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Oriente Médio

Operação Pilar de Defesa: vitória da resistência palestina contra a arrogância e o poderio bélico de Israel. Disposição do Hamas em resistir à uma invasão terrestre forçou Israel a aceitar o cessar-fogo mediado pelo Egito, e pela primeira vez na história os termos de um acordo de paz contemplaram as demandas dos palestinos.


Depois de 8 dias de conflito, os moradores de Gaza puderam comemorar na noite desta última quarta-feira (21/11) a VITÓRIA da tenaz resistência palestina contra a arrogância e o poderio bélico de Israel.

Apesar dos pesados bombardeios a que submeteu a cidade, o Estado sionista não conseguiu abalar o espírito de luta do bravo povo palestino, nem logrou êxito em destruir a capacidade de combate do Hamas, e dessa forma se viu obrigado a desistir de uma ofensiva terrestre contra Gaza, aceitando o cessar-fogo mediado pelo presidente egípcio Mohamed Morsi.

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“Nós nos sentimos como se tivéssemos ganhado a nossa liberdade de volta, as nossas vidas de volta. Graças a Deus para o Hamas, e graças a Deus pela paciência e força do povo palestino em humilhar Israel”, disse Mohammed Skeik, marchando ao lado de vários amigos com o punho em alto.

“Netanyahu vai chorar nesta noite, enquanto as pessoas de Gaza estão firmes em sua resistência e triunfaram. Israel não vai pensar em nos desafiar como agora nunca mais. Nós pagamos um preço caro no sangue de nosso povo pela agressão deles, mas tivemos grandes ganhos e mostramos a nossa força”, disse Mohammed al-Ghazaleh, outro morador de Gaza.

Se entre os palestinos o clima era de união e euforia pela vitória, em Israel o sentimento dominante entre a população era de decepção e ceticismo. Em Sderot, dezenas de moradores foram às ruas protestar contra a trégua e pedir a renúncia do premier Benjamin Netanyahu. Também em Tel Aviv e Jerusalém foram registrados protestos, enquanto os 56 mil reservistas recrutados para a ofensiva israelense em Gaza iam sendo gradualmente liberados. O estado de espírito entre os sionistas ficou muito bem expresso quando na quinta-feira (22/11) um grupo de soldados israelenses publicou no Facebook uma fotografia de alguns dos seus camaradas deitados no chão, com os rostos nublados em derrota e exalando um ar de quebrantamento. Com seus corpos, formaram uma frase: “Bibi (apelido de Netanyahu) é perdedor”.

Pelos termos do cessar-fogo, Israel concordou em suspender a violência contra Gaza por terra, mar e ar, incluindo incursões e os chamados assassinatos seletivos, assim como atenuar o bloqueio à Faixa de Gaza, liberando o movimento de pessoas e produtos para o território palestino.  Em troca, o Hamas e outras facções palestinas devem suspender o lançamento de foguetes e os ataques ao longo da fronteira com Israel.

O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, disse no Cairo que Israel “fracassou em sua aventura” de lançar uma ofensiva contra Gaza e que os palestinos irão respeitar a trégua se Israel o fizer, mas que reagirá a eventuais violações. “Se Israel cumprir, nós vamos cumprir. Se Israel não cumprir, nossas mãos estão no gatilho“.

O cessar-fogo também teve repercussão entre líderes da região. Na quinta-feira (22/11), o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se disse satisfeito com a trégua entre Hamas e Israel, mas não se mostrou confiante em sua efetividade. Em entrevista a uma TV paquistanesa, Ahmadinejad disse ainda que a crueldade em Gaza deve unir os muçulmanos. Mais cedo o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badei, pediu que os países islâmicos se unissem por uma guerra pelos palestinos.

– “O inimigo não conhece a nada, a não ser a língua da força. Fiquem avisados desse jogo de grande decepção no qual eles quebram acordos de paz” – disse.

Badei também declarou que “a jihad é obrigatória” para os muçulmanos, mas ressaltou que pegar em armas seria o “último estágio”, após todos os muçulmanos se unirem: – “O uso da força e Exércitos enquanto o grupo está fragmentado, desligado, desorganizado e com fracas convicções e fé seria o destino para a morte. Apoiem os irmãos palestinos. Supram eles com o que eles precisam. Procurem a vitória em todas as arenas“.

Durante a ofensiva israelense 162 palestinos, incluindo 37 crianças e 11 mulheres, perderam a vida. E além da perda de um de seus principais líderes, Ahmed Jaabali, o Hamas teve boa parte de suas instalações danificadas pelos bombardeios. Do outro lado, morreram 6 israelenses – 4 civis e 2 militares. Mas se tais números sugerem alguma vantagem para o lado israelense, a verdade é que o Hamas sai significativamente fortalecido após o episódio.

Do ponto de vista interno, a resistência de Gaza teve o condão de unir as várias facções e movimentos políticos palestinos, como se pôde observar na maior manifestação após a vitória, que reuniu uma multidão em frente ao Parlamento. Entre brados de “Resistência!” eram agitadas bandeiras verdes, do Hamas; amarelas, do Fatah; negras, da Jihad Islâmica; vermelhas, da Frente Popular pela Libertação da Palestina e brancas do al-Aharar.

– “O sangue de Jaabali uniu o povo da nação quanto a escolha da jihad e da resistência” – resumiu o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh.

Nosso futuro deve ser um só. Para que possamos nos fortalecer, a real vitória para a Palestina será acabar com as nossas divisões. É a única forma de acabar com essa ocupação, e de reagir a essa guerra. Nabil Shaat, nosso líder, está neste momento com Ismail Haniyeh, chefe de governo do Hamas, para traçar o caminho para o fim dessa divisão” –  declarou Saed Badwi, um dos líderes do Fatah.

Do ponto de vista externo, a vitória ficou ainda mais evidente. O Hamas, que era politicamente ignorado por Israel e considerado pelos sionistas apenas uma “organização terrorista”, teve sua liderança legitimada, convertendo-se no principal interlocutor do povo palestino no intrincado tabuleiro diplomático do Oriente Médio. Sua opção pela resistência tem obtido avanços significativos para a causa palestina, em contraste com o crescente isolamento da Autoridade Nacional Palestina, cujo presidente, Mahmoud Abbas, luta para recuperar o prestígio perdido após a paralisação das negociações com Israel visando uma solução diplomática para o conflito entre israelenses e palestinos, com base na ideia de “dois Estados”.

Os foguetes lançados de Gaza e a disposição do Hamas de resistir à uma invasão terrestre forçaram Israel a aceitar o cessar-fogo mediado pelo Egito, e pela primeira vez na história os termos de um acordo de paz contemplaram as demandas dos palestinos, que conseguiram arrancar de Israel concessões jamais debatidas antes, como a flexibilização do bloqueio à Gaza e a abertura das fronteiras terrestres.

Para uma ação que tinha por objetivo declarado “mandar Gaza de volta para a Idade Média” – nas palavras do ministro do Interior de Israel, Eli Yishai – a operação Pilar de Defesa foi um redundante fracasso, que serviu apenas para aumentar o isolamento israelense, fortalecer o Hamas e  promover uma inédita união entre as facções políticas palestinas.

Congratulações aos irmãos palestinos pela VITÓRIA.

O Brasil e o conflito árabe israelense.

Para concluir o artigo, um alerta aos meus irmãos palestinos: não confiem no Brasil como agente isento e imparcial nas questões relativas ao conflito com Israel. É verdade que muitas pessoas em meu país são simpáticas e solidárias à causa palestina, mas a grande maioria do povo brasileiro está completamente alienada em relação à geopolítica do Oriente Médio ou à situação do povo da Palestina.

Não conhecem e pouco se interessam pelos crimes cometidos por Israel, as injustas sanções contra o Irã, a guerra civil na Síria ou o bloqueio econômico à Gaza. As poucas informações que têm são veiculadas por jornais e redes de notícias que apresentam uma visão parcial da realidade, sob a ótica sionista. Os grandes jornais em meu país, mesmo diante do covarde bombardeio de alvos civis em Gaza, que  produziu centenas de mortos, dedicava páginas inteiras para falar sobre “o clima de medo” em que vivem os moradores de Jerusalém diante da ameaça dos foguetes palestinos, ou como os hospitais israelenses também tratam dos feridos palestinos. Noutro dia, também numa página inteira, um grande jornal falava sobre o orgulho de brasileiros judeus que estavam prestando serviço militar no Exército de Israel.

Isso acontece porque as instituições brasileiras obedecem à agenda sionista, seja na política, onde existe um poderoso lobby no Congresso Nacional, seja na economia, dominada pelos bancos, instituições financeiras e conglomerados industriais de origem judaica, seja na imprensa, o que torna bastante difícil que o Governo brasileiro deixe de lado a simples retórica para assumir efetivamente, com ações práticas e objetivas, uma posição independente ou pró-Palestina, como afirma em seus discursos.

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2 comentários sobre “Operação Pilar de Defesa: vitória da resistência palestina contra a arrogância e o poderio bélico de Israel. Disposição do Hamas em resistir à uma invasão terrestre forçou Israel a aceitar o cessar-fogo mediado pelo Egito, e pela primeira vez na história os termos de um acordo de paz contemplaram as demandas dos palestinos.

  1. Muito importante e lúcido o seu comentário: “Brasil e o conflito árabe israelense.

    Para concluir o artigo, um alerta aos meus irmãos palestinos: não confiem no Brasil como agente isento e imparcial nas questões relativas ao conflito com Israel. É verdade que muitas pessoas em meu país são simpáticas e solidárias à causa palestina, mas a grande maioria do povo brasileiro está completamente alienada em relação à geopolítica do Oriente Médio ou à situação do povo da Palestina.

    Não conhecem e pouco se interessam pelos crimes cometidos por Israel, as injustas sanções contra o Irã, a guerra civil na Síria ou o bloqueio econômico à Gaza. As poucas informações que têm são veiculadas por jornais e redes de notícias que apresentam uma visão parcial da realidade, sob a ótica sionista. Os grandes jornais em meu país, mesmo diante do covarde bombardeio de alvos civis em Gaza, que produziu centenas de mortos, dedicava páginas inteiras para falar sobre “o clima de medo” em que vivem os moradores de Jerusalém diante da ameaça dos foguetes palestinos, ou como os hospitais israelenses também tratam dos feridos palestinos. Noutro dia, também numa página inteira, um grande jornal falava sobre o orgulho de brasileiros judeus que estavam prestando serviço militar no Exército de Israel.

    Isso acontece porque as instituições brasileiras obedecem à agenda sionista, seja na política, onde existe um poderoso lobby no Congresso Nacional, seja na economia, dominada pelos bancos, instituições financeiras e conglomerados industriais de origem judaica, seja na imprensa, o que torna bastante difícil que o Governo brasileiro deixe de lado a simples retórica para assumir efetivamente, com ações práticas e objetivas, uma posição independente ou pró-Palestina, como afirma em seus discursos”.

    Publicado por Bernardete Baronti | 2013/03/22, 14:18

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