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Líbia, Política Internacional

Veja porque a guerra contra a Líbia foi uma guerra contra a África inteira


Muammar al-Gaddafi investiu 97 bilhões de dólares para livrar a África do imperialismo!

Em 2010, Gaddafi ofereceu investimentos de cerca de US $ 97 bilhões à África para libertá-la da influência ocidental, com a condição de que os estados africanos se livrassem da corrupção e do nepotismo. Ele sempre sonhou com uma África desenvolvida e unida e estava prestes a tornar esse sonho realidade – e nada seria mais terrível para o Ocidente que uma África unida e desenvolvida.

Aqui está uma seleção das iniciativas da Líbia de Muammar al-Gaddafi postas em prática na África, bem como alguns dos projetos que estavam em andamento, e que explicam o por que da guerra ilegal do Ocidente contra a Líbia, que em sua essência foi uma guerra contra a África inteira.

UNIÃO AFRICANA: A Líbia de Gaddafi era um dos maiores contribuintes para o orçamento da União Africana. Na época, um diplomata líbio disse à Reuters que a Líbia foi um dos cinco países – os outros são a Argélia, Egito, Nigéria e África do Sul – que cobrem 75 por cento do orçamento da União Africana.

MALI: Por vários anos o Mali foi atormentado pelas atividades da milícia radical islâmica Al-Qaeda no Magreb Islâmico, em seus desertos do norte. As contribuições financeiras de Gaddafi e a diplomacia líbia foram fundamentais para amenizar os conflitos no norte do Mali entre os rebeldes e o governo. Em 2010, a Líbia ajudou na  implantação de dois planos de segurança para combater a instabilidade no norte do país. Após a queda de Gaddafi o país sofreu um golpe de estado. Aproveitando-se a confusa situação na capital Bamaco, os tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawad  declararam a independência desta região no norte do Mali, criando o Estado Independente de Azawad. Grupos ligados à Al-Qaeda também tomaram o controle de algumas cidades do norte.

CONGO: A Líbia de Gaddafi investiu 65 bilhões de dólares em fundos soberanos, incluindo um projetado especificamente para fazer investimentos na África. A Libyan Arab African Investment Company (Companhia Líbia de Investimentos Árabes Africanos), um veículo do fundo de riqueza soberana (SWF) da Líbia adquiriu o Le Meridien, um dos maiores hotéis do Congo, que teve sua reforma e modernização totalmente paga pelo investimento líbio. Em 2010, a Líbia planejava financiar a construção de uma estrada ao norte da capital do Congo, Brazzaville, onde também seria construída uma mesquita.

LIBÉRIA: A Líbia vinha investindo milhões de dólares em projetos de investimento, ajudando a reforçar o Estado do Presidente Ellen Johnson Sirleaf, um dos países mais pobres do Mundo. A ajuda de Gaddafi incluiu o financiamento de uma fábrica de processamento de borracha construído em Gbarnga, uma escola técnica e profissional para deficientes, bem como a assistência Líbia para enfrentar a crise alimentar na Libéria.

NÍGER: Também no Níger Gaddafi ajudou o governo a enfrentar a pobreza e as dificuldades sociais e econômicas de um dos países mais pobres da África. Em 2010 o então primeiro-ministro líbio Al-Baghdadi Ali al-Mahmoudi visitou o Níger, e anunciou a criação de um fundo de investimento de 100 milhões de dólares para o Níger, como parte de um fortalecimento dos laços bilaterais, além da contribuição de 100 milhões de euros para a construção de uma rodovia Trans-Saariana, no norte do país. Todas as obras foram paralisadas com a queda de Gaddafi.

CHADE: Gaddafi foi um dos principais aliados do governo do Chade, país assolado por guerras civis e invasões desde a sua independência da França em 1960. Após anos de instabilidade, em 2007 Gaddafi intermediou um acordo de paz entre quatro grupos rebeldes e o governo do Chade, assinado em Sirte.
Em 2010, a Líbia fez um enorme investimento (90 milhões de dólares) na Companhia Nacional de Telecomunicações do Chade, o que significou um aumento do número de usuários de telefones celulares do Chade de 100.000 para dois milhões.

Tal investimento fazia parte das operações da  Rede LAP Green, criada em 2007 e de propriedade integral da Carteira de Investimentos da Líbia, para investimentos em telecomunicações na África. Quando da queda de Gaddafi a LAP Green operava em oito países africanos – Uganda, Ruanda, Sudão, Costa do Marfim, Zâmbia, Serra Leoa, Togo e Níger e Chade, com mais de cinco milhões de assinantes, oferecendo aos seus usuários tecnologias de comunicação avançadas, tais como telefonia fixa e móvel, bem como acesso à Internet. A verdade é  que  a Líbia de Gaddafi proporcionou à África sua primeira revolução nos tempos modernos – ligando o continente inteiro por telefone, televisão, radiodifusão e várias outras aplicações tecnológicas, tais como telemedicina e ensino à distância.

Esse fato merece uma atenção especial, e talvez seja a razão pela qual, especificamente, colocou a França como principal personagem na aliança militar que derrubou o líder Muammar al-Gaddafi. Tudo começou em 1992, quando 45 nações africanas criaram um projeto para construir e operar seu próprio satélite e reduzir os custos de comunicação no continente. Nessa época as tarifas telefônicas africanas eram as caras do mundo, em razão de taxa de 500 milhões de dólares anuais pagos à Europa para o uso de seus satélites, como a Intelsat, para conversas telefônicas.

Entretanto, apesar do relativamente baixo custo de 400 milhões de dólares e dos grandes benefícios que trariam ao continente africano, nem o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, os EUA ou a União Européia atenderam aos pedidos de financiamento feito pelos países africanos.

Gaddafi pôr fim a esses apelos inúteis para os organismos e países do Ocidente, investindo 300 milhões de dólares no projeto; logo depois, o Banco Africano de Desenvolvimento adicionou 50 milhões dólares e mais 27 milhões de dólares, e foi dessa maneira que a África lançou o seu primeiro satélite de comunicações em 26 de dezembro de 2007.

China e Rússia seguiram o exemplo e partilharam a sua tecnologia e ajudaram a lançar satélites para a África do Sul, Nigéria, Angola, Argélia e um segundo satélite africano foi lançado em julho de 2010.

Eis como a coragem e a generosidade de Muammar al-Gaddafi mudou a vida de um continente inteiro. A Líbia de Gaddafi não apenas livrou a África do absurdo pagamento de 500 milhões de dólares por ano, mas também bilhões de dólares em dívidas e juros que o empréstimo inicial geraria para os próximos anos e de forma exponencial.

REPÚBLICA CENTRO AFRICANA: a Líbia de Gaddafi ajudou a sustentar o frágil governo da República Centro Africana através do envio de pára-quedistas para a capital Bangui em 2001 para deter um golpe de estado. Em 2008, Gaddafi desempenhou um papel fundamental no acordo de paz entre o governo e grupos rebeldes.

MAURITÂNIA: A Líbia de Gaddafi emprestou à Mauritânia cerca de 200 milhões de dólares. Durante as discussões sobre a redução da dívida em maio de 2010, o Banco Central da Líbia anunciou que a Líbia doaria 50 milhões de dólares para construir um hospital e uma universidade na Mauritânia.

ETIÓPIA: A União Africana, com sede na capital da Etiópia, poderia encontrar-se com problemas financeiros, não fosse o apoio maciço do governo de Gaddafi. Sob seu governo, a Líbia forneceu 15% do pagamento da anuidade da UA, e ainda pagou as dívidas de muitos países menores e mais pobres do Continente Africano. Para buscar uma solução do conflito Eritréia-Etiópia, Gaddafi enviou um enviado especial para a Etiópia em 2000. Em 2008, a Oil Libya comprou a subsidiária da Shell na Etiópia, num acordo que também incluía preservar os empregos de todos os funcionários da Shell.

SOMÁLIA: Em 2008, a Líbia de Gaddafi decidiu conceder um fundo de investimento para a Somália através do Investimento Sahel-Saharan e Banco do Comércio para financiar obras de infra-estrutura, como estradas e pontes dentro da Somália.

Tudo isso explica porque o Ocidente – em especial a Europa – se esforçou em derrubar Gaddafi, levando para a Líbia uma guerra ilegal e imoral. Se para o Ocidente a imagem de Gaddafi foi estereotipada como a de um ditador excêntrico e simpatizante do terrorismo, para os africanos Gaddafi sempre será lembrado como um homem generoso, um humanista, entusiasta do pan-africanismo, conhecido por seu apoio generoso para a luta contra o imperialismo, e que teve papel fundamental para a formação da União Africana e o desenvolvimento do Continente.

Hoje a situação na Líbia – que durante o Governo de Gaddafi foi um oásis de progresso social no Norte da África – continua a deteriorar-se após a guerra bárbara desencadeada contra o país pelos EUA, os imperialistas britânicos e franceses, juntamente com uma gama de aliados da Otan, e do assassinato selvagem do líder revolucionário do país, Muammar al-Gaddafi.

Direitos instituídos há muito tempo, assim como os programas sociais para as mulheres, os trabalhadores e a juventude, foram abruptamente cancelados, para serem substituídos pelo esbulho do vasto patrimônio do país, uma vez que grande parte das propriedades públicas e suas riquezas naturais tem sido apropriados pelos monopólios imperialistas e por um pequeno grupo local de ladrões, em conluio com eles.

Não há segurança para as pessoas comuns, pois grupos rivais de milícias competem pelos despojos da guerra. E para os vizinhos da Líbia e o continente Africano, a crise imperialista agora vem afetando seriamente suas economias, uma vez que a generosa ajuda que a Líbia dava aos países africanos para estimular seu desenvolvimento simplesmente desapareceu.

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