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Oriente Médio

Palestina conquista, por esmagadora maioria, status de Estado observador da ONU


No dia 29 de novembro de 1947, a Assembléia Geral da então recém-formada Organização das Nações Unidas aprovou a Resolução 181, que dividia a Palestina histórica, até então dominada pelos britânicos, em dois Estados: um árabe e um judeu. Tendo sido rejeitada pelos países árabes, depois de seis meses apenas Israel foi reconhecido como Estado. Desde então, e a partir do evento histórico conhecido por “al-Nakba” (catástrofe), os sionistas passaram atacar, massacrar e expulsar de suas terras o povo palestino, submetendo-os a uma criminosa política de ocupação e discriminação, cometendo toda sorte de crimes e violações das leis internacionais e dos direitos humanos.

Welcome Palestine

Hoje (29/11/12), exatos 65 anos depois, tendo por palco a mesma Assembléia Geral da ONU, a comunidade internacional começou a pagar sua dívida histórica com o povo palestino, ao aprovar, por ampla maioria (138 votos a favor, nove contrários e 41 abstenções) a resolução A/67/L28, que modificou o status dos territórios palestinos, de “entidade observadora” para “Estado observador não-membro” na organização, no que significa um reconhecimento implícito da existência do Estado Palestino no Oriente Médio. Nas palavras do presidente Mahmoud Abbas, uma decisão que representa a “certidão de nascimento do Estado Palestino”.

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia milhares de pessoas comemoraram o resultado da votação, considerada uma vitória histórica. Em Gaza, palco de recente conflito entre sionistas e palestinos, no qual a resistência do Hamas obrigou Israel a um cessar-fogo e a fazer concessões inéditas num acordo de paz, todos os partidos políticos se uniram para comemorar o feito.

comemoração em gazaTambém em Ramallah, Jenin, Nabus, Hebron, Belém e outras cidades da Cisjordânia, multidões foram às ruas com faixas, bandeiras e rostos pintados, numa explosão de alegria para celebrar a decisão da ONU.

Na prática, o novo status palestino permitirá que a ANP busque admissão em outras agências e organismos das Nações Unidas, além de sua admissão no Tribunal Penal Internacional – que poderia ser acionado por autoridades do território contra Israel.

Embora significativa, a vitória diplomática é essencialmente simbólica, apenas mais uma etapa na luta do povo palestino por sua verdadeira Liberdade e Soberania. Hoje, as nações do mundo disseram não ao sionismo: não à ocupação, não ao abuso dos direitos humanos, não ao racismo e à discriminação. Mas será preciso mais do que simples retórica para mudar a realidade de mais de 4 milhões de palestinos que vivem nos territórios ocupados por Israel, ou dos quase 5 milhões de refugiados e seus descendentes que sonham com a oportunidade de voltar para as suas terras, ou de quase 1,5 milhão de habitantes de origem árabe que sofrem o cotidiano de discriminação em Israel. O verdadeiro Estado Palestino, independente, soberano, contíguo e viável, só poderá existir de fato quando Israel desocupar as terras ilegalmente colonizadas após 1967 e acatar as resoluções da ONU quanto ao direito de regresso dos refugiados de 1948.

UniãoPor isso, a LUTA deve continuar; a RESISTÊNCIA deve continuar. A Palestina não está livre, suas terras ainda estão ocupadas, Gaza continua sob bloqueio e a qualquer momento uma criança palestina pode morrer, vítima de uma bomba israelense. A maior vitória obtida neste 29/11 foi a consolidação de uma UNIÃO em torno de um sentimento nacional palestino, muito bem representado pelo forte apoio do Hamas à iniciativa de Abbas.

Segundo o líder do Hamas, Khaled Meshaal, a votação da ONU poderá contribuir para “unificar os esforços nacionais palestinos”, e que “a derrota do inimigo em Gaza” cria um novo ambiente propício à formação de um governo palestino de unidade nacional..

– “Eu disse a Abou Mazen [apelido de Abbas] que queremos que a medida seja parte de uma estratégia nacional palestina que inclua a resistência que se sobressaiu em Gaza e deu um exemplo da capacidade do povo palestino para resistir e confrontar resolutamente o ocupante”. (…) Quando nos reconciliarmos, nos unirmos e acabarmos com as divisões, e tivermos uma liderança política e um sistema político, então estaremos mais fortes e melhores, e poderemos alcançar mais, e a resposta à agressão israelense, em todas as suas formas, será melhor”, disse Meshaal.

Congratulações aos meus irmãos palestinos pela VITÓRIA!

Free Palestine

 
Agradecemos aos amigos Activists around the world for Palestine,  Eloïse Bollack, Helena Kaspiri e Palestina Livre pelas fotografias que ajudaram compor este artigo.
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