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Política Internacional

Não comprem produtos importados da China. Deixe de financiar o genocídio cultural no Tibete!


No Tibete, o dia 10 de março é marcado por uma caminhada há 52 anos. Todos os anos, desde 1959, os tibetanos saem às ruas para protestar pacificamente contra a invasão da China em seu território. Uma história de continuada violação dos direitos humanos, censura, a morte banal, a perseguição sistemática de inocentes e o extermínio de uma cultura milenar.

A ocupação chinesa tem sido marcada pela destruição sistemática de mosteiros, pela opressão religiosa, pelo fim da liberdade política e pela detenção e assassínio de civis em massa. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas já tenham morrido nas mãos do Exército chinês. Durante o governo de Mao Tsé-tung, os chineses tentaram sufocar a religiosidade local, destruindo santuários e assassinando monges aos milhares. Até hoje, a região está sob pesada vigilância. Os meios de comunicação são controlados por Pequim, bem como a movimentação de pessoas. Embora a liberdade de culto seja autorizada, ela é controlada pelo exército chinês que está sempre presente nos mosteiros e nos templos budistas. Os resultados da opressão chinesa são os mais de 120.000 tibetanos refugiados pelo mundo. Os protestos têm sido contidos com força – os monges são espancados e aprisionados.

E apesar disso tudo, a ONU sempre se omitiu desastrosamente, limitando sua atuação a esporádicas declarações condenando o Governo Chinês pela “sistemática violação dos direitos e liberdades humanas fundamentais que ameaçam a identidade cultural, religiosa e nacional distintas do povo tibetano”.

Na verdade, a ONU nunca expressou protesto algum contra a ocupação. Pouco após a invasão chinesa, o governo tibetano manifestou-se contra a agressão na Organização das Nações Unidas, mas a Assembléia Geral adiou a discussão do problema, sem que houvesse, até hoje, uma manifestação clara de repúdio contra os crimes cometidos contra o Tibete.

Há poucas semanas atrás o inconformismo do povo tibetano voltou ao noticiário, quando vários monges se auto-imolaram em protesto contra a ocupação chinesa, e mais uma vez a comunidade internacional se calou e ignorou os apelos de milhares de injustiçados e massacrados pelo regime chinês. Tudo em nome do “desenvolvimento” econômico da China. Na realidade, as grandes potências vêm criando um universo paralelo onde China é descrita como um país próspero e feliz, tábua de salvação do capitalismo agonizante.

Com a crise dos mercados mundiais e as previsões apocalípticas de uma “depressão” americana e ma zona do euro, a China transformou-se no novo “Eldorado” capitalista. E dessa forma o mundo passou a ignorar o histórico ignominioso do regime chinês e de seu modelo de “desenvolvimento”: como o massacre da população pobre, que foi obrigada a retirar-se de suas casas (onde vivia a gerações); o trabalho escravo, a opressão política, o despejo de comunidades inteiras ao longo do rio Yang-Tsé-Kiang e do Huang-Ho, que foram obrigadas a habitarem cidades a quilômetros de seus lares natais e de suas raízes culturais em nome de um progresso voraz e que não se preocupa com o ser humano. O desastre humanitário é apenas superado pelo ambiental. O ar nas grandes cidades chinesas chega a ser venenoso. Sem falar na contaminação das águas e do solo por metais pesados e resíduos industriais.

Mas como sempre ocorreu ao longo de toda a história humana, o papel do ”bem” fica sempre com os que se prestam mais ao benefício das elites econômicas ou políticas do momento e hoje a China ocupa um lugar de destaque nesse sistema hipócrita, voraz e insaciável que devora os atores e espectadores igualmente.

A História da ocupação chinesa no Tibete

O Tibete é localizado a oeste da China, com população de 2,7 milhões de habitantes e 1,2 milhões de km², e, ao contrário do que apregoa o Governo chines, existe como uma região unificada desde o século 7. As fronteiras da região foram firmadas em um acordo formal de paz com a China entre os anos 821 e 823. No século 13, quando o líder mongol Genghis Khan estendeu seu domínio da China até a Europa, os líderes tibetanos firmaram um acordo para manterem uma certa autonomia: eles prometeram lealdade em troca de proteção, e assim durante toda dinastia Yuan (1279-1368) – estabelecida por Kublai Khan – o território tibetano nunca foi anexado à China. O laço político com o governo Yuan foi rompido em 1350, antes de a China recuperar sua independência, e não manteve laços com o governo da dinastia Ming (1386-1644).

O Dalai-Lama estabeleceu então uma ligação religiosa com os imperadores da dinastia Qing (1644-1911), tornando-se guia espiritual do imperador chinês, aceitando proteção em troca, sem que isso afetasse a independência do Tibete. A ligação com os imperadores dessa dinastia já era inoperante à época da breve incursão britânica em Lhasa – após o que foi assinada a Convenção de Lhasa em 1904.

Mesmo já sem influência, o governo chinês continuou a afirmar sua autoridade sobre o Tibete: em 1910 o Exército imperial chinês ocupou a capital tibetana, mas, após a revolução em 1911 e a derrubada do império, o exército chinês se rendeu às forças tibetanas e foram repatriados. Em 1913, numa conferência realizada em Shimla, na Índia, britânicos, tibetanos e chineses decidiram dividir o Tibete: uma parte seria anexada à China e outra se manteria autônoma. Ao retornar da Índia, o 13º Dalai Lama declarou oficialmente a independência do Tibete. Porém, o acordo de Shimla nunca foi ratificado pelos chineses, que continuaram a reivindicar direito de posse sobre o território. Em 1918, houve um conflito armado entre chineses e tibetanos: Rússia e Inglaterra tentaram, sem sucesso, intervir. Em setembro de 1951, o Tibete foi, então, integralmente ocupado pelas forças comunistas de Mao Tsé-tung, sob o pretexto de “libertar o país do imperialismo inglês”. A ação militar deixou, segundo a Organização Internacional para a Independência do Tibete, 10 mil mortos, e representou o fim da liberdade política e a opressão religiosa para os tibetanos.

As manifestações mais importantes ocorreram em1959. A resposta chinesa foi severa: um número considerável de revoltosos foram presos, exilados ou mortos. Assim, por questões de segurança, o Dalai Lama decidiu se exilar na Índia, onde atualmente funciona a sede do seu governo.

Em 1965, pensou-se que um grande passo havia sido dado na solução do conflito, quando foi concedida uma autonomia parcial ao Tibete. No entanto, com o início da Revolução Cultural chinesa, o que houve foi um agravamento da situação. Um grande número de religiosos foram presos, além da destruição de inúmeros mosteiros e textos sagrados.

Em 1989, a causa da independência do Tibete ganhou força no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na Praça da Paz Celestial e a entrega do Nobel da Paz ao Dalai-Lama.

Desde o final dos anos1990, a China tenta legitimar sua presença no Tibete através dos deslocamentos de população em favor dos “Han” – a etnia maioritária da China – num processo semelhante aos dos assentamentos judeus na Palestina Ocupada, do controle da sucessão religiosa e a destruição de edifícios culturais e religiosos. Em 2006 o governo chinês inaugurou a ferrovia Lhasa-Golmud, com motivação claramente política, no sentido de consolidar a hegemonia da China na região, estimulando a imigração de chineses e integrando a província às orientações econômicas de Pequim.

Em 2008 grandes protestos começaram quando aproximadamente 500 monges se dirigiram ao mosteiro de Deprung para celebrar o 49º aniversário da rebelião do Tibete contra a dominação chinesa. Com o passar dos dias, inúmeros civis foram aderindo ao movimento, que foi se intensificando e ganhou força em diversas regiões do país. As autoridades chinesas responderam ao movimento com a prisão de inúmeros revoltosos, oferecendo, inclusive, recompensa para quem fornecesse informações a respeito dos mesmos. (Fotos do conflito de 2008 no Tibete podem ser vistas no site do Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia. São imagens muito fortes e impactantes. Só acesse se tiver sangue frio… http://www.tchrd.org/press/2008/pr20080318c.html )

A ocupação chinesa sobre o Tibete tem interesses estratégicos e territoriais. A China alega soberania histórica sobre o Tibete e sua estratégia é levar ao país seu modelo de desenvolvimento. Por isso, os chineses, entre outras medidas, constroem prédios e substituem a arquitetura tradicional local por outra, similar à de suas metrópoles. As transformações fazem sentido na ótica de Pequim: no Tibete, milhares de imigrantes chineses lideram importantes setores da economia. A “invasão” chinesa pode ser percebida também na atual conformação da população: em Lhasa, capital da região, menos de 25% dos 300.000 habitantes são tibetanos. Cargos públicos e as profissões consideradas importantes para o desenvolvimento da região, como professores, bancários ou policias, não estão “acessíveis” aos tibetanos. O interesse econômico ocorre porque o solo desta região é rico em metais, como o cobre, zinco e urânio, e cujas reservas são suficientes para suprir até 20% das necessidades chinesas.

Os monges e freiras budistas são obrigados a criticar e denunciar o Dalai Lama. Para um budista isso é como se um cristão tivesse que denunciar Jesus Cristo se ele estivesse vivo. Imagens suas são proibidas e qualquer um que guarde seu retrato é punido severamente.

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