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Combate ao terrorismo, Oriente Médio, Síria

Conflito na Síria. Rebeldes combatem rebeldes. Vitórias do Exército Árabe da Síria. Aumenta o apoio interno e externo ao presidente Bashar al-Assad. Fim do conflito pode estar próximo.


Situada na margem norte do Rio Eufrates, a cidade de Raqqah foi a única capital de província a ficar sob controle dos rebeldes desde o início dos conflitos na Síria, que a tomaram em março de 2013, após intensos combates contra as forças governamentais.  Na ocasião, combatentes do Exército Livre da Síria lutaram lado a lado com os terroristas da Frente Al-Nusra e do Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), ambos ligados à Al Qaeda.

Bandeiras do Estado Islâmico do Iraque e da Síria são pendurados para substituir cruzes sobre a Igreja dos Mártires em ar-Raqqah (Reuters)

Bandeiras do Estado Islâmico do Iraque e da Síria são pendurados para substituir cruzes sobre a Igreja dos Mártires em Raqqah (Reuters)

Cerca de dois meses depois, os militantes da Al-Qaeda acabaram por tomar o controle da cidade e de áreas vizinhas, expulsando outros grupos rebeldes e impondo a sharia (lei islâmica) aos habitantes da região, proibindo a venda de álcool, fechando cafés, teatros, cinemas e escolas, além de forçarem as mulheres a usarem o vestido islâmico, impondo suas regras através de sequestros, prisões, espancamentos e assassinatos. Entre maio e novembro de 2013 milhares de sírios fugiram da província de Raqqah, a maioria dos quais em direção à Turquia, num movimento que a imprensa ocidental maquiavelicamente atribuiu à ação das forças governamentais.

O que aconteceu em Raqqah tem se repetido em outras áreas controladas pelas forças de oposição. O Estado Islâmico do Iraque e da Síria é formado predominantemente por jihadistas estrangeiros de países árabes – particularmente do Iraque, mas também da Líbia, Tunísia e Arábia Saudita – do norte do Cáucaso, da Rússia e da Europa – e tem sido fortemente apoiado pelos EUA e pelas Monarquias do Golfo, recebendo recursos que as tornaram as forças de combate mais poderosas e eficazes entre os grupos da oposição, responsáveis ​​por muitas das eventuais vitórias rebeldes nos dois últimos anos do conflito.

Recentemente, o ISIS tem feito avanços territoriais significativos, em grande parte à custa dos remanescentes do Exército Livre da Síria, de quem tem tomado áreas pela força, e recrutando combatentes entre suas fileiras, passando a dominar uma ampla faixa do noroeste da Síria, próximo à fronteira com a Turquia, que se estende desde Raqqah a cidades-chave nas províncias de Aleppo e Idlib, além de todo o caminho até o posto avançado de Salma, na província de Latakia.

al qaedaA situação é tão confusa entre os rebeldes que novas alianças vem sendo formadas para travar uma “guerra dentro da guerra”, como foi anunciado no início de janeiro pelo grupo “Exército dos Mujahedines”, formado por oito grupos armados que declararam guerra à Al Qaeda. Em Raqqah, cidade do qual falamos no início deste artigo, o quartel-general do ISIS foi cercado por combatentes do “Exército dos Mujahedines”, da Frente Al-Nusra e da Frente dos Revolucionários da Síria, que exigem a dissolução do grupo ligado à Al-Qaeda.

“Nós, o Exéricito dos Mujahedines, prometemos nos defender e defender nossa honra, nossos bens e nossas terras e lutar contra o ISIS, que infringiu as normas divinas, até que anuncie sua dissolução”, anunciou a aliança de oito grupos armados em um comunicado publicado no Facebook.

Combates violentos entre as forças do ISIS e vários grupos armados de oposição, que causaram centenas de mortes em ambos os lados, também irromperam na região de Harem, na província setentrional de Idleb, na cidade de Manbij na província de Aleppo, na cidade de Tabqa no norte da província de Raqqah e em Hama. Também foram registrados choques entre rebeldes na cidade de Tal Rafat, na província de Aleppo.

Em comunicado oficial, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria deu um ultimato aos demais grupos rebeldes, para que levantassem as restrições contra os seus membros e suspendessem as agressões, ou a al-Qaeda se retiraria de todas as linhas nos confrontos com as forças leais ao Governo de Damasco na província de Aleppo, fato que determinaria a imediata vitória do Exército Sírio e a conquista total da capital da província. A resposta seguiu no mesmo tom ameaçador: “Lutamos contra quem nos ataca e quem nos empurra para a batalha, sejam eles sírios ou estrangeiros“, disse a Frente Islâmica, uma aliança que reúne dezenas de milhares de combatentes, em sua maioria extremistas, formada para combater o ISIS.

O conflito entre os grupos rebeldes agrava o quadro geral da insurgência na Síria, que já vinha amargando severas perdas diante do avanço das forças governamentais, que desde junho de 2013 vem obtendo significativas vitórias no conflito, e recuperando áreas de vital importância estratégica, capazes de abreviar o pesadelo desta guerra civil que há mais de dois anos vem devastando o país árabe.

Em junho, depois de uma ofensiva de três semanas, o Exército Sírio, apoiado por combatentes do Hezbollah, retomou o controle da estratégica cidade de Qusseir, perto da fronteira com o Líbano. Situada entre a capital Damasco e o Mar Mediterrâneo, a pequena cidade funcionava como ponto de passagem de armas e combatentes que vinham do Líbano. Na operação, denominada “Flautista de Hammelin”, foram mortos cerca de 930 terroristas e capturados mais de 300, de diversas nacionalidades. Durante o assalto final, cerca de 800 rebeldes que ainda resistiam se renderam de forma massiva às forças de segurança.

Rebeldes se rendendo ao EAS

Esta é uma imagem que circulou pelas páginas da oposição, mostrando um grupo de homens armados da facção “Al-Moadamiet Al-Sham” em seu caminho para se render ao Exército Sírio, dentro dos termos do acordo com o governo para acabar com o conflito na região.

Em setembro, Ariha, uma importante cidade no província de Idlib, no noroeste da Síria também foi recuperada pelo Exército Sírio. Em outubro as forças governamentais recuperaram as localidades ao longo da estrada que liga a cidade de Hama a Aleppo, quebrando assim o cerco que a cidade vinha sofrendo em sua frente sul. No total foram 40 cidades e vilarejos reintegrados à segurança do Exército Sírio, entre as quais as cidades al-Khanassir, principal reduto do terroristas, Salamiya e al-Soufaira, com grandes baixas entre os rebeldes. Ainda em outubro, o Exército Sírio reforçou o cerco às cidades no entorno de Duma, praticamente o último foco terrorista no portal norte da Capital. As cidades de Al Zyabeyah, Al Hussainya, Al Bouwaidah e Beit Sahm foram recuperadas, e nesta última houve a rendição de vários grupos, que abandonaram as armas e se entregaram ao Exército dentro de uma chamada feita pelo Ministério de Reconciliação Nacional e líderes locais, mostrados em imagens pela TV Síria. No campo palestino de Yarmouk, forças palestinas travaram fortes combates contra grupos armados ligados à Frente Al Nusra.

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Em novembro, tropas leias a Assad recuperaram a região de Sbina, fechando o cerco nesta região e cortando o apoio aos grupos rebeldes que atuavam no campo de refugiados palestinos de Yarmouk, expulsando-os para a região de  Hajar Al Assouad. Enquanto isso, em Hasakah, no extremo nordeste, milícias curdas ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que lutou contra o governo da vizinha Turquia por décadas, tomaram Yarabiya, a principal passagem de fronteira para o Iraque do norte da Síria, que estava sob controle de uma coalizão rebelde formada por combatentes do ISIS, bem como da Frente al- Nusra e do Ahrar al-Sham.Segundo fontes rebeldes, forças terrestres iraquianas estariam participando dos combates em coordenação com as milícias curdas. A mesma fonte acusou o governo de Bagdá de facilitar a transferência para a Síria de combatentes iraquianos xiitas, que estariam lutando ao lado do presidente da Síria, Bashar al- Assad, o que foi enfaticamente negado pelo Governo iraquiano. Entretanto, autoridades iraquianas admitiram que “alguns combatentes curdos feridos foram evacuados em Humvees do Exército iraquiano e levados para áreas sob o controle de combatentes curdos iraquianos na fronteira com o Iraque“.

Por toda região cresce o apoio ao presidente Bashar al-Assad. Além do Hezbollah, que desde junho do ano passado combate ao lado das forças governamentais, e da maioria curda no nordeste da Síria, nesta semana a Frente Árabe Democrática Nasserista e outros movimentos nacionalistas do Egito anunciaram sua disponibilidade para se juntar ao exército sírio na luta contra os militantes estrangeiros.

Fontes no Egito dizem que os movimentos nacionalistas já perceberam que o que está acontecendo na Síria é um complô do Ocidente, que está usando grupos extremistas contra o país árabe. Eles dizem que milhares de egípcios de diferentes grupos políticos e da Guarda Nacional egípcia estão prontos para frustrar esta conspiração e se juntar ao exército sírio para ajudar o presidente Bashar al-Assad.

O fiel da balança começa a pesar definitivamente a favor do povo sírio e do presidente Bashar al-Assad. A vitória agora é só uma questão de tempo…

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