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Egito suspende o fornecimento de gás natural para Israel por falta de pagamento. População egípcia comemora nas ruas o rompimento de um acordo que só trouxe prejuízos ao Egito


A empresa nacional de gás do Egito, Egas, anunciou na noite de domingo (22/04) a suspensão do fornecimento de gás natural para Israel. Segundo o diretor da Egas, Mohamed Shoeb, a decisão não tem nenhum componente político, e foi tomada porque Israel não pagou pelo gás fornecido nos últimos quatro meses.

Nas ruas do Cairo os habitantes mostram-se satisfeitos com a decisão, uma vez que o acordo de fornecimento – derivado do anexo III do Tratado de Camp David (1979) – nunca favoreceu o seu país, uma vez que o preço cobrado pelo gás natural está muito abaixo dos praticados no mercado internacional.

– “Foi a melhor decisão tomada pelo Egito desde a revolução de 25 de janeiro e o antigo regime deveria ter já cortado há muito tempo todas as relações com Israel”.
 
– “O Egito não tem nada a ganhar com este negócio uma vez que vendemos por um preço muito baixo nos últimos trinta anos e esta situação era bastante injusta”.

O atual contrato de venda de gás foi firmado em 2005 e deriva de uma cláusula do Acordo de Camp David. No texto original de 1979, o Egito se comprometia a fornecer petróleo a Israel por 20 anos. Esta cláusula acabou sendo substituída por um contrato comercial de fornecimento de 7 bilhões de metro cúbicos de gás natural também por 20 anos. Na época, o negócio foi amplamente criticado no Egito, mas solidamente apoiado pelo ex-presidente Hosni Mubarak, que enfrenta acusações criminais por seu papel no negócio firmado com Israel.

Autoridades israelenses insistem que os termos do contrato são justos, mas os promotores do Egito disse em abril passado o Estado havia perdido mais de 714 milhões de dólares. Os detalhes do acordo nunca foram divulgados publicamente, mas ex-funcionários egípcios disseram que o gás foi inicialmente vendido à EMG – East Mediterranean Gas Company, operadora israelense do gasoduto – por cerca de US$ 1,25 por unidade térmica britânica (BTU), e depois aumentou em 2008 para US $ 4 por BTU. O governo vende gás para empresas egípcias por cerca de US$ 4 por BTU, e em contratos comerciais com Turquia, Grécia e Itália o preço do BTU varia de US$ 7 a US$ 10.

“O que a população está dizendo aqui no Egito é que estamos subsidiando o povo de Israel, enquanto não estamos subsidiando os egípcios”, disse ao Wall Street Journal o presidente da Genco Group, uma empresa de distribuição de gás natural egípcio, Tamer Abu Bakr.

Desde que o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak foi derrubado no ano passado, o governo israelense tem estado tenso sobre seu relacionamento com o Egito, particularmente desde o início de uma série de ataques a gasodutos por militantes islâmicos, na tentativa de forçar o rompimento do acordo entre Egito e Israel. A ascensão dos partidos islâmicos nas eleições parlamentares deu ainda mais peso a esses temores.

Em Israel, a cúpula política reagiu com irritação ao rompimento do contrato. O ex-ministro de Energia e Água de Israel, Benjamin Ben-Eliezer, disse que a medida é mais uma indicação de que há possibilidade de um conflito em breve entre Israel e Egito. Por sua vez, o líder da oposição israelense, Shaul Mofaz, afirmou que o cancelamento é uma violação clara do Acordo de Camp David, e defendeu que a medida seja imediatamente contestada pelos EUA.

Contrariando as interpretações israelenses, executivos da Egas descartam qualquer motivação política para o rompimento do contrato de fornecimento, afirmando tratar-se exclusivamente de uma disputa de interesses comerciais. Segundo o ministro de Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul Naga, o país está pronto para retomar as exportações de gás para Israel, mas a partir de um novo contrato, com novas condições e novo preço, mais condizentes com os praticados no mercado internacional.

Seja como for, antes de ameaçar o Egito pela quebra de um acordo comercial, as autoridades israelenses deveriam fazer uma auto-crítica em relação, por exemplo, ao abastecimento de água na Palestina. Apesar da existência de acordos internacionais que obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos, o que tem sido praticado é justamente o inverso: segundo a Anistia Internacional (AI),  Israel retira uma quantidade desproporcional de água potável de um aquífero controlado pelo governo israelense na Cisjordânia, impedindo que os moradores palestinos obtenham sua parte, além de impedir o avanço de projetos de infraestrutura que poderiam ajudar a melhorar os reservatórios palestinos já existentes tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza.

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