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Brasil, Palestina

A hipocrisia do anão tupiniquim. Retórica e ações midiáticas não escondem o fato de que o Brasil é cúmplice de Israel nos crimes cometidos contra o povo palestino.


Brasil IsraelEm novembro de 2012, ao final da “Operação Pilar de Defesa”, publicamos um artigo em que enaltecíamos a “tenaz resistência palestina contra a arrogância e o poderio bélico de Israel”. Ao final do texto, uma breve anotação sobre o posicionamento do Brasil diante do conflito árabe-israelense, que transcrevo abaixo:

(…) “não confiem no Brasil como agente isento e imparcial nas questões relativas ao conflito com Israel. É verdade que muitas pessoas em meu país são simpáticas e solidárias à causa palestina, mas a grande maioria do povo brasileiro está completamente alienada em relação à geopolítica do Oriente Médio ou à situação do povo da Palestina.
Não conhecem e pouco se interessam pelos crimes cometidos por Israel, as injustas sanções contra o Irã, a guerra civil na Síria ou o bloqueio econômico à Gaza. As poucas informações que têm são veiculadas por jornais e redes de notícias que apresentam uma visão parcial da realidade, sob a ótica sionista. Os grandes jornais em meu país, mesmo diante do covarde bombardeio de alvos civis em Gaza, que  produziu centenas de mortos, dedicava páginas inteiras para falar sobre “o clima de medo” em que vivem os moradores de Jerusalém diante da ameaça dos foguetes palestinos, ou como os hospitais israelenses também tratam dos feridos palestinos. Noutro dia, também numa página inteira, um grande jornal falava sobre o orgulho de brasileiros judeus que estavam prestando serviço militar no Exército de Israel.
Isso acontece porque as instituições brasileiras obedecem à agenda sionista, seja na política, onde existe um poderoso lobby no Congresso Nacional, seja na economia, dominada pelos bancos, instituições financeiras e conglomerados industriais de origem judaica, seja na imprensa, o que torna bastante difícil que o Governo brasileiro deixe de lado a simples retórica para assumir efetivamente, com ações práticas e objetivas, uma posição independente ou pró-Palestina, como afirma em seus discursos.”

 

Crianças feridas após bombardeio israelense em Gaza. O Brasil é cúmplice desta barbárie.

Crianças feridas após bombardeio israelense em Gaza. O Brasil é cúmplice desta barbárie.

Hoje, Gaza está novamente sob intenso ataque israelense, contabilizando milhares de mortos e feridos e a destruição de grande parte de sua já precária infra-estrutura. No mundo inteiro ecoam vozes de protesto e indignação diante da criminosa ofensiva sionista, que não tem poupado a vida de crianças, escolas e hospitais. E não é diferente no Brasil, onde nas redes sociais – livres da manipulação das mídias corporativas – os brasileiros expressam claramente sua condenação à Israel e sua solidariedade com o povo palestino.

E como estamos em um ano eleitoral, o Governo petista não perdeu tempo em produzir uma ação midiática para atrair a simpatia dos eleitores, emitindo uma nota oficial em que “considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina” e condena “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”. Como medida adicional, convocou seu embaixador em Israel para consultas em Brasília. Nos meios diplomáticos a convocação de um embaixador é uma excepcionalidade, usada por um governo quando quer expressar descontentamento diante de uma situação considerada de extrema gravidade. A reação das autoridades israelenses foi sarcástica. Através do porta-voz do Ministério do Exterior, Yigal Palmor, o Governo israelense classificou o Brasil como um “anão diplomático”, um “parceiro (…) irrelevante, aquele que cria problemas em vez de contribuir para soluções”. Apesar da indignação e do ego ferido, infelizmente os brasileiros devem reconhecer que a declaração do governo sionista reflete uma visão disseminada na comunidade internacional, de que o Brasil é diplomaticamente irrelevante. Nos últimos anos o Brasil – que pleiteando uma vaga no Conselho de Segurança – tem se esquivado de tomar posições nas questões mais polêmicas, prevalecendo o voto de abstenção. São muitos os exemplos: em 2011 o Brasil absteve-se na votação do Conselho de Segurança para tratar da intervenção militar na Líbia; em 2013 absteve-se na Assembléia Geral quando se discutia a questão da violação dos direitos humanos no Irã; e outra vez em relação à anexação da Criméia pela Rússia, em 2014. Ora, quando falamos em países diplomaticamente relevantes referimos-nos àquelas Nações capazes de influenciar o posicionamento diplomático de outras, assumindo uma postura de liderança diante de questões cruciais, sem receio de agradar ou desagradar este ou aquele governo. Com suas indecisões, ambiguidades e abstenções, o Brasil tem agido mesmo como um “anão diplomático”, anulando-se na esperança de não desagradar ninguém, e com isso o resultado é justamente o efeito inverso. Como preconizava Maquiavel (O Príncipe, capítulo 21): “É elevada a estima de um Príncipe que age como amigo ou inimigo declarado, não ficando em neutralidade quando dois de seus vizinhos poderosos estão em guerra“.

evo moralesEm 30 de julho o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou que seu governo decidiu exigir visto de entrada aos cidadãos israelenses, ao considerar esse país como um “Estado terrorista” por seus ataques em Gaza, assinalando que a decisão foi tomada por seu Conselho de Ministros porque “Israel não respeita os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos”. A Bolívia também deve estar entre aqueles que Israel considera “anões diplomáticos”, mas ao contrário do Brasil seu posicionamento em relação ao conflito árabe-palestino tem sido o de um gigante! Para quem não sabe, a Bolívia rompeu relações diplomáticas com Israel em 2009, em resposta à “Operação Chumbo Fundido”.

Resta saber se o Brasil seria capaz de seguir-lhe o exemplo, ou se vai continuar com sua política do “não sou nem a favor nem contra, muito pelo contrário“, uma política aliás que reflete bem a hipocrisia de seu Governo: critica Israel pelos crimes cometidos contra o povo palestino, mas não se constrange em manter com a entidade sionista vários acordos de cooperação militar, que entre outros objetivos buscam facilitar os negócios com empresas armamentistas israelenses, como a Elbit Systems, a Israel Aircraft Industries (IAI), a Israel Military Industries (IMI) e outras indústrias de equipamentos bélicos e de segurança nacional que há muitos anos têm contratos no Brasil e com o Ministério da Defesa. Eis que, na verdade, o desaforo israelense foi apenas o que um serviçal ouviria ao afrontar o seu mestre. E muito além da hipocrisia, existe algo muito pior: o Brasil é, de fato, cúmplice de Israel nos crimes cometidos contra o povo palestino!

Territórios palestinos são tratados como laboratório para indústria bélica de Israel

A indústria armamentista é um dos pilares da economia israelense, representando cerca de 20% do total de suas exportações, algo em torno de 7 bilhões de dólares (dados de 2013). A revista britânica Jane’s IHS, especializada em assuntos militares, aponta Israel como o sexto exportador de armas do mundo. Segundo Ehud Barak, que foi ministro da Defesa de 2007 a 2013, cerca de 150.000 famílias em Israel (quase 1 milhão dos 8 milhões de habitantes) se sustentam da indústria militar. Em 201poster-the-lab3 o diretor israelense Yotam Feldman lançou um polêmico documentário (The Lab) em que expõe, de forma clara e inequívoca, que “a prosperidade da economia israelense não ocorre apesar das guerras, mas sim, em grande parte, em decorrência das guerras“, e que, (…) “do ponto de vista econômico, as guerras não são uma carga, mas uma fonte de lucro.O que há de medonho nisso tudo é a constatação de os territórios palestinos são tidos como “campos de teste” para a indústria militar de Israel. A cada a operação militar novas armas são testadas, gerando um aumento direto das vendas no mercado internacional. – “De certa forma, toda a sociedade israelense sai ganhando com a exportação militar, que, por sua vez, ganha credibilidade com os ‘testes’ realizados nas guerras“, afirma Feldman, que também menciona o fato de muitos dos fundos de pensão no país investirem nas ações sólidas de empresas militares.

Um dos personagens principais do documentário, o general Yoav Galant, aponta o que chama de “hipocrisia” da comunidade internacional – “Eles denunciam as operações militares de Israel, mas depois todos vêm aqui comprar nossas armas, afirma Galant, que foi chefe do Comando Sul do Exército de Israel e um dos principais planejadores da chamada Operação Chumbo Fundido, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos na Faixa de Gaza. Depois dessa ofensiva, que começou em dezembro de 2008 e terminou em janeiro de 2009, as exportações de armas israelenses para dezenas de países aumentaram em 2 bilhões de dólares, e desde 2008 o volume de negócios do país no setor armamentista aumentou em 74% . Em outro trecho do filme, o ex-ministro da Defesa Binyamin Ben Eliezer afirma que outros países “gostam de comprar armas que já foram testadas”.

E um dos maiores importadores da indústria militar israelense é o Brasil. Com base nos dados de exportação de armas israelenses de 2005 – 2010, o Brasil é o quinto maior importador de armas israelenses. Vários programas de grande porte assinados entre Israel e Brasil já valem cerca de um bilhão de dólares. É dessa forma que o Brasil, apesar do discurso pró-palestina, continua financiando as ações criminosas da entidade sionista.

A hipocrisia criminosa do anão tupiniquim

Embora as “relações de amizade” com Israel remontem à época de sua criação, em Assembléia Geral das Nações Unidas presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha (1947), foi somente nos governos petistas que se aprofundaram os laços de cooperação econômica e militar com a entidade sionista.

“Durante o regime militar no Brasil, as relações políticas entre os dois países foram limitadas (…) Nos últimos anos as relações políticas se fortificaram com uma série de visitas ministeriais e comerciais de ambos os lados, como a visita à Israel do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,  o Ministro da Educação, Fernando Haddad, o Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ex-Ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Já o Brasil foi visitado por Ehud Olmert, na época Ministro da Indústria, e pelos Ministros de Segurança Pública, Educação e Agricultura de Israel, entre outras importantes missões. Em 2009 veio ao Brasil, pela primeira vez em mais de 20 anos, o Ministro das Relações Exteriores e Vice-Primeiro-Ministro, Avigdor Liberman. Essas trocas de visita trouxeram uma série de acordos bilaterais importantes nos campos da educação, agricultura, cooperação na área de saúde, pesquisa científica industrial e aduaneira. (…) O Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul, assinado em 2007, constituiu Israel como primeiro parceiro extra-regional a firmar este tipo de acordo com o bloco”.
Há vinte anos atrás, só haviam 5 empresas israelenses com representação no Brasil, hoje há cerca de 150 empresas israelenses no país. Este alto número de empresas israelenses que já se estabeleceram no Brasil mostra o grande aumento do interesse de Israel no mercado brasileiro. A maioria dessas 150 empresas israelenses localizadas no Brasil é de alta tecnologia em diversas áreas como: Agrotecnologia (42 empresas), Telecomunicações e TI (42 empresas), Produtos e Tecnologias de Segurança (24 empresas), Equipamentos Médicos (17 empresas) além de empresas em outras áreas como Equipamentos Elétricos, Aviação e Veículos Aeroespaciais, Energia e outras. Algumas dessas empresas de Israel que já operam no Brasil são bem conhecidas e estabeleceram excelentes contatos de cooperação com a indústria brasileira enquanto investem no mercado local.  (in http://embassies.gov.il/brasilia/Relations/Pages/Brasil%20e%20Israel.aspx,  Embaixada de Israel no Brasil)
 

Já em 2003, primeiro ano do primeiro mandato de Lula, o Brasil estabeleceu um escritório das Forças Armadas em Tel Aviv. Nos anos seguintes inúmeros contratos de fornecimento foram fechados com empresas armamentistas israelenses, como a Elbit Systems Ltd. (aviônicos e sistemas EW de guerra eletrônica para o programa de atualização do jato AMX para a Força Aérea Brasileira – contratos de 2007 e 2008 – e torres de veículos armados não tripulados para o Exército Brasileiro, em 2009), a IAI – Israel Aerospace Industries (fornecimento de sistemas de radar e revisão de motores das aeronaves de combate Douglas A-4 da Marinha brasileira e UAV’s Heron – drones – para a Polícia Federal), a IMI – Israel Military Industries (joint venture com a Taurus para fabricação do rifle de assalto Tavor TAR-21, para ser fornecido ao Exército Brasileiro), a Rafael Advanced Defense Systems Ltd (fornecimento de mísseis ar-ar Derby para a Força Aérea Brasileira, em 2006) e outras.

israel_exports_oppression_by_latuff2_60pcEm 2010 – primeiro ano do Governo Dilma – o Brasil firmou um Acordo de Cooperação de Segurança com Israel, e se você não sabia disso é porque não houve nenhum tipo de discussão pública sobre o assunto. A informação foi revelada em artigo do  jornal israelense “Maariv” (http://coteret.com/2010/12/02/maariv-%E2%80%9Cexclusive%E2%80%9D-israel-and-brazil-sign-majorsecurity-cooperation-agreement/), segundo o qual “Um mercado avaliado em bilhões de dólares se abriu para as indústrias de defesa (do Israel), após um primeiro acordo desse tipo ser assinado para a cooperação entre Brasil e Israel”. Ainda segundo a reportagem, “(…) existem várias ofertas gigantes entre a Israel Aerospace Industries (IAI), Elbit e Rafael com o Brasil. (…) e as indústrias de defesa vão fazer um grande esforço para entrar no mercado brasileiro na sequência do acordo.

Não é surpresa portanto que a assinatura deste acordo tenha sido seguida por uma série de aquisições de empresas brasileiras por empresas israelenses e contratos com Israel. A cumplicidade entre Brasil e Israel foi ampliada em agosto de 2012 com a assinatura de um edital de cooperação para o financiamento de projetos para o desenvolvimento em conjunto de novas tecnologias nas áreas de TICs (tecnologias da informação e comunicação), ciências da vida (biotecnologia, equipamentos médicos e fármacos) e defesa (militar e civil), com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da Finep e do Matimop, a agência de desenvolvimento de inovação de Israel. (http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=1&noticia=11711) A hipocrisia do Governo Brasileiro já levou a ONG palestina Stop the Wall e a campanha civil internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS) a pedir formalmente que o Brasil suspenda a “ampla cooperação militar de suas empresas com o Estado judaico”. Segundo relatório divulgado por essas organizações, o Governo “viola as obrigações legais e os interesses políticos do Brasil“, porque beneficia empresas armamentistas que “colaboram na ocupação ilegal dos territórios palestinos e fornecem armas que são usadas em assassinatos“. No texto, as ONGs denunciam a assinatura do acordo de cooperação em matéria de segurança entre os dois países em 2010 e o estabelecimento de um escritório das Forças Armadas do Brasil em Tel Aviv em 2003, bem como a mediação de autoridades brasileiras em contatos entre empresas israelenses e Exércitos de outros países latino-americanos, afirmando que a “colaboração com a indústria militar israelense contradiz o apoio do Governo brasileiro à criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967”. Por esses motivos, o relatório finaliza pedindo ao Governo Brasileiro para “não ratificar e cancelar o acordo de cooperação (militar) com Israel, fechar o escritório das Forças Armadas brasileiras em Israel e modificar as regulações de fornecimento do Exército para excluir dos contratos às empresas que violam a legislação internacional” proibindo-as de se estabeleceram no país. Uma visão bastante lúcida sobre a incoerência do Governo Brasileiro encontramos no artigo “A Palestina e a “responsabilidade ao proteger” do Brasil de Maren Mantovani, mestrada em Estudos Orientais, coordenadora de relações internacionais para o “Stop the Wall”, cujo trechos transcrevemos abaixo:

(…) “Não adentro na – legítima – questão sobre se deve ou não ser uma prioridade para o desenvolvimento da economia brasileira o foco na indústria militar. Questiono simplesmente as consequências políticas, éticas, legais e possivelmente econômicas das políticas atualmente implementadas, as quais revelam um Brasil focado em fortalecer sua indústria militar baseado em tão estreita relação com Israel”.
“Elbit, por exemplo, está produzindo as armas que permitem a Israel continuar guerras e cometer crimes de guerra, lucrando com isso”
(…) “A concessão de tal relação especial a uma empresa diretamente envolvida em crimes de guerra, incluindo a construção do muro e assentamentos, constitui, no mínimo, uma patente contradição com a política externa brasileira, que possui a supremacia dos direitos humanos nas relações internacionais preservada em sua Constituição”.
(…) “Em seu discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU em setembro, a presidente Dilma Rousseff afirmou que “O Brasil sempre lutará para que prevaleçam as decisões emanadas da ONU. Mas queremos ações legítimas, fundadas na legalidade internacional. Com esse espírito, senhor presidente, defendi a necessidade da “responsabilidade ao proteger” como complemento necessário da “responsabilidade de proteger”.” Esse chamado para se decretar a “responsabilidade ao proteger” consequentemente deveria implicar também a responsabilidade de não financiar violações de direitos humanos enquanto se desenvolvem a própria defesa e capacidades militares do Brasil”.
(…)  As relações com a Elbit e o resto do complexo militar-industrial israelense não apenas financiam a viabilidade do muro, assentamentos e guerras israelenses: é um passo a mais em direção à dependência da indústria militar do Brasil em relação a Israel, (…)
(…) Muito frequentemente a implicação política, ética, legal e econômica discutida acima das relações militares e despesas são contestadas com argumentos de “segurança nacional”, que visam silenciar todas as outras considerações frente a essa necessidade superior. Ironicamente, Israel é o melhor exemplo de que a “segurança” não pode ser atingida militarmente. Em qualquer caso, deveria ser crucial que a sociedade civil seja informada e questione os argumentos de “segurança nacional” produzidos pelos militares antes de aceitar que a renda de seus próprios impostos seja aplicada em tais tipos de contrato.
(…) Qualquer decisão que o Brasil tome em relação a suas estratégias de defesa, combinando a posição que causa orgulho do Brasil em favor da autodeterminação palestina nas Nações Unidas com a cumplicidade com essas empresas que fazem a criação de Estado palestina impossível não é criar “equilíbrio”, mas sim expor incoerência.
 

O Brasil é signatário dos principais instrumentos do Direito Internacional, incluindo a IV Convenção de Genebra. Sob a lei de responsabilidade estatal, todos os estados e as organizações inter-estatais estão sob a obrigação legal de “não reconhecer e prestar ajuda ou assistência para manter uma situação ilegal, e que cooperem, a fim de acabar com atos internacionalmente ilícitos”. A ilicitude do comportamento israelense em relação à Palestina foi asseverada pelo Tribunal Internacional de Justiça (parecer sobre o muro de 2004) e pela Missão de averiguação da ONU no conflito em Gaza (2009; Relatório Goldstone), e suas recomendações foram aprovadas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e da Assembléia Geral. Muitos dos militares e das indústrias armamentistas israelenses estão diretamente envolvidos em violações do Direito Internacional e crimes de guerra, como a construção do “Muro do Apartheid”, a construção e manutenção dos assentamentos e o fornecimento de armas conscientes de que são usadas para crimes de guerra. Afinal, de que lado o Brasil está? Está claro que os governos estrangeiros – entre eles o Brasil – que adquirem armas israelenses estão garantindo que sua indústria armamentista possa continuar produzindo armas cada vez mais sofisticadas para reprimir e matar os palestinos. Uma decisão deverá ser tomada entre continuar a negociar com Israel ou se colocar ao lado do povo Palestino. Será que o governo anão do PT terá coragem de fazer esta escolha?

Post Scriptum – Pouco antes de finalizar este artigo, chegaram-me informações de que o Reino Unido – tradicional aliado de Israel – tomou a decisão de revisar todas as licenças de exportação de armas e outros equipamentos de defesa para Israel. Também a Espanha anunciou que vai “paralisar cautelarmente” as vendas de material militar.

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