de óbito, o que determinou o fim destas experiências com a própria população.

Experimentos com armas químicas e biológicas também vinham sendo levadas a efeito pela URSS e pela China. Em 1979 um acidente em uma instalação soviética militar em Sverdlosk, ocasionou a maior epidemia de anthrax inalatório da história. O presidente Yeltsin admitiu que tal laboratório estava envolvido em guerra biológica e que um acidente havia ocorrido liberando esporos de anthrax no meio ambiente.

Entretanto, com o desenvolvimento da microbiologia, identificando e isolando os agentes e seus produtos tóxicos e da biologia molecular, permitindo a manipulação genética dos microrganismos, os riscos assumiram uma nova proporção. A escalada dos armamentos químico e biológico tornou-se uma ameaça concreta e o consenso geral sobre este perigo era que a melhor forma de evitar um desastre biológico era eliminar todo o arsenal existente.

Em 1993 a Organização das Nações Unidas elaborou a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Estocagem e Uso de Armas Químicas e sobre a Destruição das Armas Químicas existentes no mundo, reafirmando os princípios e objetivos do Protocolo de Genebra de 1925 e da Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção e Estocagem de Armas Bacteriológicas (Biológicas) e à Base de Toxinas e sua Destruição. Atualmente, mais de 140 países aderiram à Convenção de Proibição de Armas Biológicas, mas os debates sobre a criação de um mecanismo de verificação de cumprimento dessas proibições perduram até os dias de hoje. Com a elaboração de tais tratados esperava-se que os agentes biológicos não fossem mais alvos de pesquisa e utilização para fins de guerra, mas eventos ocorridos após sua elaboração mostram que jamais foram respeitados.

2 – A Ameaça do Ebola

Logo após o registro de uma série de casos de peste bubônica em regiões do sudeste da China em 1942, testemunhas relataram a presença de soldados japoneses que aparentemente haviam sido deslocados para as aldeias para combater a propagação da doença. Em suas tendas de campanha, médicos examinavam as vítimas e realizavam autópsia nos cadáveres, enquanto tropas impediam a entrada e a saída de pessoas nas aldeias. Tais depoimentos foram usados como prova de acusação em um tribunal de Tóquio, durante ação movida por 180 chineses, que exigiam do Japão um pedido de desculpas e o pagamento de uma indenização pela morte de seus familiares durante a guerra.

US Army in LiberiaTendo isso em mente, causou-me grande estranheza o fato de Washington ter anunciado o envio de três mil soldados para a Libéria, foco da atual epidemia de Ebola, que vem causando vítimas em pelo menos 3 países africanos (Guiné, Libéria e Serra Leoa) e que já registrou óbitos na Espanha e nos EUA, sendo considerada a maior e mais grave epidemia deste tipo na História.

Segundo o porta-voz do Pentágono, contra-almirante John Kirby, cerca de 300 militares americanos já estão aquartelados na Libéria e até o final de outubro mais 700 efetivos partirão para a África, além de uma unidade de engenharia militar, composta de 700 pessoas, para construção de instalações médicas. Uma movimentação que encontra grande similaridade com o que aconteceu no sudoeste da China, em 1942….

As desconfianças de que a atual epidemia de Ebola possa ter sido consequência da utilização de uma arma biológica aumentam quando se sabe que o Governo dos Estados Unidos da América, através dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention), é o detentor da patente de uma estirpe particular de Ebola conhecido como “EboBun”, ou Ebola humano (hEbola). Esta patente, CA2741523A1, foi concedida em 2010, e entre seus requerentes estão o Governo dos Estados Unidos da América, representado pelo Secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Centro de Controle de Doenças. A patente afirma claramente que os EUA requerem a “propriedade” sobre todos os vírus Ebola que compartilhem 70% de similaridade do hEbola, os métodos para a propagação do vírus em células hospedeiras, a cultura das células hospedeiras para permitir que os vírus se multipliquem e a colheita dos viriões resultantes. Num outro aspecto, o invento proporciona uma formulação de vacina compreendendo uma quantidade terapeuticamente ou profilaticamente eficaz do vírus hEbola, incluindo formas recombinantes e quiméricas do vírus, as moléculas de ácido nucleico, ou subunidades da proteína do vírus, e um veículo farmaceuticamente aceitável.

Segundo artigo publicado pelo Dr. Cyril Broderick, Professor de Fitopatologia da Universidade de Delaware, no maior jornal da Libéria, a versão do Ebola encontrada atualmente na África é “um organismo geneticamente modificado“. No artigo, o Dr. Broderick acusa o Departamento de Defesa dos EUA, por meio do U.S. Army Medical Research Institute of Infectious Diseases (USAMRIID), de estar testando secretamente armas biológicas usando como pretexto a administração de vacinas para controlar doenças e melhorar a saúde das pessoas.

O que parece mais uma “teoria conspiratória” absurda ganha outra conotação quando somos lembrados de que em maio deste ano a Casa Branca foi forçada a admitir oficialmente que foram usados programas de vacinação falsos como cobertura para roubar secretamente amostras de DNA do público como parte da chamada ”guerra contra o terrorismo”. O objetivo do esquema, realizado no Oriente Médio, foi utilizar a análise de DNA para identificar suspeitos de terrorismo que seriam depois marcados como alvos a serem eliminados pelos Estados Unidos.

O uso de falsas campanhas de vacinação já havia sido relatado pelo New York Times, que em 2011 publicou uma matéria sobre a operação que resultou no assassinato de Osama Bin Laden, onde cita textualmente: (…) ”Nos meses que antecederam a morte de Osama bin Laden, a Agência Central de Inteligência pôs em prática um falso programa de vacinação em Abbottabad, no Paquistão, como uma artimanha para obter provas de DNA de membros da família de Bin Laden que se pensava estarem escondidos naquela zona.” O relato do jornal americano coincide com outra matéria, desta vez do britânico The Guardian, sobre o mesmo assunto: “Agentes da CIA recrutaram um médico paquistanês para organizar a unidade de vacinas em Abbottabad, chegando mesmo a começar o ”projeto” numa parte mais pobre da cidade para torná-lo mais autêntico“.

Tudo isso reforça as evidências de que campanhas de vacinação têm mesmo sido usadas ​​como armas de guerra pelos Estados Unidos, e que as denúncias do Dr. Cyril Broderick podem ser mais que uma teoria da conspiração…

Admitindo que o atual surto de Ebola é um teste de arma biológica pelos EUA, isso ajudaria a explicar por que vítimas do Ebola estão sendo transportados para os Estados Unidos e colocadas sob a autoridade médica do CDC. Estes pacientes carregam consigo valiosos ativos de propriedade intelectual na forma de variantes de Ebola, para que possam ser exploradas para experiências médicas, armas biológicas, reivindicações de propriedade intelectual ou, na presente hipótese, para a “colheita militar” e a criação de vacinas específicas.

E se considerarmos essa hipótese, uma questão emerge imediatamente: contra quem, ou com que objetivo, os americanos estão realizando testes empíricos com uma epidemia de Ebola?

3 – A Guerra na Síria, “blowback” e a ameaça do Estado Islâmico

Em meados de  2011, no rastro do que se convencionou chamar no Ocidente de “Primavera Árabe”, uma série de violentos protestos contra o presidente da Síria, Bashar al-Assad, descambou numa guerra civil que já dura 3 anos e causou a morte de mais de 200 mil pessoas.

Sobre as razões da guerra na Síria, leia aqui
 

Contando desde o primeiro momento com o apoio – político, financeiro e logístico – e farto fornecimento de armas pelos EUA, através de seus aliados regionais (Arábia Saudita e Turquia em especial), os rebeldes lograram obter significativas vitórias iniciais, e tudo parecia seguir o mesmo roteiro havido anos antes na Líbia: rebeldes tomam importantes cidades no país, o governo revida furiosamente, colapso do regime e, finalmente, uma intervenção ocidental a título de “proteger a vida de cidadãos inocentes” – implantação de uma zona de exclusão aérea, uso de artilharia aérea para dar suporte aos rebeldes e queda do regime.

Mas a Síria não é a Líbia, e em pouco tempo as forças governamentais passaram a levar vantagem no terreno, contendo o avanço rebelde e logo depois reduzindo sua área de influência. Em lugar do colapso, o Governo de Bashar al-Assad recebeu forte apoio político do Irã, apoio diplomático da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU e a cooperação militar das experientes tropas do Hezbollah libanês. O fracasso militar do chamado “Exército Livre da Síria” e o fracasso político da “Coalizão Nacional Síria” inviabilizara uma intervenção direta dos EUA e seus aliados ocidentais no conflito. A guerra estava perdida para os rebeldes.

Foi então que Washington decidiu potencializar seu maior ativo de inteligência no Oriente Médio: o extremismo islâmico, representado pela Al Qaeda, a Frente Al Nusra e o então desconhecido Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Tal tática já havia sido utilizada com sucesso no Afeganistão contra os russos e mais recentemente na Líbia, contra Gaddafi. Em setembro de 2013 a Al Qaeda assumiria a liderança entre os rebeldes sírios, emitindo um comunicado no qual afirmavam que a Coalizão Nacional “não nos representam e nem nós a reconhecemos”. Imediatamente aumentou o afluxo de armas, munições e recursos financeiros para a insurgência síria, agora claramente caracterizada como grupos terroristas lutando contra um governo legítimo.

Isis mapNo final de maio de 2014 combatentes do ISIL na Síria abandonaram suas posições em Raqqua e Deir Ezzor e se dirigiram a Ninive, no Iraque, onde se juntaram a outros combatentes do ISIL iraquiano, fortemente equipados com armas contrabandeadas da Síria. Nos dez primeiros dias de junho toda a província de Nínive, no norte do Iraque, foi tomada pelos terroristas, inclusive a cidade de Mosul, capital da província, onde assumiram o controle dos equipamentos militares, incluindo helicópteros e tanques, abandonados pelas forças armadas iraquianas, e libertaram mais de três mil criminosos da prisão estadual, a maior parte dos quais condenados por seu envolvimento em atividades terroristas.

Ao final da primeira quinzena de junho as forças do ISIS já haviam controlado cerca de 50.000 quilômetros quadrados ou 15% do território iraquiano. Em 29 de junho – primeiro dia do Ramadã – o ISIS proclamou a formação de um Estado Islâmico, nomeando seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi como califa.

Em agosto, o Estado Islâmico já controlava aproximadamente 25% do território sírio e 40% do território iraquiano, investindo pesadamente contra as áreas controladas pelos curdos, em ambos os países, ameaçando seriamente o objetivo norte-americano de instalar um Curdistão independente e pró-ocidental. A criatura havia saído do controle e buscava a consecução de seus próprios objetivos.

O assassinato do jornalista americano James Foley foi o pretexto para uma reação militar ao “blowback”. Em 10 de setembro, ironicamente às vésperas do 13o aniversário do ataque às Torres Gêmeas, o presidente Barack Obama anunciou a formação de uma “coalizão”, liderada pelos EUA, para dar combate ao Estado Islâmico, com o objetivo declarado de “(…) degradar e, em última instância, destruir o EI através de uma estratégia abrangente e sustentável de contraterrorismo“. Os ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico começaram no dia 23/09 e depois disso, centenas de incursões aéreas foram lançadas contra alvos em Raqqa, Deir al Zur, Al Hasaka, Tel Abiad, Tabaqa, Ain Aisa e Ain al-Arab, nesta última utilizando claramente táticas de apoio aéreo em apoio a infantaria curda. Mas a despeito dos ataques aéreos da coalizão militar internacional os combatentes do Estado Islâmico seguem avançando na Síria, sobretudo no norte do país, e já ocupa a metade de Kobane, a cidade curdo-síria na fronteira com a Turquia, palco há dias de uma luta feroz entre extremistas e combatentes curdos. No Iraque, o Estado Islâmico também vem ganhando territórios e está próximo de conquistar a província de Al-Anbar, no oeste do país, após uma série de ofensivas que enfraqueceram as posições do exército.

Apesar das bravatas, Washington sabe que não pode vencer essa guerra sem envolver a presença de tropas em terra, e diante da relutância de seus aliados regionais – inclusive a Turquia, temerosa em relação a um levante curdo em seu próprio território – em despachar tropas para o combate, já se prepara para a hipótese de enviar suas próprios efetivos para a linha de frente.

Mas o que tudo isso tem a ver com o surto de Ebola no sudoeste africano?

4 – A “Conspiração Ebola”

Muito que será dito a partir destas linhas não pode ser comprovado. São apenas deduções, ilações baseadas em premissas geopolíticas e táticas militares aprendidas na História.

Os reais interesses do Ocidente na Síria (FATOS)

O consumo de gás liquefeito na Europa é de 500 bilhões de metros cúbicos por ano. Especialistas preveem que até 2030 o gás natural será o principal combustível consumido na Europa. Até antes do conflito na Síria, haviam cinco novos projetos para o abastecimento do mercado europeu. North Stream e South Stream, ambos desenvolvidos pela Rússia, que levariam gás russo até a Alemanha; o terceiro projeto é o Nabucco, dos EUA/União Européia, que tencionava trazer o gás do Turcomenistão e Azerbaidjão através da Turquia, Bulgária, Romênia, Hungria, República Checa, Eslováquia e Itália, com capacidade para transportar 31 bilhões de m3/ano; o quarto projeto resultou da assinatura de um memorando de entendimento entre o Irã, Iraque e Síria em 2011 para fornecimento de gás iraniano à Síria através do Iraque, de onde seria levado por um gasoduto através do Mar Mediterrâneo até a Grécia (“saltando” assim a Turquia). A capacidade estimada de fornecimento seria de cerca de 40 bilhões de m3/ano. Curioso perceber que a revolta na Síria começou a crescer quase ao mesmo tempo da assinatura deste memorando. O quinto projeto, desenvolvido pelo Qatar, com a participação da Turquia e de Israel, levaria o gás produzido no Qatar através da Arábia Saudita e Jordânia até a Síria. A partir do território sírio, continuaria em três direções: o porto de Latakia, na Síria, o porto de Tripoli, no Líbano e a Turquia, de onde seria levado até a Europa. Para o Qatar e a Arábia Saudita esta via é de especial importância, uma vez que um conflito entre Israel e seus aliados ocidentais contra o Irã provocaria o bloqueio do Estreito de Ormuz, inabilitando suas exportações de gás e petróleo para a Europa. Por isso o “Projeto Qatar” recebeu o aval dos Estados Unidos, da Europa e de Israel, o que explica o apoio dado aos terroristas que tentam derrubar Bashar al-Assad. Entende-se então claramente que o gás natural foi a razão pela qual o Ocidente e a Turquia se aliaram às monarquias do Golfo para insuflar a revolução na Síria. Uma guerra que está sendo travada pelos lucros bilionários de um novo canal de abastecimento de gás para a Europa. Hoje, ainda que Bashar al Assad não seja derrubado, parte deste objetivo seria alcançado – ainda que parcialmente, atendendo a rota para a Turquia – desde que se materialize a independência do Curdistão, cujo território na Síria abrangeria as terras a leste do Rio Eufrates, englobando as províncias de Raqqa, Deir al Zur e Al Hasaka, abrindo assim o corredor necessário para a passagem do pipeline. Por isso, defender a independência do Curdistão – ameaçada pelo avanço do Estado Islâmico – é mais importante para o Ocidente e as Monarquias do Golfo do que derrubar Bashar al Assad.

Se esta premissa estiver correta, não seria difícil aceitar que Washington e Damasco tenham selado um acordo para permitir os bombardeios da coalizão em território sírio. Tal acordo, que necessariamente deveria ter o aval de Teerã e Moscou, poderia compreender quatro pontos fundamentais: o fim do apoio norte-americano aos rebeldes sírios (a inclusão da Frente al-Nusra entre os terroristas combatidos pela coalizão ocidental fez parte deste acordo); a retomada de negociações com o Irã para suspensão parcial das sanções impostas ao país em razão de seu programa nuclear; a flexibilização das tensões com a Rússia em razão da crise ucraniana, e, finalmente, o compromisso entre as partes de reconhecer a independência do Curdistão, a ser criado em territórios da Síria e do Iraque. 

mundo-politica-estados-unidos-contra-estado-islamico-baixa-20140925-023-size-598Somente a existência deste acordo explicaria o fato de o Governo Sírio jamais ter formalizado um protesto junto à ONU contra os bombardeios da coalizão. Explicaria igualmente porque em nenhum momento a Síria lançou seus caças interceptadores ou não disparou suas defesas anti-aéreas contra os aviões da coalizão. Explicaria também o silêncio de seus aliados (Russia e Irã) diante dessa permissividade. E para fortalecer essa tese, é importante notar que os ataques da coalizão foram realizados exclusivamente em território curdo, e que o Exército sírio não se aproveitou do impacto dos ataques contra o Estado Islâmico retomar importantes áreas – em território curdo – petrolíferas, preferindo concentrar seus esforços ao sul e no leste do país, lançando ofensivas nas cidades de Deera, Idlib e Hama, onde estão concentrados os últimos focos de resistência dos chamados “rebeldes moderados”.

A Importância Estratégica do Curdistão e a Guerra contra o Estado Islâmico

A importância estratégica do Curdistão fica bem demonstrada nas palavras de Tom Hardie-Forstyth, assessor do Governo Regional do Curdistão (KRG), em entrevista à BBC: – “Falando como militar e como ex-presidente do Comitê da OTAN, podemos dizer, pragmaticamente, que, se você olhar para o mapa do mundo e para a Turquia e a Europa, esta pequena parte do Curdistão é, de fato, a fronteira sudeste da OTAN”.

Sua localização estratégica (rota para o gasoduto Qatar-Europa) e a riqueza em petróleo (reservas de 45 bilhões de barris) foram certamente o que levaram Washington a retomar suas ações militares no Iraque, quase três anos depois da retirada das suas tropas. Mas não interessa a Washington se envolver em mais uma guerra longa e custosa, como foram a Guerra do Afeganistão e a própria invasão do Iraque, que mesmo após 1/4 de século continuam drenando recursos e ceifando a vida de militares ocidentais.

Mesmo entre seus aliados a percepção é a mesma. O primeiro-ministro britânico alertou que demorará “não meses, mas anos” derrotar os extremistas que controlam parte do Iraque e da Síria. Ainda antes de Cameron, o chefe do Estado-Maior australiano tinha previsto uma “guerra longa”, talvez de décadas. Também o ex-secretário da Defesa de Bush e de Obama concorda. “Destruir o EI é missão muito ambiciosa”, declarou Gates. E a The Economist fala de “Mais uma longa guerra”.

E os fatos corroboram os temores ocidentais: apesar dos ataques aéreos, Raqqa, bastião sírio dos extremistas, continue de pé. No Iraque, Mossul, a segunda maior cidade do país, continua dominada pelo Estado Islâmico. E em ambos os países seus combatentes prosseguem avançando sobre novos alvos, eliminando a resistência curda e se aproximando cada vez mais da fronteira com a Turquia.

Como então vencer – ou debilitar – um inimigo que não pode ser detido com táticas de guerra convencionais, a um custo (econômico e humano) razoável, em curto espaço de tempo e sem destruir completamente a infra-estrutura (especialmente cidades e instalações petrolíferas) de um país que Washington deseja criar após o conflito?

Deixado de lado todos os escrúpulos de consciência, uma resposta estritamente militar para o desafio seria o uso de uma arma biológica! Considerando tal premissa verdadeira, o hEbola (cuja patente, lembramos, pertence ao Governo dos EUA) poderia ser utilizado contra o Estado Islâmico. Uma epidemia deste tipo seria devastadora em uma região de conflito, onde aspectos sanitários geralmente são negligenciados ou impossíveis de manter sob controle. Alastrando-se rapidamente entre as fileiras do Estado Islâmico, em pouco tempo reduziria sua capacidade de combate e permitiria a incursão de tropas da coalizão, que retomariam as áreas controladas pelos extremistas a um custo aceitável.

As populações locais, assim como os soldados da coalizão incumbidos de dar combate em solo aos terroristas seriam imunizados, limitando dessa forma as perdas pela ação da epidemia. Só para lembrar, uma vacina comercial e terapias para acelerar o efeito de medicamentos contra os sintomas da doença, produzidos pela Tekmira Pharmaceuticals Corporation, em colaboração com o United States Army Medical Research Institute for Infectious Diseases (USAMRIID) e cujos estudos foram financiados pelo Departamento de Defesa dos EUA, já se encontram em fase final de desenvolvimento. Em maio deste ano, a Tekmira concluiu com êxito os ensaios clínicos em voluntários humanos saudáveis, e aguarda agora a liberação do produto pela FDA, tendo obtido autorização para o uso experimental em indivíduos com infecção pelo vírus Ebola suspeito ou confirmado. (http://www.tekmira.com/pipeline/tkm-ebola.php)

Com o agravamento do surto na África Ocidental, a Tekmira se juntou a um consórcio internacional liderado pela OMS, para fornecer uma terapêutica experimental baseado em suas experiências. Tal consórcio inclui representantes da  International Severe Acute Respiratory and Emerging Infection Consortium (ISARIC), Universidade de Oxford, Reino Unido, os Centros para Controle de Doenças (CDC), Médicos sem Fronteiras (MSF), entre outros. Curioso observar que este trabalho está sendo realizado sob contrato (US$ 140 milhões) com o Departamento de Defesa dos EUA conjuntamente com a Gerência de Projetos de Sistemas de Contamedidas Médicas (JPM-MCS), um componente do Gabinete Conjunto do Programa Executivo de Defesa Química e Biológica dos EUA, cujo objetivo é “proporcionar às forças militares dos EUA e da nação soluções médicas seguras, eficazes e inovadoras para combater as ameaças nucleares químicos, biológicos e radiológicos, (…) facilitando o desenvolvimento avançado e aquisição de contramedidas e sistemas médicos para melhorar a capacidade de resposta em biodefesa”.

Tudo isso pode soar meio irreal, mas os fatos e as evidências inegavelmente apontam para estas conclusões. A última fase dessa conspiração – a preparação midiática – pode ter começado no início de outubro, quando jornais e agências de notícia em várias partes do mundo replicaram informações do Daily Mail alertando para a possibilidade de que os terroristas do Estado Islâmico estejam planejando utilizar o Ebola como bio-arma, infectando propositalmente seus militantes e enviando-os aos países do Ocidente. Segundo a publicação, a hipótese foi levantada por um especialista em assuntos militares, e endossada por mensagens identificadas no fórum oficial dos extremistas na internet, em que planejam um possível ataque aos EUA com o Ebola. Outro site – Vetogate.com – publicou uma suposta declaração do Exército Islâmico em que convoca jihadistas para a realização do ataque: “Seguidores e soldados do Estado Islâmico são em sua maioria homens-bomba e todos eles estão prontos não só para levar o Ebola, mas para beber Ebola se eles forem convidados a realizar e espalhá-lo nos Estados Unidos“.

Não seria surpresa, portanto, se na sequencia dos acontecimentos um grave surto de Ebola atingisse a região dominada atualmente pelo Exército Islâmico, seguida por uma intervenção militar pelos países da coalizão liderada pelos EUA, não só para dar combate aos terroristas e destruí-los, como também utilizando o pretexto humanitário de conter a doença, utilizando vacinas e terapias desenvolvidas por um até então pouco conhecido laboratório americano com ligações com o Governo dos EUA, que ganharia bilhões de dólares vendendo medicamentos para cura e prevenção da doença no mundo inteiro. 

Acredite se quiser….

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