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Oriente Médio, Política Internacional

Palestina torna-se membro de pleno direito da UNESCO. Em vergonhoso ato de retaliação EUA cortam sua contribuição à organização. Israel acelera construção de novos assentamentos e viola aos Acordos de Oslo ao reter o repasse de verbas à ANP


Foi com grande entusiasmo que delegados de diversos países comemoraram a admissão da Autoridade Nacional Palestina como membro de pleno direito da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A Resolução foi votada no dia 31 de outubro de 2011 na sede da organização em Paris, e aprovada com 107 votos a favor, 52 abstenções e 14 votos contrários, entre estes o dos Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha. Para ganhar o status de Estado-membro, a ANP necessitava do voto afirmativo de dois terços dos 193 países representados na votação.

A condição anterior dos palestinos era de membro observador. A solicitação de mudança de status é parte da batalha diplomática empreendida pelo povo árabe para que sejam reconhecidos como Estado, e sua admissão na UNESCO representa uma inegável vitória moral na tentativa de obter a condição de membro pleno da ONU.

A agência é a primeira da organização em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de assento na ONU, em 23 de setembro. O próximo passo, segundo comunicado do Ministério da Saúde da ANP, é buscar o mesmo na Organização Mundial da Saúde (OMS), outra agência da ONU.

Estados Unidos e Israel suspendem repasses à UNESCO em retaliação à admissão da Palestina

Enquanto os palestinos buscam por meios legítimos e pacíficos o reconhecimento de seu Estado, os EUA e Israel dão mostras mais uma vez de que não estão nem um pouco empenhados na pacificação do Oriente Médio.

A resposta americana foi o anuncio do corte de fundos destinados à UNESCO, num vergonhoso ato de retaliação pela derrota da sua posição contrária à admissão da Palestina como membro daquela organização, o que demonstra claramente a dissociação do discurso conciliatório do presidente Obama com as atitudes unilaterais e revanchistas do governo americano, que vencido em foro legítimo, apela para medidas retaliatórias sem medir o impacto que a sua decisão possa ter sobre os programas de promoção à cultura, ciência e educação ao redor do mundo. Com a decisão americana, a UNESCO deixa de ter um aporte anual de US$ 70 milhões para o custeio das suas atividades, cerca de 22% da verba total da agência. A OMS também é financiada pelos Estados-membros, e uma retaliação similar por parte de Washington é tida como certa. Israel (US$ 2 milhões) e Canadá (US$ 10 milhões) também anunciaram a suspensão de seus repasses para a UNESCO.

Por sua vez, Israel foi ainda mais longe ao anunciar suas medidas de retaliação. Em reunião ministerial realizada um dia após a vitória palestina na Unesco, o governo israelense decidiu pela construção de mais duas mil residências em territórios ocupados nas regiões de Jerusalém Oriental e Cisjordânia, em mais um ato que se inscreve na política de agressão e anexação ilegal de territórios por Israel.  Além disso, ordenou a retenção dos impostos e tarifas de importação e exportação que Israel arrecada e repassa à ANP, numa clara violação dos termos dos Acordos de Oslo. Já neste mês de novembro a ANP deixará de receber cerca de 300 milhões de shekels, necessários ao pagamento dos funcionários públicos palestinos. Segundo fontes oficiais, o Gabinete israelense cogita ainda o corte unilateral e total dos vínculos com a Autoridade Palestina, com o claro objetivo de inviabilizar o processo de paz na região.

– “Acelerar a construção de colônias equivale a acelerar a destruição do processo de paz, e o congelamento dos fundos palestinos é um roubo do dinheiro do povo palestino“, avaliou o porta-voz do presidente palestino Mahmud Abbas, Nabil Abu Rudeina.

Retaliação israelense: ciberataque e bombardeios na Faixa de Gaza

Desde sábado a aviação israelense vem bombardeando cidades palestina na Faixa de Gaza, sob o falso pretexto de “eliminar células terroristas”. O avanço da agressão israelense arruina a trégua estabelecida com a Jihad Islâmica na semana passada e reforça a ameaça de uma invasão por terra.

Concomitantemente, o serviço de inteligência de Israel atacou principal provedor de internet dos territórios palestinos e cortaram o acesso à WEB na Cisjordânia e na Faixa de Gaza nesta terça-feira (01/11/2011).  “Desde esta manhã, todos os endereços IP palestinos foram expostos a um ataque concentrado e organizado no exterior”, afirmou Abu Daqqa, Ministro das Telecomunicações da Palestina. Técnicos da empresa de telecomunicações Paltel, provedora de serviços de internet, estão trabalhando para resolver o problema, que também impede que os usuários visitem sites estrangeiros. Eles identificaram servidores falsos por trás da interrupção.

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