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Oriente Médio, Política Internacional, Síria

Cristãos da Síria defendem Assad e atacam França e EUA


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O artigo abaixo foi escrito pelo jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009. Seu relato faz parte de uma série de reportagens que fez durante uma viagem à Síria, e apenas confirma o fato de que o regime de Bashar al-Assad tem sido vítima de uma campanha midiática promovida pelo Ocidente, que tenta “demonizar” um governo que conta com o apoio de grande parte de sua população.
A verdade é que, longe de estar enfraquecido,  Assad conta com amplo apoio da população síria, que tem demonstrado seu patriotismo e sua aprovação ao governo através de manifestações nas principais cidades do país, sempre reunindo milhares de pessoas munidas de bandeiras sírias e retratos de Assad, que  pedem que “o mundo ouça a voz da Síria e deixe a Síria em paz”. 
 
Segue o relato:

Os cristão sírios estão com medo de uma queda de Bashar Assad. Ao longo do tempo em que fiquei na Síria, uma série de seguidores e líderes cristãos me disseram que, para eles, a queda do líder sírio poderia significar o fim do cristianismo nas terras por onde passou São Paulo e do túmulo de São João Batista, dentro da mesquita dos Omíadas.

 “Todos os dias, das 5h às 7h, rezamos pela estabilidade de Assad no poder. Queremos tranqüilidade. O que os EUA e a França querem? Diga a eles que vivemos bem. O nosso presidente é muito bom. O Exército está preparado para respeitar a religião cristã”, afirmou a madre Frevonia Nabham, uma cristã grego-ortodoxa, chefe do convento de Saydnaya, o mais importante de país. Ela fez questão de mostrar os quadros de Assad, um muçulmano alauíta de viés laico, em meio a imagens de santos na parede.

George, um cristão siríaco-ortodoxo de Damasco, disse que “os alauítas, como Assad, entendem as liberdades dos cristãos. Mas isso acabará se os sunitas chegarem ao poder. Estamos todos com muito medo do que pode acontecer se Bashar for derrubado. Nós gostamos muito dele e o defenderemos até o fim. Em seguida, ele rezou o Ave Maria e o Pai Nosso em aramaico, língua falada por Jesus, para que Assad permaneça no poder.

Assim como o Líbano, a Síria é um dos últimos bastiões onde os cristãos ainda são fortes no Oriente Médio. Os do Iraque passaram a ser perseguidos depois da ocupação americana e a queda de Saddam Hussein; igrejas são queimadas no Egito, onde os cristãos coptas são mortos; e os palestinos de cidades como Belém imigram culpando a ocupação israelense da Cisjordânia e o radicalismo do Hamas na Faixa de Gaza.

A preocupação com o destino dos cristãos levou até mesmo o Patriarca da Igreja Cristã Maronita no Líbano, Beshara Rai, a defender Assad em uma série de declarações. Os patriarcas cristãos grego-ortodoxo, grego-católico, siríaco e assírio de Damasco manifestaram abertamente apoio ao líder sírio. Caldeus, fugindo do Iraque, também dizem que a Síria é seu último refúgio. Armênios fazem questão de afirmar que os sírios e os libaneses os receberam depois do genocídio turco.

Entre os cristãos da Síria, que representam cerca de 10% da população, tem ganho força uma teoria da conspiração, propagada pela imprensa oficial, envolvendo um suposto plano da França, dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e Israel  para expulsar os cristãos do mundo árabe. E, segundo eles, além de Assad, quase ninguém apóia estes cristãos sírios, palestinos, libaneses e iraquianos – no Líbano, porém, o líder sírio sofre oposição de algumas facções políticas cristãs como a antiga Phalange e a milícia Forças Libanesas, de Samir Gaegea.

“Sarkozy disse que nos dá passaporte e visto (para os cristãos). Quem disse que queremos? Somos cristãos e estamos bem aqui, com Assad. Não queremos os EUA e a Europa se metendo nas nossas vidas. Somos cristãos e sírios. Os verdadeiros cristãos. Mas os americanos e franceses querem nos tirar daqui. Querem limpar esta região dos cristãos”, afirmou Youssef Massad, líder dos moradores da cidade Maloulla, um dos centros do cristianismo oriental que ainda mantém o aramaico como idioma das conversas do dia a dia.

Procurada, a missão francesa junto às Nações Unidas me disse que estas declarações são um absurdo. Historicamente, a França sempre defendeu o cristianismo no Líbano e na Síria.

Para os cristãos sírios, o Brasil é fundamental para a salvação deles neste momento porque o país contém uma das maiores comunidades de imigrantes vindos da Síria em todo o mundo. “Avise aos brasileiros que os cristãos da Síria apóiam Bashar. São os americanos e franceses que não nos querem aqui”, disse o cristão Michel Khoury em Damasco.

O padre Taher Youssef, em uma igreja grego-católica (melquita) em Damasco,  afirmou que “os iraquianos nos explicaram o que aconteceu em seu país depois da invasão americana. Os EUA deram poder aos radicais muçulmanos(em Bagdá) e eles (os cristãos caldeus) precisaram vir para a Síria, já que Bashar al Assad é o único líder do mundo que defende os cristãos árabes”. Na parede, uma foto do líder sírio é maior do que a do próprio papa.

Na região de Jarumana, que concentra os refugiados iraquianos, um cristão vindo de Bagdá afirmou que Assad “ofereceu tudo” a eles. “Se ele cair, não teremos para onde ir. A Síria é o último abrigo dos cristãos. Os EUA e a França não fazem nada para nos ajudar. Somos daqui, somos árabes, não queremos ir embora. Sem Assad, isso vai acontecer”, afirmou. Ao redor, outros cristãos iraquianos e sírios concordavam com ele. Ao todo, a Síria recebeu cerca de 2 milhões de refugiados do Iraque de todas as religiões, mais do que quatro vezes o resto do mundo todo somado. No país, os iraquianos, assim como os palestinos, têm todos os direitos, menos a cidadania.

Mesmo durante o dia, no bairro de Bab Touma em Damasco, gays circulam tranquilamente pelas ruas, algo inimaginável em outros países árabes, a não ser o Líbano. Na Arábia Saudita, poderiam ser mortos. Jovens bebem nas ruas de Damasco e se preparam para baladas nas noites de quinta. Meninas usam roupas justas e cabelos soltos, muito pintadas. Não há o menor problema em paquerar.

“Veja, aqui na Síria você pode beber e namorar as mulheres. Não é como na Arábia Saudita. Lá elas nem podem andar sozinhas”, disse Michel Khoury. Massad, dos cristãos de Maloulla, também atacou os opositores. “Falo de boca cheia. Eles pedem liberdade? Para quê? Querem democracia? Para quê? Eles não dão liberdade nem mesmo para as famílias deles. Minha mulher e minha filha podem se vestir do jeito que quiserem. E as deles?”, disse em clara alusão aos radicais islâmicos sunitas, como tem sido pintada a oposição síria internamente.”

Para saber mais sobre a situação na Síria, leia também:
https://mkninomiya.wordpress.com/2012/04/08/deixem-a-siria-em-paz/ 
 
http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23409 (sobre a perseguição do Conselho Revolucionário de Homs e do Conselho Nacional da Síria contra os cristãos)
 
http://pesformosos.com/cristaos-na-siria-sao-alvos-de-uma-serie-de-sequestros-e-assassinatos/ (sobre sequestros e assassinatos de cristãos pelos insurgentes)
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