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Oriente Médio, Política Internacional

Israel, uma ameaça à paz mundial


“É o alegado direito do primeiro ataque,
que poderia apagar o povo iraniano
subjugado por um boquirroto
(…)
Mas por que me nego,
a tratar pelo nome um outro país
no qual há anos – embora em segredo –
um crescente potencial nuclear está disponível
mas fora de controle?
(…)
Porque só digo agora,
envelhecido e com tintas finais:
a potência econômica Israel põe em risco
a já frágil paz mundial”
 

Estas palavras são do escritor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura de 1999, que através do poema-manifesto “O que tem que ser dito” – publicado no último dia 04 de abril em quatro jornais: o alemão “Süddeutsche Zeitung”, o espanhol “El País”, o italiano “La Republlica” e o americano “New York Times” – acusou o Estado de Israel de ser uma ameaça à paz mundial.

O escritor se disse cansado da “hipocrisia do Ocidente” ao exigir o fim do programa nuclear iraniano quando, ao mesmo tempo, tolera que Israel mantenha – em segredo e fora do controle internacional – seu programa atômico. Denunciou ainda o suposto “direito de um ataque preventivo” contra o Irã.

Grass justificou sua ofensiva literária dizendo-se indignado após tomar conhecimento de que a Alemanha está prestes a vender a Israel um submarino nuclear que segundo suas palavras “é capaz de disparar todas as ogivas nucleares onde a existência de uma única bomba foi sequer provada“.

Atacado ferozmente em Israel, Grass recebeu elogios da imprensa iraniana e do jornalista alemão Wolfgang Gehrcke, que também criticou a política ocidental, que “nada faz para evitar um ataque de Israel contra o Irã.

E mesmo em Israel as opiniões de Grass encontram similares. Em artigo intitulado “Um momento antes de nos tornarmos surdos“, publicado em 11 de março no jornal “Haaretz”, o escritor israelense David Grossman sugeriu que Israel não tem autoridade moral para atacar o Irã, no que seria “uma aposta selvagem, apressada, passível de mudar o futuro completamente, de maneira que eu sequer me atrevo a imaginar“. E questiona: “E o que fará Israel se, em algum momento, a Arábia Saudita decidir querer armas nucleares? Vamos atacá-la também? Pretende Israel ser o único país da região a ter armas atômicas?

A lógica é compartilhada pelo pensador e pacifista Amos Oz, que condena ferozmente as ameaças de guerra:

– “Em vez de seguir adiante em um acordo com a Autoridade Palestina, eles ficam se flagelando sobre um ataque ao Irã. O ataque não será muito útil, porque não se pode bombardear o conhecimento e não se pode bombardear a motivação. Os iranianos tem o conhecimento e a motivação para fazer armas nucleares. Mesmo se a ofensiva retardar o programa por um ano ou dois, ele vai aumentar imensamente a motivação para usar essas armas“.

“Admito: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;”
Günter Grass.
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