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Bashar al-Assad nega qualquer ligação com o massacre em Houla e denuncia complô internacional contra a Síria.


Em discurso proferido no último dia 03/06 no Parlamento Sírio, o presidente, Bashar al-Assad, negou que seu governo tenha qualquer ligação com o massacre em Houla, quando mais de 100 pessoas – entre eles mulheres e crianças – foram selvagemente assassinadas.

– “Se nós não sentimos a dor que aperta nossos corações, como eu sinto, por causa das cenas cruéis, especialmente as crianças, então não somos seres humanos”, declarou Assad no primeiro pronunciamento público desde janeiro. O presidente sírio afirmou ainda que não existe vontade popular por trás da revolta que começou no ano passado e que são os extremistas e terroristas estrangeiros que estão liderando os protestos contra seu governo os verdadeiros culpados pelo derramamento de sangue na Síria.

Segundo Assad, seus oponentes ignoraram seus movimentos em direção a reformas, incluindo um referendo sobre uma nova Constituição e recentes eleições parlamentares. Ele sugeriu que isso significa que a busca por democracia não é o que guia a revolta. No dicurso Assad também afirmou que as portas de Damasco estão abertas para o diálogo com a oposição – um ponto importante do plano de paz da ONU – mas apenas se as partes envolvidas não tiverem agendas estrangeiras e não estiverem ligadas ao terrorismo.

– “A colonização permanece colonização, mas ela muda suas faces e métodos“, disse o presidente sírio. “Temos que lutar contra o terrorismo para salvar a nação e vamos continuar firmemente a fazê-lo. Estamos preparados para dialogar com aqueles que não recebem instruções do exterior, mas não haverá diálogo com aqueles que buscam a intervenção estrangeira“.

As afirmações de Assad acerca da autoria dos crimes cometidos em Houla são ratificadas pelo testemunho da jornalista russa Anna Marat Musin, que estava na região de Houla durante o massacre e escreveu sobre suas experiências. Veja a seguir os trechos mais relevantes de seu relato:

– “No fim de semana de 25 de maio de 2012, em cerca de duas horas, grandes grupos de combatentes atacaram e capturaram a cidade de Al-Hula da província Homs. […] A cidade foi atacada a partir do nordeste por grupos de bandidos e mercenários, cerca de 700 pessoas. Os militantes vieram de Ar-Rastan (Brigada de al-Farouk do Exército Livre da Síria, liderado pelo terrorista Abdul Razak Tlass), da vila de Akraba (liderado pelo terrorista Al-Yahya Yousef), da aldeia Farlaha, apoiado por bandidos locais, e de Al Hula. […]Quando os rebeldes tomaram o menor ponto de verificação no centro da cidade e localizado próximo ao departamento de polícia local, eles começaram a varrer todas as famílias leais às autoridades em casas vizinhas, incluindo os idosos, mulheres e crianças. Várias famílias da Al-Sayed foram mortos, incluindo 20 crianças e jovens da família do Abdulrazak. […] As pessoas foram mortas com facas e disparos à queima-roupa. Em seguida, eles apresentaram os corpos à ONU e à comunidade internacional como vítimas de atentados por parte do exército sírio, algo que não foi verificado por todas as marcas em seus corpos […]Durante o ataque […] os homens armados perderam 25 combatentes que foram então submetidos aos observadores da ONU, juntamente com os 108 civis mortos – “vítimas do regime”, alegadamente mortos por bombardeio do exército sírio. Quanto aos restantes 83 corpos, incluindo 38 crianças, eram das famílias que foram executados por militantes, todos leais ao governo da Síria

A ativista italiana e jornalista independente Marinella Correggia também diz que existem muitos fatos que lançam enormes dúvidas sobre alegações de que as forças do governo da Síria estiveram por trás do massacre Houla. Em uma entrevista na Russia Today, ela menciona que todas as vítimas do massacre parecem ter sido mortas à queima-roupa e não como resultado de ataques de artilharia, o que não torna plausível que o exército sírio tenha atacado Houla com armas pesadas, matando as crianças. Correggia aponta para o fato de que alguns dos vídeos on-line fornecem informações erradas: “Um dos vídeos no YouTube em espanhol diz: “milícias pró-Assad mataram crianças em Hula”, mas na verdade mostra imagens de crianças que a Sana e a Press TV dizem terem sido mortas por grupos armados da oposição em outras aldeias”. Ela afirma que é “quase impossível” que o governo sírio tenha realizado o massacre.”Deve-se perguntar: quem lucra com os massacres que acontecem perto de qualquer reunião do Conselho de Segurança, como no massacre em Homs em fevereiro, ou antes e durante as visitas de Kofi Annan? Portanto parece-me quase impossível que o governo tenha realizado ou dado luz verde para isso“.

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