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Azawad, Líbia, Política Internacional, Síria

Caos na Líbia: tuaregues fogem para a Argélia em meio a relatos de limpeza étnica


Um grande número de tuaregues está tentando fugir da cidade líbia de Ghadames para a Argélia depois que uma campanha de limpeza étnica foi lançada contra eles pelas forças leais ao Conselho Nacional de Transição da Líbia. Mas muitos dos tuaregues têm sido incapazes de entrar Argélia por falta de documentação.

Fontes líbias afirmaram que os tuaregues tem sido submetidos à limpeza étnica nos últimos oito meses pela tribo Ghadames, que é apoiada por forças filiadas ao Conselho Nacional de Transição. Casas, estábulos e estabelecimentos comerciais pertencentes à membros das tribos tuaregues tem sido atacados e destruídos, e seus donos expulsos da cidade, sendo forçados a fugirem para a Argélia (Veja o vídeo em: https://www.youtube.com/user/samlibyano).

Os líbios de pele escura, entre eles os tuaregues tem sido submetidos a todo tipo de perseguição, tortura e execuções sumárias praticadas pelo Conselho Nacional de Transição, com o aval da OTAN

De acordo com os fugitivos, muitos tuaregues foram submetidos a detenção ilegal em locais secretos e em condições desumanas. Eles acrescentaram que os membros das tribos Ghadames estão à procura de membros tuaregues em todos os lugares, mesmo nos hospitais, para matar e torturar.

Representantes tuaregues da cidade líbia de Ghadames expressaram seu temor de liquidação física, especialmente após a chegada de um grande número de tropas do Conselho Nacional de Transição. De acordo com os tuaregues, a escalada de acontecimentos colocam-nos em iminente perigo, e uma intervenção internacional seria necessário para livrá-los da morte.

A Líbia tem mais de 500.000 tuaregues distribuídos entre as cidades de Ghadames, Ghat, Ubari e Sabha, onde estabeleceram relações estreitas com algumas famílias líbias.

De acordo com informações de Ghadames, a situação estabilizou-se após uma semana de confrontos armados entre jovens membros de famílias locais e os tuaregues. A última atrocidade que se tem notícia foi o assassinato de quatorze tuaregues, ocasião em que pelo menos outras 20 pessoas de ambos os lados foram feridos por tiros. A passagem da fronteira da Argélia foi fechada para os fugitivos de Ghadames, uma vez que não possuem passaportes ou outras provas de suas identidades. Com isso, centenas de tuaregues líbios que escaparam da perseguição estão presos na fronteira argelino-líbio em duras condições de sobrevivência.

Os tuaregues lutaram ao lado de Kadafi contra as forças mercenárias do CNT e da OTAN. Na foto, soldados tuaregues.

A limpeza étnica contra os tuaregues, promovida pelos mercenários racistas do CNT com a complacência das forças ocupantes da OTAN, tem ocorrido desde o início da rebelião que derrubou o governo de Muammar Kadafi. Uma  cidade inteira a sudoeste de Misratah (Tawerga) foi destruída, as casas demolidas e os moradores mortos ou deslocados. O mesmo está acontecendo no sul da Líbia, em Sabha e Kufra, onde 12 pessoas foram assassinadas.

Entretanto, o racismo cultivado na Líbia contra os negros – não apenas os tuaregues mas também outras tribos como os toubu – por parte de quem tomou o poder, sob a alegação que eles são todos “mercenários de Kadafi”, pode acabar por unir as populações dispersas em todo o Sahara e Sahel, tendo em conta os relacionamentos que efetivamente Kadafi cultivou com os países a sul da Líbia, nessa imensa região e na África do Oeste.

A verdade é que sob a égide de Muammar Kaddafi o povo tuaregue tinha seus direitos respeitados e viviam integrados à grande Nação Líbia. Hoje, vivem temerosos diante da intolerância racista do CNT.

Kaddafi certamente teria apoiado a declaração de independência de Azawad. Lamentamos pela África; lamentamos pela perda do grande líder que engendrou e lutou pela doutrina do pan-africanismo, uma África livre da herança do colonialismo. Saudações ao Estado Independente de Azawad. Saudações ao povo Kel Tamashek. Honra à memória do grande líder africano Muammar Kaddafi!

Ao povo da Síria, um alerta! Em nome de uma pretensa causa humanitária – proteger civis inocentes das “forças do Regime líbio – a OTAN foi chamada para destruir o país, matar gente e espalhar a miséria. O único resultado desta guerra, como invariavelmente aconteceu em todas as guerras e intervenções em que o Ocidente se envolveu, foi a divisão das pessoas que antes da intervenção viviam lado a lado como irmãos e irmãs, em paz e unidade. A Líbia hoje é um país em caos. Grupos fazem justiça com as próprias mãos, perseguindo aqueles que eles pensam terem sido aliados do regime de Kaddafi. O vácuo de poder na Líbia foi preenchido por milícias fortemente armadas que ainda controlam grande parte da nação devastada pela guerra. Imagens dos campos de refugiados espalhados pelo país revelam a extensão das infra-estruturas destruídas. (http://globalciviliansforpeace.com/2012/05/17/playground-war-libya-documentary/#more-3900)

Na Síria, se o apoio ocidental à insurgência continuar, a Líbia e a História mostram que o resultado será o mesmo. 

Que Deus abençoe e ilumine todos aqueles que lutam pela Verdade, pela Justiça e pela Liberdade!

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