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Isso é o Brasil

Fim de festa para os farsantes. A derrocada de Eike Batista expõe os erros do modelo “nacional-desenvolvimentista” dos governos petistas, que usou dinheiro público para financiar empreendimentos privados que resultaram em retumbantes fracassos.


EB e DR

Em abril de 2012, em solenidade de início da extração de petróleo pela OGX, a presidente Dilma afirmou: “Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado.”

Até alguns anos atrás, o Sr. Eike Batista era apenas o marido da sex-simbol  Luma de Oliveira, playboy milionário que enriqueceu comprando ouro nos garimpos poluidores da amazônia a preço de banana e revendendo-o nos grandes centros do país, a preço de mercado.  Apenas mais um atravessador oportunista que ganhou (muito) dinheiro às custas da degradação ambiental e das condições sub-humanas dos trabalhadores do garimpo.

Mas Eike era também filho de Eliezer Batista da Silva, ex-Ministro de Minas e Energia, ex-chefe da Inteligência Federal e ex-presidente da então estatal Companhia Vale do Rio Doce, com a notória atribuição de localizar onde haviam minerais prospectáveis no Brasil, trabalho que resultou num detalhado mapa do subsolo brasileiro, que muitos acreditam ter servido de “guia” aos futuros investimentos de mineração de seu rebento (Veja, 18/6/2008). Porém, mais do que informações privilegiadas, o legado de Eliezer manifestaria-se no trânsito junto à classe política e aos políticos que se instalariam no poder a partir do final de 2002.

Neste ano, chegaria à Presidência da República o mais oportunista, aproveitador e embusteiro dos políticos brasileiros, o Sr. Luis Inácio Lula da Silva, que com sua quadrilha de “marketeiros” e mensaleiros começou a por em prática seu “projeto de poder”, que tinha como instrumentos fundamentais o aparelhamento do Estado – que passaria antes a servir os interesses do PT e dos “amigos do Lula” – a corrupção e os gastos bilionários com uma massiva propaganda para enaltecer as “conquistas inéditas” do governo petista. Era preciso fazer com que o povo acreditasse que tudo ia bem e que o Brasil estaria sendo alavancado a um novo patamar de desenvolvimento e bem-estar social… a lenga-lenga do  “nunca antes na história deste país”.

Iniciando seu governo num período em que a economia mundial estava em expansão, com os preços das commodities exportadas subindo sem parar e os preços das importações brasileiras em baixa, Lula encontrou um cenário mundial extremamente favorável para seus delírios etílicos de grandeza. E é aqui que a história de Eike Batista e dos governos do PT se encontram, para não mais se dissociar.

Lula desejava a construção de uma figura pública representativa do novo modelo “nacional-desenvolvimentista” adotado por seu governo, um “empresário-símbolo”, que fosse exemplo do sucesso brasileiro, enquanto sociedade e nação. E a fórmula, que nada teve de inédito, foi simples: uma adaptação tupiniquim da metodologia empregada no capitalismo de estado chinês, onde empresas pertencentes a setores considerados estratégicos são eleitas como “campeãs nacionais” e favorecidas por incentivos à fusão ou aquisição de outras empresas, seja pelo acesso a fontes de capital de baixo custo, seja pela restrição da concorrência em seu mercado. Para tanto, são mobilizados diversos instrumentos, dentre os quais empréstimos a taxas de juros baixas, regime preferencial de impostos, isenção tributária para a importação de equipamentos e concessão de subsídios diretos e indiretos aos setores estratégicos e às tais empresas “campeãs nacionais”.

Essa política previa que o estado investisse em alguns segmentos do setor privado por meio do BNDES (comprando participação ou emprestando dinheiro com taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro), com o objetivo de criar empresas brasileiras fortes para competir no mercado global. O que se seguiu foi um festival de expansão de interesses privados financiados pelo dinheiro público, apresentado ao contribuinte como uma política de “defesa dos empregos da classe trabalhadora brasileira”. Dessa forma, o BNDES injetou cerca de 20 bilhões de reais em empresas como a JBS, Marfrig, Lácteos Brasil (LBR), Oi e Fibria, que anos depois se mostram retumbantes fracassos: A LBR pediu recuperação judicial; a Marfrig, com sérios problemas de endividamento, vendeu a Seara para a JBS, que também vem sofrendo para reduzir as dívidas adquiridas ao longo de seu processo de expansão; a Fibria terminou o mês de setembro deste ano com uma dívida líquida de mais de 8 bilhões de reais; quanto à OI, este é um caso de fracasso aparte. Em 2008, o governo mobilizou todos os seus esforços sob o comando do próprio Lula, da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro das Comunicações, Hélio Costa, para mudar a legislação e permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom, para criar uma “superempresa nacional de telecomunicações”.  O BNDES entrou na negociação financiando 2,6 bilhões de reais, enquanto 4,3 bilhões de reais foram aportados pelo Banco do Brasil, mas o resultado foi uma “tele” ineficiente financiada com dinheiro público que acumulou uma dívida impagável e que está sendo entregue a um grupo estrangeiro, a Portugal Telecom.

Mas a menina dos olhos deste “modelo capitalista” chamava-se Eike Batista. Moço bem articulado e tão megalômano quanto o Sr. Lula da Silva, Eike foi eleito pelo “projeto de poder” do petismo para encarnar o “modelo do empreendedorismo brasileiro”, e começou a construir seu castelo de cartas a partir de empréstimos a juros subsidiados (onde a diferença entre as taxas oferecidas ao empresário e os juros reais de mercado é bancada pelo Tesouro) feitos pelo BNDES, o que também deu “credibilidade”, uma “garantia estatal”, uma “impressão digital do governo” ao vendedor de vento, que assim teve as portas abertas para obter mais crédito e recursos no mercado. Eis que, mesmo sem produzir nada, conseguiu arrecadar bilhões de reais nas operações de IPO´s do seu grupo.

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Criatura e criador. Tentando justificar a derrocada de suas empresas, Eike Batista argumentou que “confiou demais em quem não merecia confiança”. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Anos antes, o Sr. Lula da Silva, confrontado pela revelação do Mensalão, teve a cara-de-pau de dizer que não sabia de nada e que se sentia “traído”.

Em quatro anos, de 2006 a 2010, Eike Batista arrecadou R$ 13,6 bilhões de investidores brasileiros, dos quais cerca de R$ 10,4 bilhões do BNDES. E mesmo quando as empresas “X” já davam sinais de que estavam em apuros, foram aprovadas novas operações no valor de R$ 935 milhões para a MMX. Outros bancos estatais, como a Caixa, também emprestaram para o grupo quando já se sabia das dificuldades. Mas a farsa acabou, e da pior maneira possível.

A verdade dos fatos é clara: a “riqueza” perdida por Eike nunca existiu realmente. Portanto, a “riqueza” acumulada, e hoje perdida, foi muito menos obra de seu “empreendedorismo” do que da promiscuidade na relação entre o público e o privado, promovida pelo “modelo de desenvolvimento” criado e inflado pelos governos petistas. Não dá para separar a ascensão e a queda de Eike Batista desse modelo nacional-desenvolvimentista adotado pelos governos do PT. São simbióticos. O capitalismo de estado do PT é o responsável pela criação de farsantes como o Eike Batista, e a derrocada de seu império é mais um sintoma dos graves problemas brasileiros. Seu erro mais grave foi garantir ter o que não tinha e não poderia entregar, enganando credores e investidores, da mesma forma que faz o Governo ao manipular índices e resultados macro-econômicos para iludir os eleitores.

o Voo da Galinha

De sétimo homem mais rico do mundo, momento no qual sua fortuna foi calculada, no auge, em pouco mais de US$ 34,5 bilhões, a empresário inadimplente, a trajetória de Eike Batista encontra paralelo no “voo de galinha” a que se refere a revista “The Economist”conceituada revista britânica que em edição especial de 14 páginas aponta os erros cometidos pelo Governo Dilma que fizeram o Brasil desapontar o mercado e perder credibilidade.

Segundo a reportagem, o governo do PT tem sido incapaz de enfrentar problemas estruturais do país, razão pela qual os “eleitores brasileiros têm poucas razões para dar a Dilma um segundo mandato”. Problemas crônicos no transporte, saúde, educação, criminalidade, o pífio crescimento da economia em 2012 (0,9%), que vai se repetir este ano, atividade econômica estagnada, Estado inchado, alta da inflação, corrupção e os protestos de julho foram alguns dos fatos citados pela revista para concluir que o Brasil, que por um “breve período” foi a estrela dos emergentes, viveu na verdade seu “voo de galinha”, jargão usado para denominar situações em que países ou empresas têm um crescimento disparado, mas que não se sustenta. 

Qual o destino de Eike Batista e de seu império “X”? Não importa, não interessa! A pergunta que fica é: quem vai pagar o rombo que Eike Batista e o PT causaram no BNDES? Sim, porque como citado na edição de 10/07 da Revista Veja, “o colapso do grupo de Eike Batista revela o custo do apoio bilionário do BNDES às empresas do governo. Eles fazem graça e quem paga a conta são os brasileiros que trabalham cinco meses do ano para custear o Estado perdulário”.

O BNDES insiste em dizer que não perdeu um tostão com Eike. Ora, se o valor das ações desmoronou, se os empréstimos não foram pagos, como é possível o banco não ter perdido? Mais uma vez recorre-se ao embuste, à mentira e à manipulação que tem caracterizado os governos petistas: o truque é, na época do vencimento, rolar o empréstimo. Uma das rolagens foi no último dia 15/10: R$ 518 milhões para a OSX. É assim que um credor não registra a perda com um grupo que desmorona: dá mais prazo. Para o Governo do PT não há problema, uma vez que este dinheiro nem sequer é considerado dívida, uma vez que desde que mudou (mais um embuste, mais uma manipulação) a metodologia de contabilidade da dívida em 2007,  somente os números da dívida líquida tem sido considerados, desprezando-se a dívida bruta.

Mas o fato é que são dívidas sim. São recursos captados no mercado e repassados às empresas com juros cerca de 50% mais baratos. A conta então vai para o futuro, desde que as empresas quitem suas dívidas com o BNDES. Mas e se o banco se deparar com uma crise de inadimplência, como a que aflige as empresas de Eike Batista, e os devedores não pagarem suas dívidas? A conta será paga pelo contribuinte, brasileiros que trabalham cinco meses do ano para custear um Estado perdulário e irresponsável. Afinal, dívida é dívida, e cedo ou tarde chega a hora em que a fatura vence e a conta cai sobre os ombros da própria sociedade. E mais ainda: mesmo considerando que todas as empresas que receberam recursos do BNDES paguem suas dívidas nos próximos anos, é justo que o contribuinte tenha que arcar com a diferença de juros cobrados entre os recursos que o Tesouro pega emprestado do mercado e os juros camaradas que são repassados aos “amigos do PT”?

É evidente que muita coisa está errada, e que o “modelo nacional-desenvolvimentista” dos governos petistas é um fracasso cuja conta começa a ser cobrada e pode por a perder todos os avanços sociais e econômicos alcançados pelo Brasil nas últimas décadas. Enquanto as dívidas se acumulam, o Governo do PT e seus aliados no Congresso desprezam , senão obstruem, as verdadeiras iniciativas capazes de conduzir o Brasil a um desenvolvimento seguro e sustentável: a redução da dívida pública, o aumento da poupança interna, o aumento da eficiência, o combate à corrupção, a redução do chamado “custo Brasil” e o equilíbrio das contas públicas. Tudo o que foi prometido pelo governo Lula desde o discurso de posse do primeiro mandato, mas que nunca saíram do papel.

Citando Abraham Lincoln:

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo.”

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