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Combate ao terrorismo, Extremismo Islâmico, Síria

A verdade sobre a origem e os propósitos da Al-Qaeda, invenção da CIA para justificar a “guerra global contra o terrorismo” e o intervencionismo yankee no mundo islâmico


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O ataque da milícia somali Al-Shabab ao shopping center em Nairóbi, os frequentes atentados a bomba no Iraque, os atentatos desta semana no Paquistão e na Nigéria, todos atribuídos a grupos filiados à Al-Qaeda, e o anúncio de que a grande maioria dos combatentes de oposição na Síria estão agora sob o comando da Frente al-Nusra, também filiada à Al-Qaeda, coloca novamente em evidência este braço armado do radicalismo islâmico, que embora tenha por objetivo declarado “reduzir a influência não-islâmica sobre assuntos islâmicos”, tem na prática servido aos interesses dos EUA e de Israel em desestabilizar o mundo islâmico, criando pretexto e condições para uma maior e mais profunda intervenção Ocidental.

Para os que reagem com surpresa diante da cumplicidade da Al-Qaeda com os interesses americanos na Síria, é preciso lembrar que esta organização terrorista, apesar de sua retórica anti-ocidental, é uma criação das agências de inteligência norte-americanas, literalmente falando.

A Al-Qaeda tem sua origem a partir da invasão soviética ao Afeganistão, quando, dentro do contexto global da Guerra Fria, os Estados Unidos organizaram um movimento de resistência formado por combatentes não-afegãos, em sua grande maioria árabes, além de uma agência de levantamento de fundos e recrutamento para a causa afegã, canalizando combatentes islâmicos para o conflito, distribuindo dinheiro e fornecendo logística e recursos para o esforço de guerra e para os refugiados afegãos. Tal operação, nome código Operação Ciclone, foi uma das mais longas e dispendiosas ações realizadas pela Agência Central de Inteligência (CIA), cujo financiamento total chegou a 20 bilhões de dólares e envolveu não apenas o apoio financeiro aos grupos da resistência afegã como também o repasse de armas (em 1987 entraram cerca de 65.000 toneladas em armas e munições norte-americanas no Afeganistão) e a construção e manutenção de campos de treinamento no Paquistão. No auge da operação, o presidente Ronald Reagan chegou a destacar oficiais paramilitares da Divisão de Atividades Especiais da CIA para treinar, equipar e comandar as forças de mujahedin contra o Exército Vermelho. Segundo estimativas conservadoras, mais de 100 mil homens foram treinados entre 1979 e 1989, dos quais cerca de 35 mil muçulmanos estrangeiros de 43 países islâmicos.

Osama bin Laden, ou "Tim Osman", como era conhecido pela CIA, com Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA.  Em 1990, o Sr. Osman foi tratado de sua doença renal em uma instalação médica norte-americana e, em seguida, voou para os EUA, onde ele se envolveu em reuniões de nível muito elevado, ficando no Mayflower Hotel e realização de reuniões no clube Metropolitan.

Osama bin Laden, ou “Tim Osman”, como era conhecido pela CIA, com Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA. Em 1990, o Sr. Osman foi tratado de sua doença renal em uma instalação médica norte-americana e, em seguida, voou para os EUA, onde ele se envolveu em reuniões de nível muito elevado, ficando no Mayflower Hotel e realização de reuniões no clube Metropolitan.

Quanto a Osama bin Laden, ele se tornaria o mais importante elo de ligação entre os mujahidins e a CIA, de quem era agente sob o codinome de “Tim Osman”. Segundo relatos publicados a partir de 2004 pelo Times, BBC e o Washington Post, Osama teve contato direto com a CIA durante muito tempo, inclusive tendo estado nos EUA, em 1986. Robin Cook , Ministro dos Negócios Estrangeiros no Reino Unido de 1997-2001, escreveu sobre o assunto: “Bin Laden foi, porém, um produto de um erro de cálculo monumental por parte das agências de segurança ocidentais. Durante a década de 80, ele foi armado pela CIA e financiada pelos sauditas para travar a jihad contra a ocupação russa do Afeganistão “. 

De acordo com o David N. Gibbs “um considerável corpo de evidências circunstanciais sugerem … que a Agência (CIA) deu suporte direto para as atividades de Bin Laden“. Citando uma publicação do “Le Monde” Gibbs diz que Osama bin Laden foi “recrutado pela CIA” em 1979. Também a Associated Press cita as declarações de um ex-assessor de Bin Laden que afirmou que em 1989 os EUA enviaram rifles de alta potência para a Al-Qaeda de Bin Laden; e finalmente, a “Intelligence Review” afirmou que Bin Laden “trabalhou em estreita colaboração com os agentes dos EUA para levantar fundos para os mujahidins”.  Em junho de 2009, em entrevista a Brad Friedman, o ex-agente do FBI Sibel Edmonds declarou: “Eu tenho informações sobre as coisas que o nosso governo mentiu para nós, por exemplo, quando diz que, desde a queda da União Soviética, cortou todo o nosso relacionamento íntimo com Bin Laden e os talibãs. Isso é uma mentira, pois sempre mantivemos esse relacionamento íntimo com essas pessoas desde a Ásia Central, e percorremos com elas todo o caminho até o 11 de setembro“.

De fato, depois da retirada soviética do Afeganistão em 1989, vários veteranos da guerra desejaram lutar novamente pelas causas islâmicas. A invasão e ocupação do Kuwait pelo Iraque em 1990 levou o governo americano a enviar suas tropas em coligação para a Arábia Saudita, com o suposto intuito de expulsar as forças iraquianas. Bin Laden, que se opunha fortemente ao regime de Saddam Hussein, acusado de ter tornado o Iraque um Estado laico, ofereceu os serviços dos seus combatentes ao trono saudita, que recusou a oferta optando por permitir que forças americanas montassem acampamento em seu país. Esse foi o pretexto para o “rompimento” de Bin Laden com os americanos, retirando-se para o Sudão, e depois para o Afeganistão (1996), de onde emitiu uma “fatwa” (1998) protestando contra a intervenção dos EUA em países islâmicos e seu apoio a Israel, fornecendo uma “autorização religiosa” para ações contra norte-americanos e judeus em toda parte. Esta “fatwa” é amplamente considerada por especialistas em terrorismo como o documento fundador da Frente Islâmica Mundial.

Nos anos seguintes inúmeras ações terroristas (no Oriente Médio, África, Ásia e Europa) foram atribuídos à Al-Qaeda, que entretanto nunca se responsabilizou pela maioria das ações. Na verdade, a grande maioria dos mujahidins que combateram sob o comando de Bin Laden retornou para seus países de origem ou se dirigiram a áreas de conflito, de onde passaram a atuar – de forma regional e independente, mas sob inspiração da “fatwa” de 1998 – contra governos locais e alvos internacionais.

Isso explicaria o enorme desconhecimento pelo Ocidente da real estrutura da Al-Qaeda, o número aproximado de militantes e seus associados, nada que avalize a ideia de uma organização. Mas. na verdade, ao longo dos anos, e principalmente após o ataque ao Word Trade Center, vem se tornando cada vez mais claro que a Al-Qaeda é na verdade uma invenção dos EUA – invenção de fato no Afeganistão, quando foram liderados por um agente de CIA – Osama bin Laden – para combater as tropas soviéticas, e depois, uma ficção, empregada para justificar a Política Anti-Terrorismo da era Bush e permitir a intervenção americana no mundo islâmico, transformando os muçulmanos em “ameaça“.

O jornalista e pesquisador francês Richard Labévière, editor-chefe da revista Défense do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional da França e autor do livro Nos bastidores do terror, é categórico ao afirmar que “a al-Qaeda não existe“. Segundo Labévière, antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 o termo não era utilizado por organizações internacionais, governos ou serviços de inteligência, a exceção do serviço inglês, que o utilizava para se referir a afegãos-árabes e ativistas salafistas. Também afirmou que certamente a expressão foi utilizada por Bin Laden e os membros da sua organização, mas que esta “não tem nada da organização tentacular e planetária que a imprensa quer nos vender“. 

Em 2005, Robin Cook, membro do Parlamento Britânico e Ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha durante o governo de Tony Blair, publicou artigo no The Guardian em que afirma que o termo “Al-Qaeda” era originalmente empregado para designar uma “base” ou “banco de dados”, um arquivo digital com fichas de milhares de mujahidins recrutados e treinados pela CIA para combater os russos. Essa informação também é compartilhada por Pierre-Henri Bunel, ex-agente de inteligência do governo francês, que afirmou que “não há nenhum exército islâmico ou grupo terrorista chamado Al-Qaeda (…) Mas há uma campanha de propaganda para fazer o público acreditar na presença de uma entidade identificada representando o “mal”, apenas para conduzir as pessoas a aceitarem uma liderança internacional unificada em prol de uma guerra contra o terrorismo. O país por trás dessa propaganda é os EUA e os lobistas para a guerra dos EUA contra o terrorismo só estão interessados ​​em ganhar dinheiro.

Esses são os fatos sobre a origem e o propósito da “Al Qaeda”. Inicialmente formada como tropa de combate no Afeganistão para se opor aos soviéticos, sob a liderança de um agente da CIA – Osama bin Laden/Tim Osman – a ideia de uma organização terrorista global chamada “Al Qaeda” foi mantida viva e alimentada através da propaganda norte-americana para justificar uma liderança internacional unificada em prol de uma guerra contra o terrorismo (Doutrina Bush) e uma maciça intervenção ocidental no mundo islâmico, fatos que se consolidaram após o ataque ao Word Trade Center, em 2001.

Nos anos seguintes os EUA invadiram o Afeganistão (2001) e logo depois o Iraque, em busca das tais “armas de destruição em massa” que nunca foram encontradas (2003). Estas duas guerras se arrastaram por longos anos, a um custo extraordinário, o que levou os estrategistas americanos a retomarem a ideia de utilizar a mesma força de combate usada no Afeganistão contra os soviéticos: a “Al Qaeda”!

Foi dessa forma que, no rastro da chamada “Primavera Árabe”, rebeldes investiram contra o Governo de Muammar Gaddafi na Líbia, fundamentados numa “fatwa” emitida por uma “coalizão de líderes muçulmanos” dizendo que era “obrigação de todo muçulmano se rebelar contra o governo líbio”. Na ocasião o líder líbio afirmou que os manifestantes antigoverno não tinham demandas genuínas e responsabilizou a Al-Qaeda pelos tumultos no país. Em um telefonema da cidade de al-Zawiya (a cerca de 50 km da capital, Trípoli), transmitido ao vivo pela TV, Kadafi descreveu a revolta no país como uma “farsa”:

– “Bin Laden… esse é o inimigo que está manipulando a população. Não seja influenciado por Bin Laden”, disse. “É óbvio agora que essa situação está sendo liderada pela Al-Qaeda. Esses jovens armados, nossas crianças, são incitados por pessoas procuradas pelos EUA e o mundo Ocidental. (…) Eles (os terroristas) não dão a mínima se o seu país (a Líbia) está sendo destruído“.

E é dessa forma que os EUA tem agido contra a Síria, armando, financiando e dando apoio político a terroristas contra Bashar al-Assad. A verdade é que não existe uma guerra civil na Síria, mas uma guerra travada entre extremistas islâmicos a serviço dos EUA e do sionismo contra um governo legítimo e que conta com o apoio da maioria de sua população. Não existe “Exército Livre da Síria”, não existe “Coalizão Nacional Síria”. Existe apenas a reedição, a materialização da “Al-Qaeda”, como instrumento de combate para promoção dos interesses norte-americanos no Oriente Médio.

Seja qual for o desfecho desta guerra, restará uma angustiante pergunta: qual o destino dos milhares de jihadistas recrutados pela CIA e das toneladas de armas e munições entregues a eles, ao fim do conflito? A exemplo do que aconteceu após a retirada dos soviéticos no Afeganistão, o mundo deverá estar preparado para décadas de terror indiscriminado… Se podemos falar da existência de um “Eixo do Mal”, esta tríade é formada pelos EUA, Israel e a “Al-Qaeda”.

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