Você está lendo...
Estado Islâmico, Extremismo Islâmico, Política Internacional

Fundamentalismo e Estado Islâmico: o conto do Golem americano. Uma visão histórica acerca do fundamentalismo islâmico como conseqüencia de ações políticas, militares e diplomáticas equivocadas dos EUA


O extremismo islâmico foi apresentado ao mundo como ameaça global após os ataques ao World Trade Center, em setembro de 2001

O moderno extremismo islâmico foi apresentado ao mundo como ameaça global após os ataques ao World Trade Center, em setembro de 2001

Em 1921, o dramaturgo tcheco Karel Capek escreveu uma peça chamada R.U.R., iniciais de “Rossum’s Universal Robots”, a qual conta a história de um brilhante cientista chamado Rossum, que cria os “robots”, humanóides artificiais feitos de matéria orgânica sintética que eram utilizados para fazer o trabalho pesado nas fábricas. Inicialmente servis e obedientes, com o tempo os robots adquirem emoções e sentimentos e se rebelam contra a escravidão imposta por seus patrões, iniciando uma guerra que terminaria com a destruição da Humanidade. Não é possível afirmar com certeza, mas a inspiração de Capek provavelmente remonta a um conto surgido na Europa Oriental do século XVI, que narra a história do Golem, um enorme boneco de barro a quem fora dado vida por um rabino para proteger seu povo de sucessivos ataques que dizimavam os judeus. Entretanto, o golem, que no começo era como uma máquina, incapaz de avaliar suas próprias ações ou poder, aos poucos adquire emoções, sentimentos e consciência. Incapaz de aceitar que isso acontecesse com uma criação artificial, o rabino destrói o golem, prendendo-o no sótão da sinagoga de Praga.

Ao analisar os recentes acontecimentos no Oriente Médio, os conflitos na Síria e no Iraque, o avanço do Estado Islâmico e a reação das potências ocidentais e seus aliados regionais, é impossível não traçar um paralelo com a peça de Capek ou o conto do Golem, exemplos alegóricos que tratam da criatura se voltando contra o criador.

Ao contrário do que a mídia ocidental dissemina, o extremismo, ou fundamentalismo*, não é uma característica inerente aos povos árabes ou ao Islã. Para compreende-lo em sua real expressão, é preciso uma breve resenha histórica, que começa com o surgimento do Império Otomano, no final do século XIII.

Império OtomanoFundado por Ertuğrul e o seu filho Uthmān (ou Othman, de onde deriva o nome “otomano”) o Império Otomano se tornou uma das principais potências políticas, militares e econômicas da Europa entre os séculos XVI e XVII, e no apogeu seu território compreendia uma área de 5.600.000 km² estendendo-se de leste a oeste, desde o mar Cáspio e o Golfo Pérsico até o estreito de Gibraltar, e de norte a sul desde a fronteira com as atuais Áustria e Eslovênia até os atuais Sudão e Iêmen, englobando a Anatólia, o Oriente Médio, parte do norte da África e do Sudeste europeu.

Em 1517, o sultão Selim I foi elevado à condição de Califa do Islã, e o Império Otomano passou a ser sinônimo de Califado, ou Estado Islâmico. Nessa época, e durante o califado de seu sucessor, Sulaymān, o Magnífico, os otomanos voltaram suas atenções – até então focadas na Europa Oriental – para o Oriente Médio, iniciando um período de expansão territorial que culminou com a conquista das atuais Síria, Palestina, Egito, Arábia e Iraque, incorporando o coração dos antigos califados árabes.

A partir da segunda metade do século XVII, envolvido em sucessivos conflitos e enfrentando inimigos cada vez mais poderosos – o Império Persa, a Áustria e a Rússia – o Império Otomano começa a entrar em decadência. No decorrer do século XIX suas províncias no Bálcãs se rebelam e em 1878 o Império Otomano é obrigado a reconhecer a independência da Sérvia, da Romênia e da Bulgária, além de perder a Bósnia para a Áustria e os Bálcãs Orientais para a Rússia, marcando o fim de seu domínio na Europa. Mais uma vez derrotada na Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano deixaria de existir em 1922, dando lugar à República da Turquia. Era o fim do último Califado.

Durante a Primeira Guerra Mundial as potências ocidentais armaram e deram apoio logístico às lideranças árabes para que se rebelassem contra o Império Otomano, aliado da Alemanha, prometendo falsamente reconhecer a liberdade e a independência das nações árabes. Tal estratégia levou à chamada “Revolta Árabe” (1916-1918), cujo objetivo era a criação de um único estado árabe unificado desde Alepo na Síria até Áden no Iémen, o Califado Árabe do Islã. Utilizando-se de técnicas de guerrilha, dinamitando os trilhos dos trens, atacando guarnições isoladas e interrompendo as comunicações, o “exército árabe” fez do deserto uma armadilha mortal para as forças otomanas. Em 30 de dezembro de 1918 os árabes ocupam Damasco, encerrando vitoriosamente sua campanha no deserto.

Revolta ÁrabeEntretanto, enquanto lutavam por sua independência, britânicos e franceses negociavam a partilha dos territórios árabes do Império Otomano. Em 16 de maio de 1916, assinaram um acordo secreto chamado Sykes-Picot. A França ficaria com Síria e Líbano e a Inglaterra com o Egito, a Jordânia, a Palestina e o Iraque. Até a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o Oriente Médio permaneceria sob domínio colonial.

Nessa época, militares e lideranças nacionalistas árabes buscaram aproximação com a Alemanha, que acenou com a promessa de apoiar os esforços árabes pela independência. Contudo, a participação de combatentes árabes foi irrelevante durante a guerra, o que no entanto não arrefeceu o crescente nacionalismo, que viria à tona com toda força após o fim do conflito. Nas décadas seguintes os países árabes foram conquistando sua independência, a maioria dos quais tornando-se repúblicas seculares, onde a religião estava relegada à esfera privada. No plano político predominava o nacionalismo pan-arabista, cujos maiores líderes foram Gamal Abdel Nasser, Saddam Hussein e Muammar al-Gaddafi, além do partido Partido Baath, na Síria.

O mundo vivia então o período da Guerra Fria, e os acontecimentos passaram a seguir a lógica do enfrentamento entre russos e americanos. Enquanto os EUA tinham em Israel um forte aliado, a URSS apresentava-se como defensora do nacionalismo árabe, oferecendo ajuda para deter eventuais intervenções ocidentais na região, criticando Israel pesadamente e prometendo auxílio econômico. Com isso conseguiu atrair para sua zona de influência países como a Síria, Líbano, Iraque, Líbia e até mesmo o Egito nassernerista, que entretanto não tinham a União Soviética como aliado, devido às tensões ideológicas entre islã, comunismo e pan-arabismo. Na verdade, um mundo árabe unificado nunca foi conveniente a nenhuma das duas superpotências: a URSS temia a existência de um super-Estado não comunista às margens de suas fronteiras e a influência sobre suas repúblicas islâmicas; por outro lado, as preocupações de Washington estavam fundamentadas nas questões relativas ao fornecimento de petróleo, como bem expressou o então secretário de Estado dos Estados Unidos, John Foster Dulles, em pronunciamento no Conselho de Segurança Nacional: – “Se a política de fornecimento de petróleo dos Estados árabes para a Europa Ocidental for uniformizada como resultado da unificação desses, a ameaça ao fornecimento vital de petróleo para a Europa Ocidental pelo Oriente Médio tornaria-se crítica…“.

Com uma área total de 13.7 milhões de km², atrás apenas da União Soviética e consideravelmente maior do que a Europa, o Canadá, a China ou os Estados Unidos (…) Esse Estado conteria quase dois terços das reservas mundiais de petróleo. Ele também teria capital suficiente para financiar seu próprio desenvolvimento econômico e social. (…) Acesso a um amplo mercado poderia estimular um rápido desenvolvimento industrial. Desigualdades regionais presentes seriam finalmente diminuídas e o descompasso entre áreas com excesso e escassez de mão de obra seria corrigido. A força militar agregada e a influência política desse Estado estrategicamente localizado seriam formidáveis (…)”.  (El Mallakh, 1978, apud Lustick, 1997). 

Foi para impedir o surgimento desta potência militar e econômica que tanto os EUA como a URSS agiram para manter a dissenção entre as lideranças árabes, minando as propostas do pan-arabismo. Em meados da década de 1970, após o fracasso árabe nas guerras de 1967 (Guerra dos Seis Dias), 1968-1970 (Guerra de Desgaste) e 1973 (Guerra do Yom Kippur), a morte de Nasser (1970) e a tentativa fracassada de Muammar al-Gaddafi de unificar a Líbia, Egito e Síria na chamada Federação das Repúblicas Árabes, o nacionalismo árabe e o pan-arabismo perderia sua força.

E começaria a surgir entre as massas urbanas, a classe média e os setores mais pobres dos países árabes um sentimento de frustração e o reconhecimento do fracasso dos líderes nacionalistas em conter o sionismo e até mesmo em defender as terras árabes. Apesar dos rendimentos do petróleo, a grande maioria das populações vivia sob precária situação econômica. Não tardou para que crescesse o apelo às teses das organizações fundamentalistas – a exemplo da Irmandade Muçulmana, fundada no Egito em 1928 mas relegada a segundo plano durante toda primeira metade do século XX – que atribuíam o fracasso árabe ao afastamento entre o Estado e o Islã e a submissão de seus povos ao modo de vida e costumes ocidentais. Seus objetivos estavam centrados em três pilares fundamentais: opor-se às “tendências seculares das nações islâmicas”, o retorno aos ensinamentos do Corão e a rejeição da influência ocidental nos assuntos árabes.

O assassinato do presidente egípicio Anwar Sadat

O assassinato do presidente egípicio Anwar Sadat

Ao contrário da imagem estereotipada criada pela mídia, os fundamentalistas não tinham o Ocidente como alvo de seu descontentamento, mas os líderes “apóstatas” de estados islâmicos, aqueles que foram seculares e introduziram ideias ocidentais às sociedades islâmicas. Nas palavras de Muhammad Abd al-Salam Farag, líder da organização fundamentalista egípcia Jamaat al-Jihad, responsável pelo assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat em um desfile militar: “…não há dúvida de que o primeiro campo de batalha para a jihad é o extermínio destes líderes infiéis e a sua substituição por uma completa ordem islâmica…“.

É nesse ponto que começa a analogia entre a expansão do fundamentalismo islâmico e o conto do Golem, mencionado no início do texto. Para desestabilizar e conter o crescimento dos países árabes e as tendências pan-arábicas de seus líderes, os EUA passaram a financiar e dar apoio logístico a estes grupos, principalmente através da Arábia Saudita – que desde sua fundação (1932) é governado por uma monarquia absoluta e teocrática que sempre temeu e rejeitou o pan-arabismo por razões óbvias, o que o aproximou dos EUA: os interesses em torno do petróleo e a manutenção de sua posição hegemônica na região.

Desde então a associação entre os EUA e os grupos fundamentalistas esteve no epicentro de alguns fatos históricos, que culminaram no fornecimento de armas e treinamento para que grupos extremistas islâmicos lutassem contra as tropas soviéticas no Afeganistão e a criação da Al-Qaeda. Documentos publicados pelo Wikileaks forneceram inúmeras provas dessa estreita ligação entre os grupos fundamentalistas islâmicos e o Governo dos Estados Unidos, assim como a participação da Arábia Saudita para a intermediação de fundos, armamento e recrutamento de combatentes.

“(…) um relatório geral de Inteligência Militar (…) mostra que o governo iraquiano estava ciente dos efeitos nefastos dos Wahhabis da Arábia Saudita, muitas vezes conhecidos como salafistas, em servir os interesses do Ocidente para minar o Islã. (…) com a ajuda dos britânicos, os Wahhabis e seus patrocinadores sauditas voltaram ao poder e fundaram seu próprio estado em 1932. Desde então, os sauditas têm colaborado estreitamente com os norte-americanos, a quem devem sua enorme riqueza petrolífera, no financiamento de várias organizações islâmicas fundamentalistas e outras operações secretas americanas, nomeadamente a “jihad” no Afeganistão. (…) tendo em conta o papel que o estado da Arábia Saudita tem e continua a desempenhar no que diz respeito ao apoio e avanço do poder ocidental no Oriente Médio e em outros lugares. Especialmente surpreendente é a forma muito duvidosa e virulenta do Islã, que o Wahhabism e o salafismo representam, que atualmente está à solta nas tradições islâmicas, e dividindo a comunidade muçulmana em disputas mesquinhas sobre detalhes triviais, permitindo que a guerra contra o Islã possa prosseguir eficazmente (…)”.(https://wikileaks.org/gifiles/docs/37/3776052_re-mesa-iran-iranian-media-reports-that-wahhabis-are-of.html)
 
Osama bin Laden, ou

Osama bin Laden, ou “Tim Osman”, como era conhecido pela CIA, com Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA.

Após a retirada soviética do Afeganistão, a Al Qaeda continuou a servir aos interesses dos EUA criando o pretexto e condições para uma maior e mais profunda intervenção americana no mundo islâmico (A verdade sobre a origem e os propósitos da Al-Qaeda, invenção da CIA para justificar a “guerra global contra o terrorismo” e o intervencionismo yankee no mundo islâmico). Até mesmo o atentado de 11/9 ao Word Trade Center teria sido parte dessa conspiração, como encontramos em outro documento publicado no Wikileaks (https://wikileaks.org/gifiles/docs/20/207145_-analytical-and-intelligence-comments-assassination-of-osama.html):

(…) O ataque ao Word Trade Center foi uma provocação do governo dos EUA para criar um falso pretexto para projetar o poder dos EUA na Ásia Central/Afeganistão (…) o principal objetivo: a aquisição de petróleo do Oriente Médio a fim de tentar ditar a Economia e a Política do Mundo. (…) deliberadamente permitiu que os 19 fundamentalistas islâmicos recebessem o treinamento que precisavam para pilotar esses aviões jumbo, e manteve seus próprios interceptores a jato no chão por mais de uma hora para permitir que os fundamentalistas islâmicos pudessem conduzir os aviões sequestrados até o World Trade Center e o Pentágono! (…) Osama Bin Laden era um servo fiel do imperialismo norte-americano (…). Se o fundamentalismo islâmico não existisse, teria que ser inventado, porque ele é tão perfeito para organizar e manipular provocações como pretexto para as invasões dos Estados Unidos e a chamada “Guerra ao Terror“(…) 

Conforme se percebe, existe uma visceral relação entre a ascensão dos grupos radicais islâmicos e a política externa norte-americana, onde a questão religiosa tem função apenas acessória. É um erro considerar que o islamismo em si fomenta essa situação de conflito contra o Ocidente, que na verdade é consequência direta de um conjunto de situações construídas ao longo dos últimos 50 a 60 anos, fruto de ações políticas, militares e diplomáticas equivocadas por parte dos EUA (sobre isso, leia: “Semeando vento, colhendo tempestade: o fracasso da geopolítica yankee para o Oriente Médio“)

Dentro desse contexto é que se deve entender a invasão do Iraque (2003), a Primavera Árabe, a guerra contra a Líbia de Muammar al-Gaddafi, a queda de Mubarak, a ascensão da Irmandade Muçulmana seguido do golpe que restaurou o poder dos militares no Egito  e finalmente, a Guerra na Síria, que nada mais é que uma agressão norte-americana por meio de um “exército por procuração” formado por milícias fundamentalistas, o Golem americano dos tempos modernos. Mas assim como na estória européia do século XVI, a criatura fez despertar sua própria consciência e a extensão de seu poder, voltando-se contra o seu criador para buscar – paradoxalmente – o sonho dos governos nacionalistas e seculares que ajudou a derrubar: a unidade política do mundo islâmico, extinguindo as falsas fronteiras impostas pelo colonialismo ocidental, criando (ou resgatando) a identidade árabe acima da ideia de pertencimento nacional, mas agora sob os ditames da sharia, a lei islâmica.

Estado Islâmico

Combatentes do Estado Islâmico exibem seu poder bélico nas ruas do Iraque

E ao contrário das limitadas “células terroristas” que os americanos ajudaram a criar – a exemplo dos vários grupos ligados à Al Qaeda – e que podiam destruir conforme sua conveniência, o Estado Islâmico alcança uma escala e um escopo que o coloca muito além dos grupos extremistas com os quais os EUA estavam acostumados a lidar. Além do fato de controlar grandes parcelas de um território que abrange a Síria e o Iraque, o Califado possui uma grande quantidade de armamentos modernos – capturados ao exército iraquiano – e consideráveis recursos financeiros. Seu contingente ultrapassa os 30 mil combatentes (segundo a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), entre os quais cerca de 3 mil “estrangeiros”, em sua maioria provenientes da Europa, número que tende a crescer na medida em que suas vitórias se sucedem no campo de batalha. A extensão da real ameaça que representam para os interesses e aliados de Washington na região pode ser medida nas declarações do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel: “(…) o Estado Islâmico é uma ameaça que ultrapassa tudo o que conhecemos em se tratando de terrorismo. O Estado Islâmico vai mais longe do que um grupo terrorista. Alia ideologia e sofisticação com conhecimento militar, tático e estratégico. E é extremamente bem financiado. Devemos estar preparados para tudo“.

Em 10 de setembro, ironicamente às vésperas do 13o aniversário do ataque às Torres Gêmeas, o presidente Barack Obama anunciou a formação de uma “coalizão”, liderada pelos EUA, para dar combate ao Estado Islâmico, com o objetivo declarado de “(…) degradar e, em última instância, destruir o EI através de uma estratégia abrangente e sustentável de contraterrorismo“. Apesar das bravatas, o presidente americano sabe que esta não será uma tarefa simples e os riscos talvez estejam além do que os EUA podem suportar. Embora não possa admitir, Obama sabe que não pode vencer essa guerra sem envolver a presença de tropas em terra. Insiste portanto na estratégia de bombardeios aéreos “em apoio de forças aliadas no solo“, no que é imitado por seus aliados ocidentais, igualmente temerosos em se meterem num atoleiro militar a longo prazo, de resultados incertos e elevado custo financeiro, exatamente como as guerras que recebeu como legado da Era Bush.

Como resposta à iniciativa americana, o Estado Islâmico divulgou, três dias depois do pronunciamento de Obama, um novo vídeo, mostrando a decapitação de mais um ocidental, desta vez o britânico David Cawthorne Haines.

Intitulado “Uma Mensagem para os aliados da América“, o Estado Islâmico adverte o primeiro-ministro britânico para as consequências de uma aliança com os EUA: – “Este homem britânico tem de pagar o preço de sua promessa, Cameron, para armar o Peshmerga contra o Estado islâmico. Ironicamente, ele passou uma década de sua vida servindo sob o mesma Real Força Aérea responsável por entregar essas armas. Sua aliança com a América do mal que continua a atacar os muçulmanos do Iraque e, mais recentemente bombardeou a Haditha Dam, só vai acelerar a sua destruição, e jogando o papel do cãozinho obediente, Cameron, só vai chamar você e seu povo para outra sangrenta guerra que não podem vencer“.

E assim como na lenda do Golem, o criador, confrontado por sua criatura, é compelido a destruí-la. Resta saber se o final da história seguirá o roteiro da lenda européia ou tomará caminhos mais tenebrosos, como a destruição do Criador pela Criatura, como na peça de Capek.

* “Fundamentalista” é um termo cristão. Parece ter entrado em uso nos primeiros anos do século passado, e denota certas igrejas protestantes e organizações, mais particularmente aquelas que mantêm a origem divina e inerrância literal da Bíblia. A esta se opõem os teólogos liberais e modernistas, que tendem a uma visão mais crítica das Escrituras. Entre os teólogos muçulmanos não existe ainda nenhuma abordagem como liberal ou modernista do Alcorão, e todos os muçulmanos, em sua atitude para com o texto do Alcorão, são em princípio, pelo menos os fundamentalistas. Quando os fundamentalistas chamados muçulmanos diferem de outros muçulmanos e mesmo para fundamentalistas cristãos está em sua escolástica e seu legalismo. Eles baseiam-se não só no Alcorão, mas também sobre as tradições do Profeta, e no corpus da aprendizagem transmitida teológica e jurídica. (in, Bernard Lewis, The Political Language of Islam , p.117, n.3.)
Anúncios

Discussão

Um comentário sobre “Fundamentalismo e Estado Islâmico: o conto do Golem americano. Uma visão histórica acerca do fundamentalismo islâmico como conseqüencia de ações políticas, militares e diplomáticas equivocadas dos EUA

  1. Excelente texto. Claro, bem fundamentado e até, num certo sentido, didático graças à quantidade de informações que oferece e links que propicia. Parabéns Michael! Vou compartilhar.

    Publicado por Carlos Azambuja | 2014/10/16, 23:19

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Estatísticas

  • 39,816 visitas
%d blogueiros gostam disto: