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Al Nakba – É preciso dar fim à impunidade de Israel para tornar efetivas as legítimas aspirações do povo palestino de autodeterminação, independência e retorno à sua terra.


O dia 15 de maio de 1948 – o dia seguinte à criação do Estado de Israel –  é lembrado pelo povo palestino como Dia da Catástrofe (Al-Nakba), ou Êxodo Palestino. Em um único dia, as aldeias e cidades palestinas foram invadidas e incendiadas e 750.000 moradores expulsos, executados, submetidos ao “desaparecimento forçado” ou à condição de refugiados.

Apesar da insistência sionista em propagar que a criação do estado de Israel foi uma “compensação” pelo suposto holocausto, a verdade é que essa história  começou muitos anos antes, no final do século XIX, quando foi realizado o primeiro congresso sionista, estabelecendo a Organização Mundial Sionista (WZO), formada por intelectuais e empresários judeus fixados na Europa, aliados à oligarquia financeira mundial.

Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha prometeu a independência das terras árabes, inclusive da Palestina, então sob controle do Império Otomano, se os árabes os apoiassem contra a Turquia, então aliada da Alemanha.

Em 1917 a Grã-Bretanha derrotou o exército Otomano e conquistou a Síria e a Palestina. No contexto da Primeira Guerra Mundial, em que os britânicos precisavam de apoio judeu tanto no plano político-financeiro quanto científico, a a Grã-Bretanha apresentou naquele mesmo ano, a Declaração de Balfour (ver glossário), com a promessa de criar um “Lar Nacional Judeu” na Palestina, documento que foi incorporado ao Tratado de Paz assinado na França com os turcos. Em 1919, o Acordo Feizal-Weizman estimulou a migração de judeus para a Palestina e seu imediato assentamento.

Em 1922, o Conselho da Liga das Nações outorgou à Grã-Bretanha uma comissão legal para a administração da Palestina. O British Mandate, efetivado no ano seguinte os autorizava a aceitar e administrar a imigração judia, protegê-los e ao mesmo tempo defender os direitos civis e religiosos dos palestinos. O mandato britânico permitiu ainda aos sionistas montar uma indústria bélica, que chegou a produzir “200 metralhadoras por dia, 400.000 cartuchos calibre 9 mm por mês, 150.000 obuses e 30.000 granadas calibre 3 polegadas; sem contar os morteiros pesados e leves e uma indústria muito adiantada de mina”. (Hussein Triki, in “Eis aqui Palestina”, pg. 53 pg. 121). A partir de então se intensificou a imigração judaica na Palestina. Nos anos que decorreram após a obtenção do mandato inglês, de 1919 a 1939, 400.000 imigrantes judeus instalaram-se naquele país.

Em 1936, uma grande revolta árabe eclodiu por iniciativa do Alto Comando da Palestina recém-criado para defender o país do que entendiam como “invasão” judia. A revolta de durou até 1939, começou com uma greve geral e recusa de pagar impostos aos britânicos e degenerou em uma violência que resultou na morte de duzentos soldados britânicos, quatrocentos imigrantes israelitas e cinco mil palestinos.

Concomitantemente, aumentava consideravelmente o afluxo dos capitais. Em 20 anos, 575 milhões de dólares foram investidos na Palestina, dos quais três quartos desse valor a favor da burguesia judaica, sendo uma parte utilizada na compra de terras.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus europeus imigraram para a Palestina, ocasião em que aumentaram os distúrbios entre árabes e judeus, e surgiram os primeiros grupos terroristas judeus, como o Irgun de Menachen Begin.

Ao final da guerra, o movimento sionista, cujo eixo havia se deslocado para os EUA, passou a exercer uma maior pressão internacional para a criação de um Estado judeu. Em abril de 1947, a Grã-Bretanha solicitou a convocação de uma sessão extraordinária da Assembléia-Geral da ONU, para estudo da “Questão Palestina”. Em novembro de 1947, na Assembléia-Geral da ONU, foi votada a partilha da Palestina, quando 33 Estados votaram a favor, treze Estados votaram contra e 10 abstiveram-se. Os votos que decidiram a favor da partilha vieram do Haiti, Libéria e Filipinas – considerados países “satélites” dos EUA – os quais eram inicialmente contra a partilha, mas foram pressionados a votar a favor. Jerusalém teria status de cidade internacional. A ONU destinou aos judeus as terras mais férteis da Palestina, como a planície costeira e a planície do Esdrelon, além do Lago da Galiléia. Embora a população árabe na época da partilha, comportasse 2/3 da população total da Palestina, a ONU lhe destinou apenas 42,88% do território, com terras arenosas e pobres.

No dia 9 de abril de1948, ocorre o massacre de 250 palestinos na aldeia de Deir Yasin, próxima a Jerusalém, com anciões e crianças degoladas, mulheres grávidas estripadas. O bárbaro ato foi promovido por homens do Irgun, sob o comando de Menahen Begin. Os terroristas judeus não se preocuparam em ocultar o massacre. Expuseram os corpos e escombros aos correspondentes internacionais como ato de orgulho e intimidação. Hoje, Deir Yassim resta enterrada sob o bairro Kfar Shaul, subúrbio de Jerusalém Ocidental, e foi um dos 418 povoados palestinos sobre cujas ruínas se ergueram cidades israelenses. Terroristas judeus já haviam assassinado 4 policiais em Tel Aviv, no dia 26 de setembro de 1947, e em 20 de outubro do mesmo ano haviam matado o Xeque Ahmed Salama Touiki e mais 4 membros de sua família, perto da localidade de Ranana. No dia 14 de maio de 1948, em Tel Aviv, David Ben Gurión leu a proclamação do Estado de Israel.

E assim, somos transportados aos conflitos da época atual. Enquanto do lado israelense se comemora o “Dia da Independência”, os árabes, em especial os palestinos, lamentam o Dia da Catástrofe (15 de maio de 1948), como um dia de memória, luto e resistência.

Infelizmente, o Nakba nunca cessou. Ao longo dos 64 anos que passaram desde aquele fatídico 15 de maio, o sionismo continuou a tomar terras dos palestinos e submetê-los a uma criminosa política de ocupação e discriminação. Na Guerra de 1967 Israel tomou toda a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia (incluindo a parte Oriental de Jerusalém) e as Colinas de Golã. Nos vinte anos seguintes foram instaladas 163 colônias agrícolas na Cisjordânia e 12 em Gaza. Entre 1948 e 1970, mais de 1.300.000 imigrantes judeus se instalaram na Palestina, aumentando a população judia de 700.000 para 3.000.000. A Lei do Retorno concede, ainda hoje, cidadania israelense a qualquer judeu no exterior que chegue para viver no país.

Na virada de 2008 para 2009, a catástrofe se repetiu, com os bombardeios sobre a Faixa de Gaza (veja mais sobre o Massacre de Gaza em: https://mkninomiya.wordpress.com/2011/12/29/o-massacre-de-gaza/). Mas não acabaram as violações. Os cidadãos de Gaza sequer podem reconstruir seus prédios, devido ao bloqueio econômico e militar na fronteira com Israel e no acesso marítimo. Há um ano, em maio de 2010, Israel atacou em águas internacionais a Frota Gaza Livre, uma frota de embarcações que se dirigia a Gaza com 750 pessoas desarmadas de 50 países, levando 10 toneladas de materiais de construção, alimentos, remédios, brinquedos e livros. Na emboscada, 9 ativistas desarmados foram mortos, mais de 30 feridos, e os demais foram presos e denunciaram que teriam sido forçados a assinar documento dizendo que teriam entrado ilegalmente em Israel, para serem libertados. Milhares de ativistas da causa palestina estão nas prisões israelenses.

Nas palavras de Saeb Erekat, um dos principais assessores do presidente Mahmoud Abbas e membro do Comitê Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP): é preciso que a comunidade internacional “pague sua dívida histórica com o povo palestino” pela Nakba (catástrofe), o exílio e a usurpação de suas terras que os palestinos lembram hoje com passeatas e manifestações. “Há 64 anos, a vibrante sociedade e a rica cultura de uma nação foi forçada ao exílio e à expulsão em massa. Um país foi riscado do mapa. Hoje, a comunidade internacional tem a responsabilidade moral de reparar o que aconteceu“.  A forma de corrigir esta injustiça é “pôr fim à impunidade de Israel e tornar efetivas as legítimas aspirações do povo palestino de autodeterminação, independência e retorno“.

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