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Oriente Médio, Política Internacional, Síria

Síria: um relato em primeira mão – Entrevista de uma moradora de Aleppo à “Voz da Rússia”


Nos últimos dias a mídia ocidental têm noticiado constantemente sobre ferozes batalhas entre as tropas do governo e da oposição em Aleppo – a capital econômica da Síria. Seus relatos falam de intensos bombardeios, tanques nas ruas e aviões de guerra cruzando os céus, tendo por resultado centenas de mortes todos os dias. Entretanto, não mencionam fontes confiáveis e as imagens que mostram não passam de alguns segundos de nebulosos vídeos amadores. Mas então, o que está acontecendo em Aleppo?

Uma moradora da cidade, Fátima Banauwi, que trabalha na Universidade Aleppo, concordou com uma entrevista para a Voz da Rússia. Segundo ela, os rumores sobre as batalhas na cidade foram muito exageradas, embora em sua percepção as ruas da cidade não estejam mais seguras como antes da chegada dos rebeldes.

“Tentamos não ir para as ruas porque é inseguro lá agora. Protestos contra o governo  vem sendo mantidos o tempo todo, organizados pelo chamado Exército Livre da Síria. Mas não há moradores nesses protestos”.

(Voz da Rússia) – Quem vem para os protestos, então?

“Alguns de Idlib, alguns de Hama”.

(Voz da Rússia) – Você já os viu?

“Sim, eles são jovens, em torno de 15 a 16 anos. Eles parecem muito estranhos, andam com armas, xingam e atiram para o ar. Parece que eles estão fora de si, bêbados ou drogados”.

(Voz da Rússia) – E como está a vida dos cidadãos comuns agora?

“Bem, os preços subiram. Os rebeldes atacam os caminhões que trazem provisões de comida e outros produtos, mas não os usam. Eles jogam tudo fora ou os queimam. Por que eles fazem isso? Não faz nenhum sentido. Talvez para incitar a população local a se voltar contra o governo, eu não sei. Hoje de manhã eles estavam ameaçando os donos de algumas padarias. Eles colocaram tanques de gasolina enormes em frente às lojas e disseram: “Se vocês abrirem a loja hoje, vamos fazê-lo explodir!” Então, eles culpam as autoridades porque não há pão”.

“Mas apesar de tudo, conseguimos viver mais ou menos normalmente. É Ramadan agora, então nós vamos visitar nossos conhecidos, vibramos juntos, tentamos dar apoio uns aos outros, mutuamente. Acreditamos que tudo vai ser resolvido e o exército vai cuidar dos bandidos. Eles não podem nos assustar!”

(Voz da Rússia) – E o que dizem as emissoras de TV locais?

“Nós não sabemos qual o canal em que confiar. O “Halab Hoje”, do canal que apoia a oposição dá relatórios de cada explosão e tiroteio que acontece na cidade. E às vezes até mostram notícias antes que aconteçam! Eu não estou brincando, é verdade”.

(Voz da Rússia) – E como as unidades de defesa sírias operam na cidade?

“Os soldados agem de modo que os moradores locais não se machuquem. Mas os rebeldes atiram em qualquer lugar, eles não se importam com quem matam. Eles matam até mesmo as crianças! E então eles colocam fotos horríveis dessas crianças mortas na internet e escrevem que são vítimas do regime”.

(Voz da Rússia) – Em outras cidades, inclusive Damasco, os rebeldes forçaram os cidadãos a saírem de suas casas e ocuparam as suas casas …

“Nós não estamos deixando nossas casas! Os rebeldes querem saquear-nos. Essas pessoas não têm educação, não tem fé – eles são selvagens!”

(Voz da Rússia) – Sinto muito, parece que há algum tipo de barulho. É a TV ou o som vindo de fora?

“Não se preocupe, isso são os vendedores de rua. Eles usam megafones para anunciar seus produtos (risos).

Veja o texto original no site do Voz da Rússia: http://english.ruvr.ru/

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