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Política Internacional, Síria

Deixem a Síria em paz!


Milhares de sírios vem ocupando ruas e praças em apoio ao presidente Bashar Al-Assad.

Na medida em que evoluem os acontecimentos na Síria, fica cada vez mais evidente a trama maquiavélica engendrada pelas potências ocidentais para tentar criar uma falsa “situação de fato” para justificar uma intervenção militar nos mesmos moldes como fizeram na Líbia.

Utilizando-se de poderosa campanha midiática construíram uma imagem distorcida da realidade, cheia de imprecisões, omissões e mentiras, como se o Governo Sírio não contasse com o apoio de seu povo e estivesse enfrentando com armas pesadas um punhado de manifestantes desarmados e com intenções pacíficas. Nada mais inverídico.

1 – Os problemas na Síria começaram em março do ano passado, no rastro da chamada Primavera Árabe, uma conspiração financiada e apoiada pelas potências ocidentais para desestabilizar o mundo muçulmano. No início, os protestos por melhores condições de vida restringiram-se à pequena cidade de Deras no sul do país e foram tratados com tolerância por Damasco, que além de permitir as manifestações pacíficas acenou com reformas políticas e econômicas.

Em Qerdaha, no noroeste do país, outra manifestação de apoio ao presidente levou milhares às ruas

2 – Entretanto, após a queda dos governos da Tunísia, Egito e Líbia, as potências ocidentais voltaram-se contra a Síria, insuflando o sectarismo presente numa complexa sociedade em que convivem de forma nem sempre harmoniosa uma maioria sunita, curdos e cristãos, governados há décadas pela minoria alauita representada pelo clã Assad. Dessa forma, as manifestações que no início eram pacíficas e reivindicavam melhorias nas condições de vida, rapidamente degeneraram em violência e atos de terrorismo, passando a exigir a deposição do presidente Bashar Al-Assad, que não hesitou colocar seu aparato policial e militar em defesa do povo sírio.
3 – Repetindo a estratégia utilizada na Líbia, Estados Unidos, Grã Bretanha e França passaram a armar os opositores, dando a eles dinheiro e repassando técnicas, além de suporte político para um golpe de Estado, levando à eclosão de uma situação beligerante que justificasse uma intervenção militar direta das forças da OTAN . Mas a principal arma utilizada contra o governo Sírio tem sido a mídia, ao criar uma versão fantasiosa dos fatos, divulgando massacres de civis, bombardeios de cidades inteiras e uma rejeição ao governo Assad que na verdade não existe.

4 – Longe de estar enfraquecido,  Assad conta com amplo apoio da população síria, que tem demonstrado seu patriotismo e sua aprovação ao governo através de manifestações nas principais cidades do país, reunindo milhares de pessoas que munidas de bandeiras sírias e retratos de Assad pedem que “o mundo ouça a voz da Síria e deixe a Síria em paz”. Tais manifestações de apoio chegaram a extrapolar as fronteiras do país, quando em Istambul centenas de cidadãos sírios protestaram contra a conferência dos “Amigos da Síria”, grupo de países liderados pelos EUA cuja formação foi entendida pelo povo sírio como mais um passo na “escalada regional e internacional para matar mais sírios e destruir a sociedade síria”.  Mas nada disso aparece nos principais jornais e programas de televisão veiculados no Ocidente.

5 – Apesar das inúmeras mentiras contadas pela imprensa ocidental acerca da deserção de militares e funcionários do governo, o fato é que todas as instituições sírias permanecem operantes e fiéis ao Governo. Não houve, como na Líbia, deserções no alto escalão político, diplomático e militar, nem tampouco greves ou abandono de serviço por parte do funcionalismo público. Assad conta ainda com o apoio de todos os líderes religiosos sírios, inclusive o grande mufti sunita. As únicas áreas onde o serviço público encontra deficiências são aquelas controladas pelos rebeldes armados, que destroem prédios e ameaçam os funcionários para impedir o funcionamento dos serviços públicos, tentando criar a impressão de caos que querem atribuir a um colapso do regime.

6 – Depois de tentar aprovar duas resoluções no Conselho de Segurança da ONU para legitimar uma intervenção militar na Síria – no que foram impedidos graças ao corajoso veto da Russia – as potências ocidentais ampliaram as sanções econômicas contra Damasco, o que tem criado dificuldades principalmente às camadas mais pobres da população síria, diante de uma elevação de quase 350% nos preços de artigos da cesta básica. Outra medida foi reconhecer o Conselho Nacional Sírio como “representante legítimo do país”, ignorando todas as convenções internacionais. O que a mídia Ocidental não revela é que a oposição síria não está consolidada em torno do CNS e que o chamado Exército Livre da Síria também não obedece a um comando único, sendo formado na verdade por milícias armadas, desertores e mercenários, cujo objetivo é apenas de atacar as tropas do Governo e praticar atos de terrorismo, buscando a desestabilização do país.

7 – Abandonando a disfarçatez com que vinha lidando com a questão síria, as potências ocidentais, através da Arábia Saudita, ofereceram U$ 100 milhões para “pagar salários aos combatentes rebeldes”, e os EUA se comprometeram a fornecer equipamentos de comunicação aos opositores para “ajudar na organização”, numa clara violação ao princípio da não-intervenção.

Foto: Reuters - Bashar al Assad visita soldado ferido em hospital

8 – Quanto às vítimas da violência, a mídia ocidental insiste em atribuir unicamente ao Governo sírio a conta pelos quase 9 mil mortes desde o início dos combates entre as tropas governamentais e a oposição armada. Entretanto, evidências apresentadas por entidades humanitárias idôneas, como a Humans Rights Watch e a Anistia Internacional, acusam os rebeldes de praticarem atrocidades contra civis nas áreas sob seu domínio, ratificando as informações de Damasco de que muitas dos cadáveres apresentados à imprensa como “vítimas da repressão” são na verdade pessoas fiéis ao governo, civis, policiais, funcionários públicos e soldados capturados, torturados e assassinados pelas milícias do CNS e pelo Exército Livre da Síria, também acusado de impedir a chegada de remédios e alimentos enviados por Damasco para as populações que moram nas áreas em conflito.

9 – No campo diplomático, também as informações divulgadas pela mídia ocidental estão eivadas de imprecisões e mentiras. Desde o início dos conflitos o Governo Sírio tem colaborado com a ONU, permitindo a visita de observadores e mantendo abertos canais de negociação para um diálogo político e a aplicação de um plano de paz, mas sem abrir mão da segurança do povo sírio e de sua soberania. Recentemente Damasco aceitou formalmente o chamado “Plano dos Seis Pontos” proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan, concordando em um cessar-fogo supervisionado pela ONU. Por outro lado é a oposição quem não concorda com os termos propostos, insistindo em exigir que Assad deixe o poder. É portanto a intransigência da oposição em negociar, e não o Governo sírio, o principal entrave para a paz, uma intransigência alimentada pelo apoio logístico, financeiro e militar prestado pelo Ocidente aos grupos armados que formam o chamado Exército Livre da Síria.

O Governo Sírio sempre apoiou as iniciativas de paz da ONU, mas o cessar-fogo não encontra reciprocidade por parte da oposição

Esta é a verdade dos fatos: Bashar Al-Assad conta com o apoio da maioria do povo sírio, com a lealdade das Forças Armadas e das instituições civis, políticas e religiosas do país. O Governo sírio está mais forte do que nunca, e apesar de estar vencendo a guerra contra os rebeldes armados e o terrorismo financiado pelo Ocidente, acena com um gesto de boa-vontade ao aceitar o plano de paz proposto pela ONU. Os interessados na queda de Bashar Al-Assad – as potências ocidentais lideradas pelos EUA – são os verdadeiros responsáveis pelo sofrimento do povo sírio ao dificultarem deliberadamente uma solução política, armando e financiando a ação da oposição armada, tentando prolongar uma batalha perdida.

Sobre cadáveres sírios dilacerados pela intransigência, americanos e europeus sustentam discursos hipócritas na defesa de “direitos humanos” enquanto fornecem armas e dinheiro que irrigam a violência. Inimigos históricos da soberania árabe, usam o conflito para ostentar  bandeiras em defesa dos “direitos humanos”.  Justamente eles, donos dos cemitérios da liberdade e de valores humanos, conhecidos mundialmente como “prisão de Abu Ghraib” e “base militar de Guantánamo”.  Logo eles, que institucionalizaram o assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão para depois urinarem em seus corpos.

Divididas por combates ferozes, as forças politicas sírias impõem sofrimento ao seu próprio povo, que chora seus mortos. A oposição não mira no exemplo do Iraque, do Afeganistão e da Líbia.  Continua com a marcha da insensatez, trabalhando pela intervenção estrangeira que vai roubar de todo povo sírio a soberania e o histórico orgulho nacional.

Deixem a Síria em Paz!

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