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Oriente Médio

Palestinos protestam contra visita de Obama ao Oriente Médio. EUA obriga Netanyahu a pedir desculpas à Turquia, como preparação para aprofundar suas ações terroristas contra a Síria


obamaDesde que foi anunciado, a visita do presidente americano Barack Obama à Israel e à Cisjordânia não fazia sentido, uma vez que não havia nenhum elemento novo, propósito ou objetivo definido, algo que efetivamente contribuísse para a restauração de um processo de paz justo entre israelenses e palestinos. Na verdade, Obama não trazia na bagagem nenhuma mudança em relação à política americana para o Oriente Médio, como fora definida em maio de 2011, em pronunciamento transmitido ao vivo por televisões de todo o mundo.

Naquela ocasião, Obama também não promoveu nenhum fato novo para a conturbada situação na região, e seu discurso apenas aumentou a desconfiança de árabes e judeus quanto à política externa americana. O ocorreu posteriormente, foi o gradual afastamento em relação ao governo sionista de Netanyahu, em razão das situações de constrangimento causados aos EUA pelos crimes e ilegalidades cometidas por Israel, o que entretanto, não impediu a continuidade da orientação israelocentrista do governo americano, como ficou claro no veto ao reconhecimento pleno do Estado Palestino pela ONU e na aplicação de sanções ao Irã em razão de seu programa nuclear.

Portanto, se em 2011 ainda havia uma esperança de que os EUA pudessem propor e conduzir um plano de paz para a região, hoje essa ideia encontra-se totalmente descartada. Então, qual a razão de seu périplo pelo Oriente Médio?

É inegável que Obama fez alguns discursos inesperados durante sua visita a Israel. Ele falou sobre a necessidade de um “Estado palestino viável”, mostrou empatia com os sentimentos do povo palestino e pediu o fim das construções israelenses em territórios ocupados. Mas nada disso passou de retórica, palavras decoradas para uma peça teatral. Quando cai a máscara do ator, seu verdadeiro caráter se revela: devidamente paramentado com um solidéu, o presidente americano visitou os mais poderosos símbolos nacionais de Israel, entre eles o túmulo de Theodor Herzl, o fundador do sionismo moderno, e fez questão de afirmar que “a aliança entre os EUA e Israel é eterna”.

obama persona non grata3Não foi portanto uma surpresa que sua breve passagem pela Cisjordânia tenha sido marcada por protestos, que ocorreram perto da sede do governo palestino. Centenas de manifestantes se concentraram em uma praça de Ramallah, na Cisjordânia, retiraram os sapatos e cantaram palavras de ordem contra Obama, como “deixe de apoiar os crimes de guerra israelenses” e “Estados Unidos, Israel e Grã-Bretanha: o triângulo do terror“. Dias antes, as ruas amanheceram cobertas de cartazes com mensagens contrárias à visita. Para os palestinos, o sentimento pode ser bem expressado nas palavras de Hatan Qaswani, 43, morador de Ramallah: “A visita não nos traz nada, só falsa esperança. Ele vem com uma mensagem de mudança, mas quer ganhar tempo para a ocupação. Também em Gaza a visita do presidente americano foi vista com deconfiança e ceticismo. Em comunicado, o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, disse que não espera “nenhum resultado desta visita“. “Não esperamos que Obama vá mudar a equação política no terreno. Não acreditamos que a política americana vá pôr fim à ocupação israelense“.

O verdadeiro motivo da presença de Obama em Israel foi revelado apenas no último dia da visita, depois que o presidente americano negociou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um pedido de desculpas à Turquia pela morte de nove turcos em 2010 durante o ataque a Flotilha da Liberdade e a plena retomada das relações diplomáticas com Ancara.

O pedido formal de desculpas foi feito em uma conversa telefônica entre Netanyahu e o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, sob a vigilância de Obama, em que ambos concordaram em normalizar as relações entre os dois países. Jamais teremos como saber o real teor das conversas, mas comunicados oficiais de Israel e da Turquia descreveram parte dos fatos.

O comunicado do governo de Israel revelou que Netanyahu disse a Erdogan que teve “boas conversas com Obama sobre cooperação regional e sobre a importância das relações entre Turquia e Israel” e lamentou “a crise nas relações turco-israelenses”. O primeiro-ministro de Israel também se comprometeu a resolver as diferenças entre os dois países com o objetivo de trazer “estabilidade à região”. Netanyahu pediu a Erdogan que transmitisse suas “desculpas ao povo turco” pelos “erros operacionais que conduziram à perda de vidas” e seu compromisso para terminar o mais rápido possível as negociações para compensar as vítimas. Por outro lado, o governo turco afirmou que Erdogan aceitou em nome do povo turco o pedido de desculpas apresentado por seu colega israelense.

(Nesse ponto, peço licença para um desabafo: Desculpas à Turquia?! Canalhas sionistas! Israel deve desculpas antes de tudo aos milhares de palestinos expulsos de suas terras desde 1948; deve desculpas pela ocupação ilegal de suas terras, pelas detenções ilegais, pelo bloqueio à faixa de Gaza, pelas vítimas civis de suas ações militares; deve pedir desculpas aos palestinos pela construção do Muro do Apartheid, pela política discriminatória e racista; deve desculpas à comunidade internacional pelo reiterado desrespeito às Resoluções da ONU, pela manutenção de um arsenal nuclear não declarado e por ser empecilho à paz no Oriente Médio, entre outros tantos outros crimes atrozes praticados desde a sua criação).
 

Por sua vez, a Casa Branca divulgou um comunicado oficial no qual disse que os “Estados Unidos valorizam profundamente sua proximidade com a Turquia e Israel e dá grande importância à restauração de relações positivas entre eles para avançar na paz e segurança regional”. Entretanto, longe de buscar a paz, a reaproximação entre Israel e a Turquia era uma condição chave para uma ação direta contra a República Islâmica da Síria. 

Turcos e israelenses eram muito próximos no passado, realizando exercícios militares conjuntos. O cenário começou a se deteriorar depois do Massacre de Gaza, no fim de 2008 e começo de 2009. O premiê turco nunca perdoou Israel por não ter sido avisado. Posteriormente, agrediu verbalmente o presidente israelense, Shimon Peres. O ataque à Flotilha de Gaza agravou ainda mais os ânimos porque a maior parte dos mortos na operação israelense para impedir a chegada de barcos a Gaza era de origem turca.

Desde então a Turquia passou a ser o único membro da OTAN a não manter relações diplomáticas com Israel. Entretanto, a evolução da situação na Síria tem levado ao envolvimento direto dos EUA no apoio ao terroristas que lutam contra Assad, que por outro lado conta com o apoio do Irã e do Hezbollah, no Líbano, tradicionais inimigos do Estado Judeu. Com a reaproximação, Israel será favorecido por dois motivos: primeiro, a Turquia é o principal agente externo operando na Síria em apoio aos rebeldes, e teria papel fundamental para a segurança israelense nas colinas do Golã diante de uma possível queda de Bashar al Assad. Os turcos também são importantes na questão militar iraniana.

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