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Oriente Médio, Política Internacional

Primavera Árabe ou Verão Islâmico?


Não há dúvida de que grande parte dos manifestantes que ocuparam as ruas e praças no desenrolar da chamada “Primavera Árabe” eram jovens, homens e mulheres, que protestavam por mais liberdade e maior participação política. É verdade também que os governos depostos pela onda de protestos possuíam históricos de autoritarismo e corrupção que justificavam a indignação popular. Mas também é inegável que o inconformismo popular foi estimulado e conduzido pelos serviços de inteligência dos EUA e de Israel, que se aproveitaram dos acontecimentos para tentar conduzir mudanças no sentido de impor aos países árabes um regime político nos moldes ocidentais, secular e “democrático”, buscando repetir o que aconteceu quando a União Soviética se desintegrou e todas as repúblicas satélites viraram “democracias” subservientes ao Mundo Ocidental.

Mas Allah é Grande! E o que acontece com o mundo árabe hoje não vem sendo uma repetição do que aconteceu com o bloco soviético há 20 anos. O que americanos e israelenses não puderam prever era que a insatisfação dos povos árabes com seus governos não se traduziu no afastamento desses povos daquilo que é um princípio fundamental: o Islã como ponto de referência para o sistema e as leis do país. Dessa forma, a “Primavera Árabe” vem se convertendo em um “Verão Islâmico”.

No Iraque, após anos de ocupação, finalmente as tropas americanas vão bater em retirada, marco final da derrota americana, que pode ser comparada à derrota dos Estados Unidos no Vietnã. Apesar dos esforços das autoridades de Washington em negociar um acordo com os iraquianos para manutenção de um efetivo de tropas, todas as forças norte-americanas vão se retirar do Iraque em 31 de dezembro de 2011. Foi uma vitória do nacionalismo iraquiano, cujos líderes, em especial a de Muqtada al-Sadr, não aceitaram as condições impostas pelos EUA e exigiram o fim da presença americana no país. Muqtada al-Sadr está a frente de um movimento nacionalista pan-iraquiano, com participação de lideranças xiitas, sunitas e curdos, cujo objetivo é a restauração total da autonomia do Iraque.

Na Tunísia, onde começaram os levantes, os islamitas do partido Ennahda- banido no regime do  ex-presidente Zine Ben Ali – ficaram com a maioria das cadeiras da Assembleia Constituinte, que ao redigirem a nova Constituição do país incluíram uma cláusula condenando o sionismo e proibe expressamente a normalização das relações com Israel, e insere o apoio à causa palestina como política de Estado. A iniciativa dos constituintes tunisianos, se ratificada pelo Governo, poderá influenciar outras nações árabes – como a Líbia e o Iêmen – a fazerem o mesmo, o que sem dúvida representa uma mudança significativa nas perspectivas geo-políticas da região, aumentando mais ainda o isolamento do Estado judeu.

Nessa complicada conjuntura, o Egito de Mubarack sempre representou um ponto de equilíbrio a favor de Israel em razão de sua cumplicidade com os interesses americanos no Oriente Médio. A queda de Mubarack e a esmagadora vitória dos partidos islâmicos nas útlimas eleições – cerca de 65% dos votos – certamente vai fazer pesar a balança a favor dos palestinos, pelo endurecimento nas relações do novo Egito com o Estado de Israel.

A vitória da Irmandade Muçulmana já havia sido avassaladora na primeira fase da eleições, e se confirmou no último dia 07/12/2011, quando conquistou cerca de 66% das cadeiras em disputa nas eleições legislativas, e com isso se torna a primeira força política no Egito, depois de ter sido proibida durante o governo do ex-presidente Hosni Mubarak, que décadas, coagido pelos EUA, foi complacente e covarde em suas relações como Estado Judeu.

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