Você está lendo...
Oriente Médio, Política Internacional

Para que o mundo não se esqueça: o massacre de Sabra e Shatila


O mês de setembro de 2012 marca o 30 aniversário do massacre de Sabra e Shatila, que aconteceu entre os dias 16 e 18 deste mês em 1982, durante a invasão do Líbano pelo Exército sionista, numa das mais atrozes ações de Israel contra civis palestinos. Os culpados pelo massacre não foram punidos e os sobreviventes nunca receberam qualquer tipo de indenização, apesar de em 16 de dezembro de 1982, a Assembleia-Geral das Nações Unidas ter condenado o massacre declarando-o um ato de genocídio.

A Guerra do Líbano começou em 6 de junho de 1982 sob o pretexto de fazer cessar as “ações terroristas” da Organização para Libertação da Palestina (OLP) a partir do território libanês. Nesse dia, com apoio de milícias libanesas, tropas israelenses invadiram o Líbano e cercaram a capital Beirute. Por sete semanas, Israel castigou intensamente a cidade com bombas de fósforo e de fragmentação. Os ataques por terra, ar e mar não se limitaram a destruição do aparato militar da OLP, mas também de toda base social e de bem-estar da organização, como serviços de saúde e educação. Os fornecimentos de água e energia elétrica foram interrompidos, bem como o fluxo de alimentos e remédios foi cortado. Ao final deste período, um cessar fogo foi estabelecido e as forças palestinas começaram a deixar o Líbano, como ditava os termos do acordo mediado pelos EUA. Apesar disso Israel manteve o cerco a Beirute e conspirou para a eleição de Bashir Gemayel, líder da milícia pró-israelense Partido Falange, à presidência do Líbano, em 23 de agosto, com o compromisso de “limpar Beirute Ocidental dos palestinos”.

Porém os planos israelenses de controlar o Líbano e engendrar um regime a seu gosto foram frustrados por um atentado a bomba que matou Gemayel e outras 26 pessoas dois dias antes de assumir o poder.

Em 15 de setembro, jatos militares e tropas israelenses armaram um cerco nos campos de refugiados palestinos, situados na periferia de Beirute, ao sul da cidade, em área diretamente controlada pelo exército israelense.

Pouco depois do anoitecer em 16 de setembro de 1982, pequenas unidades de milicianos maronitas cristãos, com cerca de 150 homens cada, começaram a entrar nas ruelas estreitas de Sabra e Shatila. Os israelenses haviam confiado aos falangistas – combatentes cristãos de extrema-direita ligados ao partido do presidente morto – a tarefa de “busca e limpeza dos campos palestinos”, de acordo com ordens militares israelenses.

A partir daquela noite de quinta-feira até a manhã do sábado seguinte, os falangistas torturaram, mataram e feriram homens, mulheres, crianças e idosos, sob a observação sistemática das forças israelenses. Não se sabe o número exato das vítimas do massacre, mas as estimativas giram entre os 700 mortes apontadas pela contagem oficial dos militares israelenses até a afirmação da jornalista israelense Amnon Kapeliouk de 3.500 mortos. O Crescente Vermelho estimou o número de mortos em mais de 2.000. Mas independentemente dos números, eles não mitigam o fato de que o que houve foi um crime contra a humanidade.

Embora jamais tenha admitido sua participação direta no massacre, investigações oficiais revelaram que os assassinos entraram nos campos com o conhecimento e a aprovação dos oficiais israelenses – que estavam totalmente cientes da sede de vingança que alimentou os milicianos após a morte de Gemayel. Outras evidências do apoio sionista ao massacre foram o cordão de isolamento montado por forças israelenses em torno de Sabra e Shatila para impedir a fuga dos refugiados e a providencial iluminação do céu noturno acima dos acampamentos com tochas para facilitar a “limpeza”.

Mais tarde, a Corte Suprema de Israel consideraria o Ministro da Defesa do país, Ariel Sharon, pessoalmente responsável pelo massacre, por ter falhado na proteção aos refugiados, mas jamais foi julgado ou punido pelas mortes e agressões havidas.

Aconteceu 30 anos atrás – 16 setembro de 1982. Um massacre tão terrível que as pessoas que sabem sobre ele não podem esquecer. As lembranças horríveis de corpos carbonizados, decapitados, cadáveres indecentemente violados, o cheiro de carne podre. Para as vítimas e um punhado de sobreviventes, foi um holocausto de 36 horas sem misericórdia. Foi deliberado, foi planejado e foi supervisionado. Mas, até hoje, os assassinos estão impunes.

Mas ao contrário do 11 de setembro, nenhum jornal nos EUA, nem a imprensa dos países Ocidentais, entre eles o Brasil, publicou uma única linha mencionando o aniversário do massacre de Sabra e Shatila.

Este artigo é uma homenagem aos mártires de Sabra e Shatila, para que o mundo não esqueça as atrocidades cometidas por Israel contra o povo palestino.

“When does a killing become an outrage? When does an atrocity become a massacre? Or, put another way, how many killings make a massacre? Thirty? A hundred? Three hundred? When is a massacre not a massacre? When the figures are too low? Or when the massacre is carried out by Israel’s friends rather than Israel’s enemies?”
Robert Fisk
 
(Nossos agradecimentos a Duccio Mallamaci  e Helena Kaspiri, cujas postagens no Facebook ajudaram a compor este artigo)
 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Estatísticas

  • 42,466 visitas
%d blogueiros gostam disto: