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Oriente Médio, Política Internacional, Síria

Rebeldes sírios atacam campo de refugiados palestinos de Yarmouk


Colunas de fumaça no mercado de Yarmouk. Refugiados palestinos também são vítimas das ações terroristas do Exército Livre da Síria.

Rebeldes sírios atacaram com morteiros o campo de refugiados palestinos de Yarmouk, localizado em Damasco.  O ataque, que matou 21 pessoas, inclusive crianças, foi mais uma das ações terroristas na onda incessante de violência por parte dos insurgentes do auto-proclamado “Exército Livre da Síria”.

A situação dos refugiados palestinos é particularmente sensível porque a Síria tem sido ao longo da história o principal aliado no mundo árabe da luta palestina contra Israel. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, cujo governo tem uma política rigorosa de neutralidade a respeito do conflito sírio, condenou o ataque Yarmouk.

“A presidência exige um fim imediato de todos os assassinatos e destruição nos campos de refugiados, e proteção para seus habitantes”, disse em um comunicado divulgado na agência de notícias oficial palestina.

Campo de refugiados palestinos de Yarmouk . © Hani Naim

O Campo de Yarmouk  foi criado em 1957, e hoje abriga cerca de 150.000 palestinos e seus descendentes expulsos de suas casas pela guerra em torno da criação de Israel de 1948. Yarmouk é um campo de refugiados “não oficial”, que abriga a maior comunidade de refugiados palestinos na Síria.

Ao contrário da imagem que vem sendo publicada na mídia Ocidental, o chamado “Exército Livre da Síria” é na verdade um aglomerado de desertores, bandidos, mercenários e grupos terroristas armados que são o fator motriz por trás da agitação e da violência mortal que assola o país. O governo sírio afirma que o caos está sendo orquestrado de fora do país, e há inúmeros relatos de que um número muito grande de rebeldes armados são estrangeiros, principalmente do Egito, Argélia, Arábia Saudita e no Afeganistão.

Relatórios do Serviço de Inteligência alemão (BND) tem levantado várias questões acerca da natureza terrorista dos rebeldes, considerando o fato de que muitos dos insurgentes armados que foram mortos em confrontos com forças de segurança sírias, portavam passaportes estrangeiros. Ainda segundo o BND, tem sido constatado o aumento da presença da Al-Qaeda na Síria, responsável por numerosos ataques terroristas, incluindo o massacre de Houla.

O jornal alemão Die Frankfurter Allgemeine Zeitung publicou no último dia 16 de julho estimativas BND de que a Al-Qaeda tenha realizado “cerca de 90 ataques terroristas” na Síria entre o final de dezembro passado e o início de julho,  informação confirmada pelo The New York Times, que publicou um artigo afirmando que existe “a evidência de que a Síria se tornou um ímã para extremistas sunitas, incluindo aqueles que operam sob a bandeira da Al-Qaeda.”

O governo alemão também confirmou que recebeu numerosos relatórios do BND sobre o envolvimento da Al-Qaeda no massacre na cidade síria de Houla, na província central de Homs, em que 108 pessoas, incluindo dezenas de crianças e mulheres, foram executadas. O Ocidente e a oposição da Síria culparam o governo sírio pelo massacre, mas os fatos apurados posteriormente revelaram que grupos armados ligados aos rebeldes foram os verdadeiros autores do massacre, realizado para fomentar conflitos sectários.

A Síria tem sido cenário de violência por grupos armados desde março de 2011. A violência, que custou a vida de milhares de pessoas, tem sido orquestrada por governos estrangeiros interessados na queda de Bashar Al-Assad. Países como Arábia Saudita, Qatar, e a maioria dos países ocidentais têm apoiado e financiado a violência na Síria, fornecendo logística, combatentes e inteligência para os movimentos anti-governamentais.

Na quinta-feira (02/08), Kofi Annan decidiu abandonar a sua missão como enviado especial das Nações Unidas e de Liga Árabe para a Síria, citando a falta de apoio e crescente militarização da agitação. O Ministério das Relações Exteriores sírio lamentou a renúncia, salientando o empenho de Damasco para o plano de paz de seis pontos negociado pelo enviado.

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