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Política Internacional, Síria

Israel invade o espaço aéreo sírio e bombardeia instalações de pesquisas em Jamraya. Ato de provocação acontece no mesmo dia em que a oposição acenou aceitar as iniciativas de paz propostas pelo presidente Bashar al-Assad


 

ataque a Jamraya2

No mesmo dia (30/01/2013) em que o principal líder da oposição síria, Ahmed Moaz al-Khatib, declarou sua disposição em negociar com o Governo do presidente Bashar Al-Assad para dar um fim pacífico à guerra civil que assola o país, Israel realizou um ato de agressão bombardeando um centro de pesquisa científico militar em Jamraya, numa localidade rural a noroeste de Damasco, perto da fronteira com o Líbano, matando dois funcionários do complexo e ferindo outros cinco.

Em comunicado transmitido pela agência de notícias estatal SANA, o comando geral do exército sírio admitiu ter sido alvo de um “ataque direto” por parte de Israel, associando a ação à guerra civil opondo as forças de Assad contra os rebeldes que buscam tirá-lo do poder.

Caças israelenses violaram nosso espaço aéreo na madrugada de hoje e realizaram um ataque direto em um centro de investigação científica responsável por elevar o nosso nível de resistência e auto-defesa. (…) Isso prova que Israel é o instigador beneficiário, e às vezes executor dos atos terroristas visando a Síria e seu povo. (…) Este ataque é mais um de uma longa lista de atos de agressão contra os árabes e os muçulmanos“, dizia o comunicado.

Mais cedo, fontes rebeldes haviam acusado o governo pelas explosões em Jamraya, seguindo uma prática de desinformação que tem sido característica desde o início do conflito. Como a grande imprensa ocidental tem dado repercussão somente aos informes transmitidos pelos rebeldes, todos os massacres, atos de barbárie e violações dos direitos humanos tem sido injustamente atribuídos ao Exército sírio. A desinformação também faz parte da estratégia yankee e sionista em relação à Síria, procurando associar o regime de Bashar al-Assad às ações terroristas cometidas contra Israel. Segundo a imprensa norte -americana, o alvo do ataque israelense seria um comboio de veículos militares que levaria armas e material para fabricação de mísseis ao Hezbollah, no Líbano.

O Hezbollah negou a versão americana e chamou a ação israelense de “barbárie”, acusando a comunidade internacional de querer derrubar o Governo sírio. Segundo o movimento islâmico, o ataque evidencia as origens da guerra civil, ou seja, a intenção de derrubar Assad por não se alinhar com países ocidentais e Israel.

Como de costume, a comunidade internacional fica com a língua atada e continuará em silêncio, sem tomar nenhuma ação para condenar o ataque ou tomar qualquer posição séria contra a agressão de Israel“.

Ali-Abdel-KarimNesta quinta-feira (31/01/2013) a Síria apresentou uma queixa à Organização das Nações Unidas e através de seu Ministério de Negócios Estrangeiros convidou “todos os órgãos competentes da ONU para tomar as medidas necessárias dadas esta grave violação de Israel, e garantir que isso não vai acontecer de novo”. Por sua vez, o embaixador da Síria em Beirute, Ali Abdel Karim Ali, afirmou que a Síria tem o direito de responder à “agressão sionista.”

Os israelenses e os Estados Unidos, junto com seus cúmplices árabes, devem perceber que a Síria, para defender sua soberania e o seu território, pode decidir responder de surpresa a esta agressão. Cabe aos poderes competentes escolher a resposta apropriada, e determinar os meios e lugar“.

Segundo o embaixador, o ataque aéreo desmascara “a relação entre a agressão e a guerra que vem se travando na Síria por dois anos“, referindo-se à revolta que eclodiu contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011.

Mas o presidente Bashar al-Assad, assim como seus aliados, devem agir com sabedoria nesse momento. Tudo o que Israel está buscando é uma atitude impensada do governo sírio, para que aceite a provocação e desfeche uma ação retaliatória, com uso de mísseis e bombardeios, o que seria o pretexto esperado pelos sionistas e pelos EUA para lançarem uma campanha militar contra a própria Síria e contra o Irã. O melhor caminho agora seria iniciar o diálogo nacional proposto por Assad e que aparentemente também é o desejo de parte importante da oposição síria.

Líder da oposição quer negociar paz com Assad

Bashar al-Assad

O principal líder da oposição síria, Moaz al-Khatib, declarou nesta quarta-feira (30/01/2013) sua disposição em negociar com o Governo do presidente Bashar Al-Assad um acordo para dar um fim pacífico à guerra civil que assola o país há dois anos e que já causou a morte de milhares de pessoas. Porém, Al-Khatib condicionou o acordo à liberação dos presos políticos e a renovação de todos os passaportes expirados de sírios no exterior – numa referência aos líderes da oposição exilados e aos ativistas que foram despojados de seus passaportes. A declaração veio após um recente discurso de Assad em que ele propôs uma iniciativa de paz que inclui o diálogo nacional, a formação de um novo governo e de uma nova Constituição. Na semana passada, o governo sírio informou que permitiria um retorno seguro a Damasco para alguns líderes da oposição para realizar um “diálogo nacional” – a oferta que foi rejeitada pela maioria dos líderes oposicionistas, que insistem que Assad deve primeiro deixar o cargo.

Ao contrário do que propaga a imprensa ocidental, a oposição síria não constitui um grupo coeso e com propósito único, capaz apresentar uma alternativa viável ao regime de Assad. Se os primeiros protestos no rastro dos acontecimentos da chamada Primavera Árabe – podiam representar a insatisfação de uma parte do povo sírio com o Governo de Bashar Al-Assad, a verdade é que em pouco tempo passaram a prevalecer os interesses israelenses e americanos de desestabilizar a Síria e remover Assad do poder, para dessa forma estabelecer um novo governo que atendesse seus interesses estratégicos e militares em relação ao Irã, hoje principal aliado do regime sírio e do Hezbollah, inimigo declarado de Israel.  Por outro lado países sunitas do Golfo e a Turquia aproveitaram a oportunidade para promover uma guerra sectária na Síria, armando e financiando organizações islâmicas extremistas (muitas delas ligadas à Al Qaeda) para combater o governo alauíta do presidente Bashar al-Assad.

Escolhido em novembro do ano passado para chefiar a Coalizão Nacional Síria, o xeque Ahmed Moaz Al-Khatib representa a oposição pró-ocidental ao governo de Damasco, e embora tenha desempenhado um papel decisivo na mobilização na periferia da capital, sobretudo em Duma, Khatib não está ligado a nenhum partido político e é conhecido como um moderado que tem defendido o pluralismo político e se opõe fortemente às divisões sectárias entre os sírios.

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