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Oriente Médio, Política Internacional

“Welcome to Palestine 2012”


Ao menos 25 organizações de direitos humanos e pró-palestinas lançaram a 2ª edição da campanha “Welcome to Palestine 2012”, com o objetivo de conscientizar o mundo sobre o problema do povo palestino e as condições de vida na Cisjordânia e em Gaza. Durante a campanha, entre os dias 15 e 21 de abril, centenas de ativistas de todo o mundo tentarão chegar até as fronteiras de Israel, em particular as do aeroporto internacional de Tel Aviv, para declarar seu apoio a um Estado Palestino independente e condenar as práticas israelenses nos territórios ocupados.

Na 1ª edição da campanha centenas de pessoas de todo o mundo compraram bilhetes de avião para chegar aos territórios palestinos através do aeroporto de Tel Aviv. A iniciativa foi acompanhada de perto pelas autoridades israelenses que criaram uma “lista negra” de 342 passageiros – aos quais as linhas aéreas impediram de embarcar em aviões nos aeroportos de origem – impedindo a chegada da maioria dos ativistas. Cerca de 120 conseguiram aterrissar em Israel, onde ficaram detidos por vários dias e expulsos.

Este ano tais fatos deploráveis tornaram a acontecer: Israel recebeu os ativistas com um desdobramento policial de mais de 650 agentes, que detiveram cerca de 60 ativistas internacionais que haviam desembarcado no aeroporto de Tel Aviv neste domingo (15/04). Nove israelenses militantes pacifistas também foram presos no aeroporto, enquanto aguardavam para recepcionar os ativistas. Assim como na primeira edição da campanha, Israel conseguiu frear em massa a presença dos ativistas com uma operação que impediu a vinda de mais de 60% deles. Lufthansa, Air France, Easyjet e outras companhias aéreas informaram que haviam cancelado as passagens dos passageiros que apareciam na lista negra de Israel, um fato que indignou os organizadores da campanha, que também fizeram questão de denunciar outra arbitrariedade. Segundo os organizadores, as autoridades israelenses estão obrigando os ativistas a assinar um documento onde se comprometem a não participar de nenhuma ‘atividade pró-palestina’.

O que é a Campanha “Welcome to Palestine 2012”

“Nos últimos anos, a ocupação israelita da Palestina ultrapassou todos os limites territoriais, morais e legais. Perante a indiferença ou a cumplicidade da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos e da União Europeia, Israel prossegue com a colonização da Cisjordânia, expulsando os palestinos do seu território. De forma imoral e ilegal, Israel montou um cerco físico e político à Palestina, construindo colônias e muralhas e arrasando casas e comunidades. Isolados do mundo e privados dos direitos humanos mais básicos, os palestinos são segregados, perseguidos e aniquilados por um Estado que instaurou impunemente uma nova era de ‘Apartheid’”.

Para os signatários da iniciativa, dos quais fazem parte o prêmio Nobel sul-africano Desmond Tutu, o linguista e ativista americano Noam Chomsky ou o antigo ministro trabalhista britânico Tony Benn, “chegou a hora de os cidadãos se mobilizarem”, já que os governos tiveram décadas para solucionar a questão e permaneceram imóveis. “Nós, cidadãos do mundo e defensores dos direitos do povo da Palestina, dizemos Basta!”

Este ano a missão internacional tem como objetivo erguer uma escola internacional na Cisjordânia, além de afirmar o direito de passagem pelo território israelense em direção aos Territórios Ocupados.

Segundo Amira Musallam, uma das coordenadoras da campanha,  apesar do bloqueio israelense o “Welcome to Palestine 2012” “seguirá adiante, já que existem muitos ativistas locais”. Hoje (16/04), os ativistas devem começar a construir uma nova escola em Belém e reformar parte de outra. Nos próximos dias, os participantes também devem plantar árvores com os agricultores palestinos.

– A disposição de Israel de deter pessoas que ainda não cometeram nenhum crime e não fizeram nada além de dizer que vêm visitar a Palestina é uma reação histérica – criticou a ativista Leehee Rothschild.

Israel rompe com o Conselho de Direi­­tos Humanos da ONU

Tal atitude não é novidade quando se trata de Israel, autor contumaz de crimes contra a humanidade e violações dos direitos humanos, promotores do unilateralismo, agressores e genocidas, que tem um histórico de intolerância e reações despropositadas. No último dia 26 de março o governo de Israel cortou relações com o Conselho de Direi­­tos Humanos da ONU, em reação à decisão do órgão de criar uma comissão para investigar os assentamen­­tos judeus nos territórios ocupados. Israel anunciou ainda que não permitirá a visita da comissão ao país e que estuda sanções à Au­­to­­ridade Nacional Palestina (ANP), que articulou a votação na ONU. O embaixador israelense em Genebra foi orientado a suspender a cooperação e não atender nem a telefonemas do CDH, o que só reforça o isolamento diplomático do país.

Para os palestinos a decisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU representa uma vitória para sua causa, na medida em que apoia os direitos palestinos contra a ocupação e colonização israelenses, uma uma séria mensagem da comunidade internacional a Israel, de que a colonização é ilegal e deve cessar totalmente.

Nabil Shaath, um dos principais dirigentes da ANP, disse que a recusa de Israel em cooperar não bloqueará a investigação. Segun­­do ele, mapas e fotos estão sendo preparados para a análise da ONU: – “Iremos a qualquer órgão internacional que possa investigar e im­­por sanções”.

Em Jerusalém Oriental e na Cis­­jordânia, áreas ocupadas por Is­­rael desde 1967, vivem cerca de 500 mil judeus, em assentamentos que a ONU considera ilegais. Grande parte da comunidade internacional vê a construção de assentamentos em terras palestinas ocupadas como um grande entrave para a paz na região e pressiona Israel para que congele novas construções.

A “missão de investigação internacional independente (…) para avaliar as consequências das colônias israelenses nos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais do povo palestino”, solicitada pela Autoridade Palestina, foi uma das 40 Resoluções aprovadas no último dia 22/03, e o único país do Conselho a votar contra foram os Estados Unidos.

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