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Combate ao terrorismo, Irã, Oriente Médio, Síria

Conflito na Síria: o verdadeiro inimigo mostra a sua face! Ataques a Damasco expõem o envolvimento de Israel com os terroristas que querem derrubar o Governo Sírio


A máscara caiu! Envolvidos desde o primeiro momento na conspiração que busca derrubar o governo de Bashar al-Assad, a aliança sionista-ocidental finalmente deixou de lado as ações nos bastidores e mostrou sua verdadeira face, ao realizar dois ataques diretos contra o território sírio em menos de três dias. Na sexta-feira (03/05) foguetes disparados por aviões israelenses destruiram um depósito de munição perto do Aeroporto Internacional de Damasco, e na madrugada do domingo (5/5) uma nova incursão teve como alvo três posições militares a noroeste da capital síria, com mísseis disparados por aviões provenientes de Israel.

Ataque israelense à Damasco 05mai

Os bombardeios destruíram armazéns de munição localizados no monte Qasiyun, perto de Damasco, um edifício militar em Al Hameh e o Centro de Investigação e Estudos Científicos em Jamaraya

Segundo fontes sírias, o ataque atingiu o Centro de Investigação e Estudos Científicos – que tinha sido já alvo de um ataque, em janeiro – e dois depósitos de armas nas zonas de Jamaraya e Al Hamaum, provocando um número indeterminado de vítimas, entre as quais dezenas de civis.

A agressão israelense foi acompanhada pela tentativa de grupos terroristas de tomar postos de controle militares em várias zonas do país, que entretanto foram repelidas pelo Exército Árabe da Síria, deixando mortos e feridos entre os rebeldes. A sincronia entre o ataque de Israel e as forças terroristas ficou fortemente evidenciada por um pesado ataque de morteiros contra a mesma zona onde fica o Centro de Investigação Científica de Jamaraya, bombardeado pelos caças israelenses.

Soldados do Exército sírio comemoram a retomada da cidade de al-Otaiba. Ataque israelense aconteceu num momento em que as forças do Governo sírio vinham alcançando sucessivas e significativas vitórias contra os terroristas, como a retomada da estratégica cidade de al-Otaiba, que vinha servindo como  corredor para a passagem de militantes e armas para os rebeldes.

Soldados do Exército sírio comemoram a retomada da cidade de al-Otaiba. Ataque israelense aconteceu num momento em que as forças do Governo sírio vinham alcançando sucessivas e significativas vitórias contra os terroristas, como a retomada de estratégicas cidades que vinham servindo como corredores para a passagem de militantes e armas para os rebeldes.

Além disso, o ataque acontece num momento em que as forças do Governo sírio vinham alcançando sucessivas e significativas vitórias contra os terroristas, tanto em áreas nos arredores de Damasco, como também a retomada das estratégicas cidades de Al Qussair, perto da fronteira com o Líbano, e de al-Otaiba, que vinham servindo como importantes corredores para a passagem de militantes e armas fornecidas pelo Ocidente e pelas monarquias do Golfo.

Dessa forma, o ataque israelense confirma as afirmações do Governo sírio de que os rebeldes são parte de uma conspiração americano-israelense para derrubar Assad por seu apoio aos palestinos e sua oposição às políticas ocidentais no Oriente Médio. O ministro da Informação da Síria, Omran al-Zoubi, disse ontem, em uma conferência para a imprensa em Damasco, que o ataque é uma prova da ligação de Israel com grupos extremistas que pretendem derrubar o governo de Bashar al-Assad.

– “O novo ataque israelense é uma tentativa de levantar o moral de grupos terroristas que estão cambaleando devido a ataques de nosso nobre Exército“.

A reação internacional contra a agressão israelense foi dura e contundente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, fez um chamado aos países da região para se unirem contra Israel. Mais cedo, o presidente Mahmoud Ahmadinejad havia exigido, durante um discurso, que as potências ocidentais deixassem de intervir no conflito sírio. O Irã apoia os esforços do presidente sírio, Bashar al-Assad, para esmagar a rebelião iniciada há mais de dois anos contra seu regime, desencadeada por terroristas apoiados por países ocidentais. Em janeiro, Ali Akbar Velayati, um conselheiro do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que o país encararia um ataque à Síria como se fosse um ataque a seu território. Segundo o ministro  da Defesa iraniano, general Ahmad Vahidi, o ataque israelense “foi realizado com o consentimento dos EUA e revela as ligações entre terroristas mercenários e seus mestres do regime sionista“.

– “A Síria tem um Exército poderoso e, com a estrutura e a experiência que possui contra o regime sionista, pode, sem dúvida, defender-se. Não há nenhuma necessidade de intervenção de outros países. Mas se eles precisarem de treinamento, nós poderemos ajudá-los“, declarou Ahmad Reza Pourdastan, comandante das forças terrestres do Exército do Irã.

O Egito, que tentou desempenhar um papel de mediador no conflito sírio, considera que a ação de Israel não ajuda a estabilizar a região, e censurou os ataques aéreos de Israel ao território sírio, afirmando que o “lançamento de mísseis violam leis internacionais“. Até mesmo a Liga Árabe – que recentemente atribuiu aos rebeldes o assento de Damasco na organização – também condenou as ações de Israel e apelou ao Conselho de Segurança da ONU para que “aja imediatamente para acabar com os ataques israelenses à Síria, que constituem uma agressão flagrante e uma violação perigosa da soberania de um Estado árabe”.

A Rússia, por sua vez, divulgou um comunicado oficial no qual disse estar muito preocupada com a informação sobre o ataque israelense que, para Moscou, pode acelerar a ocorrência de uma intervenção militar no país árabe e aumentar a tensão em países vizinhos, como o Líbano.  Já a China afirmou ser contra o uso da força militar no conflito sírio e considerou que houve desrespeito à soberania da Síria no ataque israelense.

O temor de que o ataque israelense possa agravar ainda mais a complexa situação na Síria, tornando o conflito sírio uma guerra de escala regional, foi reforçado pelas declarações do ministro da Informação da Síria, Omran al-Zohbi, que em comunicado oficial classificou o ataque como uma “declaração de guerra que pode se estender a outros países do Oriente Médio“.  Zohbi advertiu ainda que, se Israel continuar seus “atos de agressão”, pode levar a região a “uma guerra ampla”, ao mesmo tempo em que acusou este país de apoiar “grupos terroristas” na Síria.

– “A comunidade internacional deve saber que a situação complexa na região se tornou mais perigosa após esta agressão” (…) “O governo da República Árabe Síria confirma que esta agressão abre a porta para todas as possibilidades, em particular porque ela não deixa mais dúvida a respeito da realidade das conexões que existem entre todos os componentes envolvidos na guerra contra a Síria” –acrescentou Al-Zohbi.

No domingo (05/05) o governo sírio enviou carta à ONU para denunciar “a agressão de Israel” contra o seu território, com o objetivo de prestar “apoio militar direto a grupos terroristas ligados à Frente al Nusra, um dos braços da Al Qaeda”. Horas depois, fontes diplomáticas no Líbano confirmaram as informações de que o Governo sírio apontou todos seus foguetes em direção à Israel e que baterias de mísseis também estão orientadas para os territórios palestinos ocupados. Mais tarde, a TV estatal síria informou que “mísseis estão prontos para atacar alvos precisos” em caso de “uma nova violação”.  Em Israel, baterias antimísseis foram posicionadas no norte do país, e o espaço aéreo foi fechado para vôos civis até o dia 9 de maio.

Apesar da retórica ameaçadora, o fato é que os ataques israelenses colocam o presidente Bashar al-Assad numa situação bastante delicada. Se não responder a um novo ataque (já foram três este ano) dará sinais de fraqueza, abrindo as portas para que tais ações se tornem comuns, o que poderia reforçar a moral – hoje bastante abalada – dos terroristas que lutam contra seu governo. Por outro lado, uma retaliação militar contra Israel poderia ser o pretexto esperado pelas potências ocidentais e pelo regime sionista para intervirem diretamente na Síria, “legitimado” pelo aval do Conselho de Segurança da ONU, controlado pelos EUA. Nesse caso, provavelmente, o conflito tomaria proporções catastróficas, envolvendo o Irã, o Líbano, o Egito e a Palestina, entre outros países árabes, num cenário de consequencias imprevisíveis para todas as partes envolvidas.

Na verdade, a intenção dos EUA e de Israel não é um conflito armado contra a Síria, tarefa que delegaram aos grupos terroristas que a mais de dois tentam derrubar Bashar al-Assad. O alvo que buscam é o Irã, classificado como Estado terrorista pela Doutrina Bush, que vem conduzindo a política externa norte-americana após o 11 de Setembro. Desde então os americanos invadiram o Afeganistão (2001) e o Iraque (2003), além de promoverem ações de inteligência que resultaram na chamada “Primavera Árabe”, que entre outros, provocou a queda dos governos do Egito e da Líbia.

O mapa mostra as alternativas para um ataque israelense às centrais nucleares do Irã. O controle do espaço aéreo sírio é um dos elementos fundamentais dessa estratégia.
O mapa mostra alternativas para um ataque israelense às centrais nucleares do Irã. O controle do espaço aéreo sírio é um elemento fundamental dessa estratégia.

A Síria é o último obstáculo real para uma ofensiva contra o Irã. Uma eventual derrota de Bashar al-Assad transformaria a Síria em terra de ninguém – a exemplo do que ocorreu no Iraque e na Líbia – onde grupos extremistas armados e desorganizados passariam a se enfrentar pelo controle do país. E apesar de islâmicos, os rebeldes sunitas não teriam nem a vontade política (*1) nem os meios para deter, por exemplo, o uso do espaço aéreo sírio pela aviação israelense para um ataque contra o vizinho persa. Os acontecimentos recentes devem ser considerados como um ensaio oculto de próxima guerra entre Israel e o Irã, e Teerã compreende isso perfeitamente.

Em tempo: não tomei conhecimento de nenhuma manifestação do governo brasileiro condenando a agressão israelense. Mais uma vez o Brasil deixa evidente sua submissão aos interesses sionistas…

*1 – O Irã não é um país árabe, mas persa. E no passado, árabes e persas lutaram pelo controle da Mesopotâmia. A ocupação do que hoje é o Irã pelos árabes durou cerca de 800 anos, até que em 1500 voltou para as mãos de uma dinastia persa, que tornou o país um dos mais importantes centros culturais do mundo islâmico. Além das questões históricas, existem também as diferenças religiosas. O Irã é majoritariamente xiita, ao contrário da grande maioria dos países árabes, onde a presença maior é de sunitas.
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