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Oriente Médio, Política Internacional

Secretário-Geral da ONU recebido com protestos em Gaza


Mais uma vez a ONU deu mostras de fraqueza diante das pressões exercidas por Israel e pelos Estados Unidos em relação à questão palestina. Em viagem à Jordânia, Israel e Palestina, durante a qual tentou relançar as conversações de paz, o Secretário-Geral Ban Ki Moon negou-se em se reunir com as famílias de palestinos detidos em Israel, provocando o protesto de moradores de Gaza, que portando cartazes em árabe e inglês com a frase  “Ban Ki Moon, já basta de favorecer Israel”, tentaram impedir o comboio da ONU de entrar em Gaza. Os manifestantes receberam a comitiva atirando pedras e sapatos nos veículos, mas foram logo afastados pela polícia palestina. Ninguém ficou ferido no protesto e as testemunhas ignoram se o carro em que viajava Ban Ki Moon foi atingido.

A atitude de Ban não é moral nem humana“, declarou Abdallah Qandil, porta-voz das famílias dos prisioneiros palestinos em Israel.

Militantes dos direitos humanos e representantes da sociedade civil cancelaram um  almoço com o secretário-geral. Segundo eles, Ban se negou a se encontrar com famílias de cerca de 5.000 prisioneiros.

Nós esperávamos que ele demonstrasse preocupação com o sofrimento de mais de 5.000 palestinos nas prisões israelenses“, explicaram em um comunicado, lembrando que Ban se reuniu várias vezes com os pais do soldado israelense Gilad Shalit, preso por mais de cinco anos em Gaza e que foi libertado em 2011 numa troca de prisioneiros.

Recebemos uma resposta negativa injustificada, indicativa da recusa do secretário-geral de se encontrar com representantes das famílias dos detidos, dentro da nossa delegação”, relatou um comunicado dos representantes da sociedade civil a explicar a anulação do almoço com Ban Ki Moon.

Como em outras ocasiões, a atuação do secretário-geral limitou-se à retórica sem conseqüências, muito bem aplicada na coletiva de imprensa em Khan Yunes, na faixa de Gaza, quando pediu para que Israel alivie o embargo à Gaza, apelando para uma aprovação regular de projetos da ONU e a “abertura de pontos de passagem no território para a exportação”.

Ban Ki Moon também insistiu na necessidade de retomar as conversas de paz entre israelenses e palestinos, paralisadas há dois anos pela intransigência de Tel Aviv em continuar a construção de assentamentos de colonos nas terras ocupadas.

Essa é a realidade. Apesar das acusações de Israel e dos EUA, que insistem em tratar os palestinos como um “povo terrorista”, referindo-se ao lançamento de foguetes contra as áreas ocupadas por colonos israelenses, o fato é que são as políticas israelenses o grande empecilho para a paz.

Fazem questão de ignorar que mais de 5.000 palestinos encontram-se detidos ilegalmente em prisões israelenses. E ainda assim os palestinos se dispuseram a negociar. Que mais de 42% da Cisjordânia encontra-se ocupada por Israel. E ainda assim, os palestinos tem buscado a paz por vias políticas e diplomáticas. Que mais de 25% de Gaza também está sob ocupação israelense, e ainda assim o Hamas aceitou uma trégua, que foi criminosamente violada quando Israel lançou a “Operação Chumbo Fundido”, bombardeando indiscriminadamente áreas civis densamente povoadas. (Veja mais sobre o Massacre de Gaza em https://mkninomiya.wordpress.com/2011/12/29/o-massacre-de-gaza/)

O que esperam a ONU, Israel e EUA? Que o povo palestino aceite passivamente a ocupação de suas terras? Que aceite o bloqueio que impede a chegada da ajuda humanitária? Que aceite o fato de que mais de 98% das pessoas que habitam em Gaza encontram abaixo da linha da pobreza, segundo padrões de desenvolvimento aceitas pela comunidade internacional? Palestinos são terroristas quando tem um filho morto ou uma filha gritando por ajuda?

Infelizmente essa é a realidade. Quem não deseja a paz é Israel.

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