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Arábia Saudita, Combate ao terrorismo, Extremismo Islâmico, Irã, Oriente Médio, Síria

Violência explode no Líbano e no Iraque, seguindo o rastro do fortalecimento da Al Qaeda, financiada pelos EUA e pelas monarquias do Golfo.


Após onda de atentados, rebeldes ligados à Al-Qaeda controlam duas cidades no Iraque

Terroristas do Exército Islâmico do Iraque e do Levante comemoram a tomada de Fallujah.

Terroristas do Exército Islâmico do Iraque e do Levante comemoram a tomada de Fallujah.

Rebeldes ligados à Al-Qaeda assumiram no último sábado (04/01) o controle das cidades de Fallujah e Ramadi após violentos combates contra as forças do governo iraquiano, dirigido pelo primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki. As cidades, de maioria sunita, estão localizadas a oeste de Bagdá, e foram redutos da insurgência que ocorreu após a invasão americana do Iraque em 2003.

Os relatos são confusos. Segundo alguns, Fallujah está totalmente nas mãos dos terroristas desde sexta-feira. Militares e polícias abandonaram os seus postos, os extremistas nomearam um governador para a cidade e içaram a bandeira negra da Al-Qaeda em vários edifícios governamentais, declarando Fallujah um Estado islâmico. Em Ramadi, capital da província, os rebeldes conquistaram vastas zonas da cidade na quinta-feira, mas as forças do Governo teriam entretanto recuperado algumas partes.

Testemunhas relataram que dezenas de carros transportando homens armados evocando o Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), grupo ligado à Al-Qaeda, foram vistos chegando a região, e estabeleceram postos de controle no centro e na zona sul de Fallujah. Segundo outras testemunhas, “… metade de Fallujah está nas mãos do Estado Islâmico do Iraque e Levante e outra metade nas mãos de homens armados tribais leais ao governo” assim como ocorre em Ramadi. Na sexta-feira (03/01) e durante todo fim de semana, os combates se intensificaram, e segundo afirmações do ministério do Interior iraquiano as forças de segurança e membros das tribos aliadas mataram 62 militantes da Al Qaeda em confrontos na região de Al-Anbar, onde também morreram 32 civis, sem entretanto mencionar as baixas entre as forças governamentais.

Apesar de os confrontos entre o Exército e grupos armados terem começado no dia primeiro de janeiro, após o desmantelamento pelas forças oficiais de um campo de opositores sunitas em Ramadi, as ações dos grupos ligados à Al Qaeda já vinham se intensificando desde meados do mês de dezembro: em 23/12 cinco jornalistas morreram em decorrência de um atentado suicida perpetrado por quatro terroristas que atacaram a sede da rede de televisão Salahedin, em Tikrit, ao norte de Bagdá; no dia 25/12 um atentado com carro-bomba perto de uma igreja de Bagdá deixou 14 mortos e ofuscou a celebração do Natal dos cristãos do país. A explosão ocorreu no bairro de Dura, no sul da capital, e também deixou 30 feridos; no dia 29/12 morreram um general e outros três oficiais do exército iraquiano, quando um carro-bomba explodiu junto a um comboio militar que circulava por Mossul, a principal cidade do norte do Iraque. O ataque deixou ainda dez feridos, incluindo seis militares. Ainda em Mossul, mais um carro-bomba explodiu junto a um posto de controle do Exército matando outros quatro militares;  dia 02/01 treze pessoas foram mortas nas proximidades da cidade de Baquba, situada a 60 km a nordeste de Bagdá; na mesma semana, em Abu Ghraib, que se tornou célebre pelos episódios de violação dos direitos humanos pelas tropas norte-americanas durante a invasão do Iraque, quatro membros da “Sahwa” – a milícia que combate a rede Al-Qaeda – morreram em um ataque de insurgentes sunitas. Atentados a bomba também aconteceram no bairro de Yihad, em Bagdá, deixando dois mortos e seis feridos e novamente em Baquba, matando uma pessoa e ferindo outras quatro. Além dos episódios de violência, um importante oleoduto foi bombardeado no norte do Iraque, provocando a interrupção da distribuição de petróleo bruto para a Turquia.

Segundo a ONG Iraq Body Count, que contabiliza as vítimas civis da violência desde a invasão americana que derrubou o presidente Saddam Hussein, o ano de 2013 foi o mais sangrento em cinco anos, com 9.475 civis mortos.

É curioso observar que a imprensa ocidental apresente o aumento da violência no Iraque e no Líbano como consequência da Guerra Civil na Síria, tentando atribuir a culpa pela desestabilização da região ao presidente Bashar al Assad, quando a verdade é que tanto no Iraque como na Síria e no Líbano a explosão de violência se deve ao crescente fortalecimento da Al Qaeda, que vem recebendo forte apoio – financeiro, logístico, político e material – das agências de inteligência dos EUA e das monarquias do Golfo (veja mais sobre as conexões da Al Qaeda com os EUA). Assim como vem ocorrendo na Síria, na Somália, no Sudão e na República Centro Africana, e assim como ocorreu na Líbia e mais recentemente no Mali, os grupos ligados à Al Qaeda não tem compromissos com a formação ou manutenção de governos constitucionais e democráticos, e seu objetivo é criação de califados governados pela sharia (a lei islâmica), que interpretada de forma extremista e radical, legitima as ações violentas e o terrorismo como meio para alcança-lo. E ainda que possa parecer paradoxal, todo esse extremismo tem sido estimulado e suportado pelos EUA e seus aliados, seja para justificar o intervencionismo yankee no mundo islâmico em prol de uma “guerra global contra o terrorismo”, seja por motivos políticos e econômicos.

Interessante lembrar que os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e Levante (leia-se Al Qaeda) foram os mesmos que combateram ao lado dos americanos para derrubar Saddam Hussein – um sunita como eles – e mais tarde liderou a insurgência iraquiana contra a ocupação americana, sendo acusados por diversas atrocidades, como sequestros, assassinato de civis e torturas. São estes também que constituem hoje a espinha dorsal dos grupos que tentam derrubar Bashar al-Assad na Síria e vem cometendo atos terroristas no Líbano, como o que vitimou a jovem brasileira Malak Zahwe na sexta-feira passada (03/01), quando um carro-bomba explodiu em um reduto do Hezbollah em Beirute.

Apesar da afirmação do secretário de Estado americano, John Kerry, de que os Estados Unidos não enviarão tropas ao Iraque, uma vez que “esta é uma luta que pertence aos iraquianos“, a verdade é que toda esta instabilidade na região é resultado das ações da inteligência yankee para alcançar os objetivos geopolíticos dos EUA no Oriente Médio, acirrando a rivalidade e a intolerância entre as lideranças da Arábia Saudita e seus aliados sunitas de um lado, e o Irã, xiita como o Iraque de al-Maliki, a Síria de Assad e o Líbano sob controle do Hezbollah, de outro.

Ao prometer que “os Estados Unidos vão fornecer suporte ao governo do Iraque e às tribos que lutam contra militantes ligados à rede terrorista Al Qaeda na província de Anbar“, John Kerry apenas reafirmou a estratégia dos EUA após as derrotas militares no Iraque e no Afeganistão: fornecer armas, equipamentos, apoio logístico e financeiro às partes dos conflitos regionais, e deixar que terroristas e extremistas façam o “trabalho sujo” de combater e derrubar os governos e líderes que o Tio Sam considera contrários aos seus interesses. No caso do Iraque, Kerry sabe que as armas que irá fornecer a um governo fraco, corrupto e sem apoio das lideranças tribais logo estarão nas mãos de extremistas.

Não existe uma guerra entre sunitas e xiitas. O que existe é a sórdida e traiçoeira tentação do “Grande Satã”, que sussurra aos ouvidos dos mais fracos, que manipula os pecadores, envolvendo suas mentes na mais completa escuridão, para que muçulmanos matem muçulmanos, enfraquecendo a unidade do Islã e fortalecendo a presença e a dominação dos infiéis no mundo islâmico. Que Deus, o Clemente, o Misericordioso, nos dê a clarividência e a sabedoria para nos livrarmos das armadilhas, das mentiras e das iniquidades que nos tentam impor o Grande Satã e seus aliados.

Salaam Aleikum! Que a paz esteja sobre todos nós em 2014!

Smalla’Alik! Que Deus nos proteja de todo mal!

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