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A Revolução Bolivariana acabou! Luta agora é pela reconciliação nacional, para que se possa preservar o legado do Comandante Chávez


VENEZUELA-POLITICS-OPPOSITION-LOPEZ-SURRENDER

Uma Revolução, como se sabe, não é um momento estático no curso da História, mas um processo, que implica não apenas na mobilização das massas e numa mudança de regime, como também, que resulte em significativas e duradouras transformações sociais, econômicas e culturais.

Para conduzir uma Revolução, é preciso muito mais que retórica, uma ideologia ou o sentimento de solidariedade de um povo. Uma Revolução precisa de um líder, carismático, inteligente e competente, que seja capaz de fazer convergir num único objetivo as mais variadas demandas, aspirações, vontades e sonhos, de cada pessoa que o segue e empunha a sua bandeira.

Uma Revolução precisa de resultados, porque não se vive apenas de sonhos. Os que carregam as bandeiras precisam viver, precisam comer, precisam trabalhar, precisam ter onde morar, precisam de segurança institucional, e por piores que sejam os sacrifícios, precisam ter uma perspectiva real de que o futuro próximo vai trazer-lhes ou aos seus filhos, tudo aquilo que renunciaram para fazer a Revolução.

Uma Revolução deve unir o povo, não dividi-lo, porque se isso ocorre, a Revolução só se faz com o uso da força e das armas, ao custo de vidas e da unidade nacional, e ao final, não é uma Revolução para todos, mas somente para alguns.

A História da Venezuela até a Revolução Bolivariana de Chávez é a história de um país dominado por suas elites políticas e econômicas, que exerciam o poder através de ditadores ou de governantes que institucionalizaram a corrupção como forma de governo. O resultado disso foi que, apesar de possuir a maior reserva de petróleo do mundo – que vendiam aos EUA a US$ 9 o barril com imposto de 1% – a economia venezuelana sempre esteve à beira de um colapso, com congelamento de salários, taxas inflacionárias de 100%/ano e incapaz de promover uma distribuição justa e equitativa da riqueza proveniente do petróleo, o que condenava mais de 60% da população a viver em situação de pobreza extrema.

O que o Comandante Hugo Chávez fez foi quebrar o perverso ciclo de exploração e miséria, e nisso reside o caráter revolucionário de seu trabalho. Ele pôs a pobreza no centro da agenda e do debate do país e deu visibilidade e consciência aos pobres e excluídos. Ao longo dos 14 anos em que conduziu o Estado venezuelano, Chavéz refundou seu país, o emancipou, redistribuiu a renda petroleira, erradicou o analfabetismo, reduziu a pobreza, elevou os índices da saúde, aumentou o salário mínimo e fez a economia crescer (Para ler sobre as transformações na Venezuela de Chávez acesse o link). E fez tudo isso através da mobilização das organizações sociais, que impulsionaram e sustentaram o processo revolucionário. Esse o instrumento mais significativo do bolivarianismo, que transformou a participação política – antes mera formalidade eleitoral – numa realidade vibrante.

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Infelizmente, Chávez não teve tempo de preparar um sucessor. Não esperava pela doença (provavelmente um atentado contra sua vida), e acreditava que dela iria se recuperar. Então, sabiamente, indicou prematuramente um sucessor (Nicolás Maduro), não por suas qualidades de gestor ou liderança, mas apenas para que no seio do chavismo não se criasse um conflito entre os muitos pseudo-líderes, alguns até de lealdade duvidosa, na hipótese de sua morte ou afastamento definitivo. Chávez desejava unicamente preservar a Revolução.

Uma Revolução que, entretanto, já começava a dar sinais de cansaço. Desde a eleição de 2006 até a de 2012, quando o Comandante foi eleito para um terceiro mandato, a oposição foi ganhando espaço, obtendo quase 2,3 milhões de novos votos. Durante esses seis anos, a margem de vantagem de Chávez caiu mais de 15 pontos percentuais. E sem ele, essa tendência se aprofundou, quando Maduro não se mostrou à altura para conduzir a o processo revolucionário. Sem poder contar com uma conjuntura econômica mundial favorável – os preços do petróleo começaram a cair – Maduro não teve competência para reorganizar a economia venezuelana. Tanto a dívida externa como a interna continuaram crescendo, chegando ao equivalente a 70% do PIB. As exportações caíram, enquanto as importações – inclusive de gasolina – aumentaram de US$ 13 bilhões para mais de US$ 50 bilhões de dólares anuais. Com tudo isso, vieram o desabastecimento e a falta de investimentos em infra-estrutura.

E ora, não se pode governar através de “mensagens do além” transmitidas através de passarinhos azuis. Não se pode manter um povo pacificado e coeso quando faltam itens básicos – como papel higiênico – nas prateleiras dos supermercados, ou quando o país enfrenta sucessivos apagões, resultado de um sistema elétrico colapsado por falta de investimentos e competência técnica. Estes foram o estopim para o início dos protestos, que reprimidos violentamente, colocaram em xeque o caráter popular e democrático da Revolução Bolivariana.

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A Revolução acabou! Acabou por falta de uma liderança competente, capaz de tomar as medidas necessárias para estabilizar a economia e reconduzir o país ao diálogo. Diante do desabastecimento, da grave crise econômica, e dos reclamos de boa parte da população, Nicolás Maduro optou pelo enfrentamento e pelo delírio, querendo se apresentar como um intermediário mediúnico entre Chavez e o seu povo.

A Revolução acabou, e para manter parte do legado deixado por Chavez, o melhor caminho agora é a reconciliação nacional. O confronto e o enfrentamento somente fará dividir a sociedade venezuelana, semeando ódio e desconfiança mútua entre governistas e a oposição, o que fará com que tudo aquilo que o Comandante construiu seja destruído. Mas se o chavismo tiver maturidade suficiente para tomar a dianteira e conduzir um processo de negociação com a oposição, muitas dessas conquistas serão mantidas na ordem constitucional que deve ser criada após a convocação de novas eleições. Esse é o caminho inteligente, o caminho democrático e o caminho que garantirá a permanência do legado do Comandante Chavez. Mas é preciso pressa, porque a oposição já entendeu que aquele que assumir a frente do processo de reconciliação nacional ditará as cartas no futuro…. (Leia a íntegra da carta escrita por Henrique Caprilles ao povo venezuelano)

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