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Irã, Oriente Médio, Política Internacional, Síria

Sem apoio da comunidade internacional, EUA aceitam a proposta do presidente russo Vladimir Putin e suspendem ação militar contra a Síria.


Depois de semanas brandindo ameaças de atacar a Síria, o Governo Americano finalmente se curvou diante da realidade de que uma ação militar unilateral contra a Síria, ainda que “limitada”, seria um erro histórico para os EUA, de consequências absolutamente imprevisíveis e catastróficas.

Obama

Apesar de manter seu discurso belicista para o público interno, Barack Obama já compreendia isso quando tentou ganhar tempo atribuindo ao Congresso a decisão de atacar a Síria, mesmo diante do risco de ter sua credibilidade destruída se tal aprovação fosse negada – o que provavelmente ocorreria.

Sem poder contar a participação das forças britânicas – uma vez que o Parlamento votou contra a intervenção militar no país árabe, apesar dos apelos do primeiro-ministro David Cameron –  Obama jogou sua última cartada durante a cúpula do G20 em São Petersburgo, quando tentou articular uma coalizão internacional para atacar a Síria, mas acabou gravemente isolado. O melhor que os norte-americanos conseguiram foi dizer que o grupo dividiu-se ao meio, mas a fria realidade é que só Turquia, Canadá, Arábia Saudita e França aliaram-se à proposta dos EUA. Mais tarde, foi obrigado a reconhecer que foi forçado a transferir a decisão de atacar a Síria ao Congresso de seu país, pois “honestamente, eu não pude demonstrar que o uso de armas químicas por Assad contra as mulheres , crianças e civis inocentes, representam uma ameaça imediata para a segurança dos EUA“. E reconheceu que não tem o apoio da comunidade internacional para uma possível agressão militar.

Dessa forma, a proposta apresentada pela Rússia, e imediatamente endossada pela Síria, de transferir o controle do arsenal de armas químicas da Síria ao controle internacional para posterior eliminação e a adesão do país árabe à Convenção sobre Armas Químicas, foi recebido como uma “tábua de salvação” pelos EUA, que anunciaram a suspensão de seus planos de ataque. Uma “volta ao estado de razão”, que entretanto, não os livra de ver seu poder e prestígio sobre o mundo ser erodido, com suas indefinições e “linhas vermelhas”.

Apesar das claras evidências de que, na verdade, o plano apresentado pela Rússia  foi a melhor alternativa para livrar o presidente Barack Obama de uma vergonhosa derrota no Congresso, e as forças armadas dos EUA de uma catástrofe militar, a mídia americana e seus lacaios em todo mundo ocidental, inclusive no Brasil, tentam vender a ideia de que foram as ameaças do uso da força que tornaram uma solução diplomática possível.

Nada mais falso! A verdade é que as bravatas de Obama aceca de “linhas vermelhas” colocaram os EUA numa situação insustentável. A Síria não é o Iraque. Hoje o poderio militar da Síria é incontestável, sendo uma das maiores em pessoal e material bélico, não só no Oriente Médio mas também no mundo, e esta é a principal razão pela qual os EUA, apesar de sua retórica, não se arriscaria numa intervenção militar direta contra Bashar al-Assad, uma vez que o custo – político, financeiro e militar – de uma campanha contra a Síria seria inaceitável.

Russia vai apoiar a Síria em caso de ataque estrangeiro

Se a iniciativa da Rússia em relação à Síria for bem-sucedida, será uma grande vitória para o líder do Kremlin. Putin disse que a iniciativa de Moscou pode funcionar apenas se os Estados Unidos e seus aliados descartarem uma ação militar contra Damasco.

Por outro lado, em claro contraste diante da hesitação norte-americana e de seu isolamento no âmbito diplomático, o apoio ao Governo Sírio se torna cada vez mais forte, capitaneado pela Rússia e pelo Irã.

Afirmando categoricamente que o ataque químico na Síria foi uma provocação dos rebeldes para conseguir apoio internacional, o presidente russo Vladmir Putin deixou bem claro que a Rússia não se deixará ficar à margem, só olhando dolentemente a Síria ser agredida: – “Isso (o uso de armas químicas) é uma provocação dos rebeldes, que estão contando com assistência de resgate dos países que desde o começo os têm apoiado. Esse é o ponto desta provocação”

– “A Rússia ajudará a Síria? Sim. Ajudaremos. Já estamos ajudando. Estamos fornecendo armamento e em pleno processo de cooperação econômica. Espero que, no futuro, expandiremos ainda mais a cooperação, inclusive mais ajuda humanitária e apoio à população civil. Impossível falar mais claramente.

O Nikolai Filchenkov pronto para se juntar à Força Tarefa russa no Mediterrâneo

O Nikolai Filchenkov pronto para se juntar à Força Tarefa russa no Mediterrâneo

A Rússia tem sido firme não apenas se opondo consistentemente a um ataque americano como também em seu posicionamento pela legitimidade do Governo de Bashar al-Assad, a quem tem prestado apoio desde o início dos conflitos. Nesta semana, sua Marinha enviou mais quatro navios para o Mediterrâneo Oriental , perto da costa da Síria, em resposta às ameaças americanas de lançar uma ofensiva militar contra o país árabe. Estão a caminho da Síria o navio de reconhecimento A-201 SSV Priazovye, os navios de desembarque  Minsk e Novocherkassk e o destróier  Smetlivy, que vão se juntar ao navio anti- submarino Almirante Panteleyev, uma fragata da classe Neustrashimyy e três navios de desembarque, o Alexander Shabalin , o almirante Nevelsky , e o Peresvet , que já estão no Mediterrâneo Oriental. Na última terça-feira (10/09), Putin disse que Moscou tem seus próprios planos para lidar com a possível guerra dos EUA contra a Síria: – ” Nós temos nossas próprias idéias sobre o que faríamos e como faríamos isso , se a situação se desenvolver em direção ao uso da força ou de outra forma“, disse ele. – “Nós temos nossos planos, mas é muito cedo para falar sobre eles.

“Para os EUA, acabou o tempo das tentativas e erros”

Além da Rússia, a Síria conta com o apoio integral do Irã, que por mais de uma oportunidade já manifestou sua disposição de retaliar qualquer ação ofensiva do Ocidente contra o país árabe. Em entrevista à rede de TV Al-Manar, do Líbano, o vice-comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, brigadeiro-general Hossein Salami, alertou que fazer guerra contra a Síria será “jogo muito perigoso” e que  “se alguma potência mundial fala de guerra limitada, erra muito gravemente e comete o maior dos seus muitos erros históricos. Quem pode assegurar que um ataque militar à Síria fique confinado às fronteiras regionais sírias?” – perguntou. – “Quem pode garantir que se intervierem na Síria, conforme os parâmetros estratégicos dos EUA, a volta do chicote não alcance a própria segurança nacional dos EUA? Que planos traçados em papel conseguem conter o incêndio que alguém inicie num paiol de pólvora?

Segundo Salami, “estamos no limiar de uma mudança estratégica radical, no destino dessa região e, mais em geral, para o futuro do mundo islâmico“, e que  “o que estamos testemunhando hoje é o efeito de repetidas derrotas que os EUA e seus aliados ocidentais e regionais vêm sofrendo ao longo dos últimos 30 anos.”  Ele observou que os EUA, o regime israelense e seus aliados regionais não conseguiram alcançar seus objetivos de longo prazo no Oriente Médio e agora que já consumiram todas as estratégias que tinham, “tentam invadir o centro de gravidade da frente de resistência islâmica e anti-Israel, que é a Síria“.

Se os EUA não tivessem cometidos tantos erros no passado, talvez não fosse tão imperioso alertá-los, mas o comportamento e as ações dos EUA nessa região são uma longa história de erros. Por isso é preciso alertá-los, antes de que cometam mais um erro” – disse o comandante iraniano, para concluir: – “A história mostra que todos os assaltantes e agressores que agridam povo que se defende com honra, encontram também o seu próprio cemitério.

Para finalizar, trecho de uma coluna publicada no jornal Washington Post assinada pelo general de exército aposentado e ex-comandante da Academia Militar dos EUA, Robert H. Scales:

“Nosso mais respeitado presidente soldado, Dwight Eisenhower, teve a gravitas e a coragem de dizer não à guerra oito vezes durante sua presidência. Pôs fim à Guerra da Coreia e recusou-se a ajudar a França na Indochina; disse não aos seus antigos aliados de guerra Grã-Bretanha e França, quando pediram que os EUA participassem da captura do Canal de Suez. E resistiu contra os liberais democratas que queriam ajudar na formação do recém criado Vietnã do Sul. Todos sabemos o que aconteceu, depois que seu sucessor ignorou o conselho de Eisenhower.”

Que os “falcões” americanos reflitam sobre estas palavras. Hoje (11/09) o mundo lembra o 12º aniversário dos atentados que deixaram quase três mil mortos nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. Continuem pensando que são os donos do mundo e os americanos terão mais do 11/09. Ataquem a Síria e assistam suas “torres” e seus símbolos desabarem num mar de sangue. Continuem a suportar o estado genocida de Israel e não haverá lugar seguro no mundo para um americano. Entre 1916 e 2016 irá se completar um século . Em 1916 morreu o Império Otomano, às margens do Mediterrâneo, esmagado pela Revolta Árabe. Em 1956, o prestígio e o poder dos imperialistas franceses e britânicos no Oriente Médio foi sepultado em Suez, vencidos pelas tropas árabes do Egito. Em 1989 o império soviético sucumbiu no Afeganistão, o que contribuiu significativamente para o colapso da URSS, dois anos mais tarde. E antes que estes 100 anos se passem, teremos testemunhado o ocaso dos EUA, que se apesar de todas as advertências insistirem em atacar a Síria, sucumbirá às margens do Mediterrâneo. As torres gêmeas terão sido apenas o começo!

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