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Política Internacional

A Guerra pela Água e o conflito árabe-israelense.


Estratégia genocida. Israel tenta inviabilizar o Estado palestino pela privação das fontes de água

Em artigos anteriores abordamos como a escassez de água em áreas do mundo, entre elas o Oriente Médio, tem feito surgir situações hidroconflitivas, isto é, casos de tensões geopolíticas geradas por conta da disputa pelo domínio e utilização de fontes de água.

É interessante notar que existe um senso comum que associa os conflitos no Oriente Médio à disputa em torno dos interesses ligados ao petróleo. Embora isso seja em grande parte verdadeiro, é preciso lembrar que o conflito árabe-israelense ocorre em área onde as reservas petrolíferas são insignificantes. O que a mídia não evidencia – evidentemente atendendo os interesses sionistas – é que a disputa pela água está no cerne de grande parte dos problemas enfrentados na região.

Antecedentes históricos

Desde o século treze, até 1916, o império turco-otomano controlava todo o Oriente Médio. Com sua derrota na Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha e a França assumem o controle sobre o Oriente Médio, que é dividido em vários Estados separados: Iraque, Síria, Jordânia, Líbano e Palestina.

Graças ao Acordo Sykes-Picot a Grã-Bretanha ficou com a área que presentemente constitui a Jordânia, a área entre o Jordão e o Mar Mediterrâneo e o Iraque; a França recebeu a Síria e o Líbano. Em 1922 a Liga das Nações estabeleceu formalmente o Mandato Britânico para a Palestina e Transjordânia: todas as terras a leste do Jordão foram foram entregues ao Emirado da Jordânia, que estava sob controle do Reino Unido, deixando a parte a oeste da Jordânia como o Mandato Britânico da Palestina. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Assembléia Geral da ONU (1947) aprova a chamada “Partilha da Palestina” com a criação de um Estado árabe, um Estado judeu e Jerusalém, que seria internacionalizada sob o comando da ONU.  Em maio de 1948 a Grã Bretanha retira suas forças da Palestina e logo a seguir os judeus fundam o Estado de Israel, imediatamente alvo de um ataque militar pelos Estados da  Liga Árabe. Ao fim desta guerra (1949), o estado judeu expandiu-se para além dos limites que o plano de partilha lhe havia designado; o Estado Árabe (Palestina) ficou diminuído e repartido em dois: a Cisjordânia, que em 1950 foi integrada ao reino da Jordânia, e o Território de Gaza, administrado pelo Egito a partir de 1948.

Estratégia genocida: Israel controla as fontes de água da Palestina

Numa das regiões mais áridas do planeta, as reservas de água representadas pela bacia do Jordão – que inclui as águas superficiais rio Jordão, o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão, além das águas subterrâneas dos grandes sistemas de aqüíferos do Oriente Médio, o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia), o aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza – sempre foram consideradas por Israel um elemento de vital importância estratégica, uma vez que a par de uma agressiva política de imigração apostou no desenvolvimento de uma indústria agro-comercial que utiliza a água de forma intensa.

Dessa forma, desde a sua fundação Israel priorizou projetos – inclusive militares – para garantir o controle da água na região. Em 1953 Israel iniciou a construção do Aqueduto Nacional, que viria a desviar o curso de mais da metade dos afluentes do Jordão para os projetos de irrigação do deserto de Neguev. Depois de mais de uma década de escaramuças com seus vizinhos árabes, em junho de 1967 Israel invadiu a Faixa de Gaza, a península do Sinai no Egito, a Cisjordânia e as colinas de Golã na Síria, anexando estas áreas, ricas em fontes de água, ao seu território, obtendo o controle total sobre os afluentes do Rio Jordão. A ONU determinou a devolução das áreas invadidas, mas Israel ignorou os apelos da comunidade internacional e deu início, já em setembro de 1967, à sua política de colonização, fixando milhares de judeus nos territórios ocupados. Em 2002, a construção do “muro de segurança” viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Segundo Noam Chomsky, “o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídricos críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem”. Antes de devolver a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região (mais de 996 quilômetros de tubulação foram destruídos pelo Exército israelense). E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.

A estratégia de Israel é clara, e ficou consolidada em polêmica declaração de seu ministro da agricultura ao jornal Jerusalém Post (1990) para justificar a ocupação do território da Cisjordânia: “é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade” .

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um “direito adquirido sobre a água”. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu que “Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza”.

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d’água, confiscam as bombas d’água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d’água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização. A regra do jogo é clara: enquanto os palestinos não têm acesso à água para beber, os israelenses acostumaram-se ao seu uso irrestrito.

Sendo assim, não é difícil compreender as pretensões palestinas ao exigir a criação de seu Estado tendo por base as fronteiras de 1967 e a retirada dos assentamentos judeus de todos os territórios ocupados desde junho daquele ano. Isso porque não é possível conceber a sobrevivência de qualquer estado e em particular da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita. Ao exercer através da força e da vergonhosa política de assentamentos o domínio destas áreas, a intenção de Israel tem sido claramente o de inviabilizar a existência do Estado Palestino.

A chave do conflito entre israelenses e palestinos são os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos tinham acesso a eles livremente. Mas a ocupação israelense acabou com isso. Israel também ocupou as Colinas de Golã, da Síria, onde ficam as nascentes do rio Jordão.

Evidência desta realidade é a localização da maior parte dos assentamentos judaicos em território palestino sempre próximo de reservas aquíferas cuja exploração será ainda mais facilitada com a conclusão da construção do famigerado muro de proteção na fronteira entre Israel e a Cisjordânia e a manutenção da ocupação das Colinas Golan, tomada dos sírios em 1967, onde mais do que razões de natureza militar visa assegurar o acesso e controle dos rios Jordão e Yarmouk. Atualmente, cerca de 25% da água utilizada em Israel é captada nestas fontes em territórios ocupados.

“Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ”há uma realidade histórica de guerras pela água” – tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek – The Guardian, (24/11/02)

Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água são palavras bonitas prometidas por Israel nas mesas de negociação e na mídia, mas que em nenhum momento refletem a realidade das práticas sionistas. Sobre isso é interessante a percepção de Shaddad Attili, diretor da Autoridade de Água Palestina, que em seu pronunciamento na Semana Mundial da Água em Estocolmo (08/2011), denunciou o que todos já sabem mas procuram ignorar: a água está sendo usada como arma de guerra por Israel

–  “Não se enganem, pois não haverá um Estado palestino viável sem que possa acessar, controlar e administrar suficientes recursos hídricos para cobrir suas necessidades internas, presentes e futuras, agrícolas e industriais”.

O conflito árabe-israelense só vai ter fim quando forem criadas regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais, o que certamente colocaria Israel no banco dos réus pela tentativa de genocídio contra o povo palestino. O reconhecimento pretendido pela ANP junto à ONU abre caminho e passa a oferecer os recursos políticos necessários para tanto.

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Discussão

8 comentários sobre “A Guerra pela Água e o conflito árabe-israelense.

  1. Segundo a resolução 181 da Onu, resultante da votação que aprovava o reconhecimento da existência do estado de Israel, aquela região já deveria ser destinada a Israel. Entretanto, todos os países árabes que faziam fronteira com Israel o invadiram para “varrê-lo do mapa” por não aceitarem um país com população judia na região.

    Pois bem, na guerra da Independência, a Cisjordânia invadiu aquela região, ocupando-a desde então (1949).

    Em 1967, na guerra dos seis dias, mais uma vez Israel foi invadido covardemente por duas frontes, pela Cisjodania e Egito, precisando lutar pela própria sobrevivência. Milagrosamente se defendem e conseguem ainda repelir a presença da Cisjordânia daquela região, pois era essencial o território para defesa, dado o minúsculo tamanho de Israel.

    Portanto, antes de mais nada, como qualquer país que vence uma injusta invasão Israel tem o direito de manter os territórios retomados, principalmente quando eles são essenciais para defesa.
    Naquela região há uma linha geográfica natural para defesa da Israel, que o passado mostra ser essencial.

    Vários países que na era moderna foram invadidos, puderam não só serem ressarcidos pelos vencidos como ainda manterem os territórios conquistados. Veja a França, por exemplo, após a 2ª Guerra Mundial.

    Soma-se a esse cenário o fato de Israel ter estado aberto SEMPRE a fazer a paz. É famoso o fato de que em 2000 os israelenses aceitaram 99% das reivindicações palestinas em Camp David, mas mesmo assim Yasser Arafat não quis aceitar a paz.

    Portanto, do poto de vista israelense, não temos um país que tem direito a usar seu território e seus recursos, como qualquer outro país soberano. A população árabe palestina é vitimizada por conta de seus próprias autoridades não aceitarem fazer acordos, por não aceitar negociar com Israel.

    Basta responder a seginte pergunta: se o Chile tem escassez de água, o Brasil é OBRIGADO a fornecer, e ainda por cima a título gratuito, água para ele ? Não, isso seria contra a soberania dos países.

    A verdade é que mesmo não tendo essa obrigação (pelo menos, não do ponto de vista de qualquer país soberano), Israel fornece não só água, como muito mais.

    Israel sustenta a população palestina entregando luz, água, comida, atendimento médico, etc…. o mais bizarro, é que Israel até já ofereceu construir casas, estruturas, hospitais, mas a própria ONU vetou, assim como os líderes palestinos.

    Portanto, o que parece ? Que as lideranças palestinas, provavelmente por conta da influência dos países árabes em volta, PRECISAM manter artificialmente a população palestina naquele estado para assim continuarem criando antipatia no mundo contra Israel, pois a intenção final ( e isso é sabido, claro, e provado, até pelas guerras anteriores) é varrer o país Israel do mapa, e se for necessário causando um genocídio.

    Saiba, portanto, que há muito mais acontecendo aí. Esse cenário é resultado de uma história muito mais complexa.

    Publicado por Esther | 2013/08/21, 05:32
    • Cara Esther, é uma verdade incontestável que uma estória é diferentemente entendida segundo a perspectiva de cada ator que dela participa ou observa. Mas isso não autoriza que os fatos históricos sejam distorcidos, alterados ou ignorados. Vamos então por partes:
      Você menciona em seu comentário que a resolução 181 da ONU “aprovava o reconhecimento da existência do estado de Israel” e que “aquela região já deveria ser destinada a Israel”, fazendo menção ainda há existência de uma “população judia na região”. Pois muito bem, vamos aos fatos históricos.
      Desde 1556 a região da Palestina fazia parte do Império Otomano, e sua população era composta por uma maioria de muçulmanos, uma expressiva minoria de cristãos e um pequeno número de drusos e judeus (cerca de 8%).
      Em meados de 1917 a economia inglesa já não suportava o esforço de guerra empreendido na Primeira Guerra Mundial, obrigando as lideranças britânicas a recorrerem a medidas extremas. Naquele mesmo ano, o primeiro-ministro britânico, Lloyd George, faz um pronunciamento declarando que os líderes sionistas prometeram-lhe conseguir apoio financeiro dos judeus de vários países, principalmente dos Estados Unidos, caso a Inglaterra se comprometesse a ajudá-los a se estabelecerem nas terras árabes da Palestina. Em novembro de 1917, o então ministro das relações exteriores Lord Arthur Balfour, em carta ao banqueiro judeu Lord Rotschild, comunicou-lhe dizendo que o gabinete britânico havia aprovado a promessa de instalar na Palestina um Estado judeu. Esta carta ficaria conhecida como a Declaração Balfour.
      Ao final da Primeira Guerra a Palestina passou a ficar sob administração militar britânica. Em 1920 a Conferência de Paz de San Remo cede o mandato da Palestina aos britânicos, e em 1922 eles obtêm da Liga das Nações mandato para governar a Palestina. Nessa época, inicia-se a emigração de judeus, para a região, fato que se massificou durante a Segunda Guerra Mundial.
      Em 1947, a ONU decidiu (Resolução 181 de 29/11/1947) pela PARTILHA DA PALESTINA, COM A CRIAÇÃO DE UM ESTADO JUDEU E UM ESTADO ÁRABE, cabendo ao Estado Judeu 56% e ao Palestino 44% sobre a totalidade do território da Palestina britânica. Decidiu-se também que Jerusalém e Belém ficassem sob tutela internacional, administrado por um Conselho Curador de responsabilidade das Nações Unidas.
      Em 1948, logo após o término do mandato britânico, os judeus – quase todos nascidos na Europa – instalam o Estado de Israel, com armas e dinheiro fornecidos principalmente pelos Estados Unidos e Inglaterra. No dia seguinte, começa o massacre contra a população árabe da Palestina, levando ao exílio mais de 800 mil palestinos (episódio registrado na história como a Nakba). Os Estados da Liga Árabe declaram guerra a Israel, mas são derrotados, aproveitando-se então o Estado Judeu para ocupar pela força das armas 78% do território, avançando 22%, isto é, tomando 50% do que deveria ser o Estado da Palestina, violando os termos da Resolução 181 da ONU.
      Estes, Esther, são os FATOS históricos. O Estado de Israel nasceu de uma compensação dos britânicos pelo apoio financeiro dos banqueiros judeus na primeira guerra mundial. A Palestina, pelo menos desde o século XVI, nunca foi uma região onde prevalecesse uma população judia, ou sua cultura, ou nada que correspondesse uma “razão histórica” para a instalação de um Estado judeu naquela região.
      A Resolução 181 da ONU não trata apenas da criação de um Estado judeu, mas da partilha da Palestina britânica, com a CRIAÇÃO DE DOIS ESTADOS, um judeu, outro árabe. Resolução esta que foi seguidamente violada por Israel ao ocupar cerca de 80% do território palestino, incluindo Jerusalém, completando em seguida a ocupação do resto da Palestina em 1967, além de outras áreas de territórios árabes, alguns dos quais permanecem ocupados até hoje.
      Além disso, outras Resoluções da ONU NUNCA FORAM CUMPRIDAS POR ISRAEL:
      Resolução 194, de 11/12/1948, que estabelece o direito de retorno dos palestinos expulsos durante o Nakba.
      Resolução 242 (Conselho de Segurança), de 22/11/1967, que pede a retirada de Israel dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias e “o reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de todos os Estados da região e seu direito a viver em paz”.
      Resolução 2443, de 19/12/1968, que exige que Israel “desista de destruir casas de civis” nas áreas ocupadas e expressa sua preocupação “pela violação dos direitos humanos”.
      Resolução 446 (Conselho de Segurança), de 22/03/79, que condena a política israelense de promover “assentamentos nos territórios palestinos e árabes ocupados” considerando que tal política “não tem validade legal e constitui um sério obstáculo” para a paz no Oriente Médio.
      Resolução 799 (Conselho de Segurança), de 18/12/1992, que condena a deportação de centenas de civis palestinos e exige seu “imediato retorno”.
      Resolução 51/223, de 13/03/1997, que “aconselha” Israel a não construir assentamentos nos territórios ocupados, especialmente em Jerusalém.
      Resolução 10/6, de 9/2/1999, que condena o descumprimento das resoluções da ONU por Israel e pede a interrupção dos assentamentos.
      Resolução 10/13, de 21/10/2003, que pede a Israel a eliminação do muro que constrói em território palestino.
      Resolução 10/15, de 21/07/2004 que exige que Israel cumpra a sentença que declara o muro ilegal.
      Em 24 de março de 2010 o Conselho de Direitos Humanos condenou os assentamentos israelenses, defendendo a autodeterminação palestina e denunciando Israel por violação de direitos humanos nos territórios ocupados e nas Colinas de Golã.
      Conforme se observa, Israel nunca respeitou as resoluções da ONU e em relação à Resolução 181 apenas aceitou a parte que formalizou sua existência, esquecendo-se do resto da resolução.
      Por suas práticas racistas e pelo genocídio cometido contra as populações árabes, a Assembléia Geral da ONU aprovou, em 10 de novembro de 1975, a Resolução 3379, que classifica o sionismo como “uma forma de racismo e de discriminação racial”.
      Continuarei. Em 1967, o agressor foi o Estado de Israel, assim como em 1972 no Líbano….

      Publicado por mkninomiya | 2013/08/22, 17:57
    • Cara Esther, continuo respondendo ao seu comentário…
      Nele você se refere a Guerra dos Seis Dias, dizendo que “mais uma vez Israel foi invadido covardemente por duas frontes, pela Cisjodania e Egito, precisando lutar pela própria sobrevivência. Milagrosamente se defendem e conseguem ainda repelir a presença da Cisjordânia daquela região, pois era essencial o território para defesa, dado o minúsculo tamanho de Israel”.
      Novamente observamos uma distorção dos fatos históricos. Em 1967, quem lançou o primeiro ataque (iniciado às 7h45m do dia 5 de junho) foi Israel, que sem uma declaração formal de guerra bombardeou as principais bases aéreas do Egito, destruindo praticamente todos os seus aviões no solo e inutilizando suas pistas. Bases jordanianas e sírias também foram bombardeadas. Ao mesmo tempo, blindados israelenses investiam contra a Faixa de Gaza, o sul da Síria, as Colinas de Golan e o norte do Sinai. Contando com apoio logístico dos EUA e adquirida a superioridade aérea pelo ataque surpresa, nos dias seguintes Israel anexou toda a Cisjordânia, o setor oriental de Jerusalém e ocupou a Península do Sinai no Egito e as Colinas de Golan.
      Portanto, antes de mais nada, Israel não enfrentou uma “injusta invasão” como você menciona, mas deliberadamente atacou o Egito e a Síria sem uma declaração formal de guerra e ocupou ilegalmente partes de seus territórios. Este foi o entendimento da comunidade internacional, que em novembro de 1967 aprovou a Resolução 242, que determinava a retirada de Israel dos territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados. Israel nunca cumpriu esta Resolução.
      Não sei o que se ensinam hoje nas escolas judaicas, mas estes FATOS HISTÓRICOS foram assertivados pelas próprias lideranças israelenses. Segundo Menahem Begin, “em junho de 1967, tivemos novamente uma alternativa. As concentrações do exército egípcio nas proximidades do Sinai não provam que Nasser estivesse realmente a ponto de atacar-nos. Temos que ser honestos. Nós decidimos atacá-lo.” Yitzhak Rabin, chefe do Estado Maior de Israel em 1967, declarou: “Não penso que Nasser buscava uma guerra. As duas divisões que enviou ao Sinai não seriam suficientes para lançar uma guerra ofensiva. Ele sabia e nós o sabíamos.”( Jornal Le Monde, 28/02/1968).
      Quanto ao seu entendimento, de que “Israel tem o direito de manter os territórios retomados…”, lembro que o” direito de ocupação” é um ramo do Direito Internacional que regula a ocupação parcial ou total de um território por um exército inimigo, e as disposições que regulam essa situação podem ser encontradas nos Regulamentos da Haia de 1907, as quatro Convenções de Genebra de 1949 e o Protocolo Adicional I de 1977. E segundo tais disposições, a ocupação corresponde a um controle efetivo NÃO CONSENTIDO sobre um território sobre o qual NÃO SE TEM SOBERANIA, ou seja, não dá ao ocupante a prerrogativa de ANEXAR as áreas ocupadas ao seu próprio território, estendendo a elas sua jurisdição administrativa e legal, devendo respeitar as leis existentes e as instituições do território ocupado.
      Voltarei a falar sobre o direito de ocupação mais adiante… e a propósito, a França não anexou nenhum território alemão ocupado após a Segunda Guerra Mundial.

      Publicado por mkninomiya | 2013/08/23, 16:54
  2. MIchael, grata pela contribuição inteligente e bem focada, cada um vai trazendo mais dados, mas desde cedo estava com a coisa da água na cabeça, pois ontem eu vi um mapa dos aquíferos e entendi tudo. Eu desconhecia a existência das reservas do ouro do século 21-22. Os dados sobre minerais sólidos ou líquidos estratégicos sempre esclarecem porque os humanos se matam. O mais é “lenda” para mascarar a verdade cruel da nossa existência como espécie, marcada pela ganância, prepotência, ambição sem fim, falsidades e ignorância, além da total falta de compaixão em seu verdadeiro sentido. Por isso, desde que deixamos a caverna, vivemos em guerra uns contra os outros, pelo domínio do fogo, lá nas hostes primitivas, pelo domínio da prata e do ouro na Europa e na América (que lá era dos celtas, aqui das populações nativas desde as rochosas até diamantina ou potosi); do petroleo, da bauxita, do coltan, do tungstênio, e da água.. Grata mesmo! meus alunos adoraram saber, e entenderam o que está rolando ali e em outros cantos deste lindo e azarado planeta… e depois do debate passram a olhar o rio da cidade de outra forma (espero que não se matem por ele nem a ele) bjs

    Publicado por ana lagoa | 2014/08/01, 13:03
  3. Bom dia! Faço parte de uma simulação e gostaria de saber quais foram as bases para tal texto. Há legalidade nestas notas? Abs,

    Publicado por Keziah | 2015/06/06, 10:27
    • Boa Tarde, Keziah
      Todas as informações constantes no texto têm por base fatos históricos, devidamente documentados ao longo do tempo: tratados bilaterais (a ex. Acordo Sykes-Picot – http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/232358BACBEB7B55852571100078477C); a Declaração de Balfour, que se refere à intenção do governo britânico de facilitar o estabelecimento do Lar Nacional Judeu na Palestina caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano (http://www.ampalestine.org/index.php/history/original-documents/355-the-balfour-declaration-1917); a Resolução do Conselho da Liga das Nações para estabelecimento do mandato britânico na Palestina) http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/2FCA2C68106F11AB05256BCF007BF3CB); a Resolução 181 da ONU, que trata da partilha da Palestina e a criação dos Estados judeu e Árabe (http://unispal.un.org/unispal.nsf/0/7F0AF2BD897689B785256C330061D253) e outras Resoluções que a esta se seguiu, em especial as Resoluções 194/48, 242/67 do Conselho de Segurança, 2443/68, e 446/79 do Conselho de Segurança.
      Sobre a ocupação ilegal dos territórios palestinos e a violação dos direitos humanos por Israel: Resoluções 242/67 CS, 446/79, 51/223/97, 10/6/99 e a Resolução da Comissão de Direitos Humanos de abril de 2003, que condena textualmente a violação dos direitos humanos nos territórios ocupados. Sobre o “Muro da Cisjordânia”: Resoluções 10/13, de 2003 e 10/15 de 2004.
      Sobre a distribuição desigual e injusta dos recursos hídricos e a estratégia de controle da água por parte de Israel, buscando inviabilizar a criação do Estado palestino: a publicação da ONU “Managing Water for Peace in the Middle East: Alternative Strategies”, de Masahiro Murakami ( http://collections.infocollections.org/ukedu/en/d/J80858e/ Tokyo ; New York :ONU). A publicação evidencia o fato de que estão nos territórios palestinos ocupados grande parte dos recursos hídricos que abastecem Israel (73,5% dos recursos hídricos da Cisjordânia são desviados para Israel) e que um habitante de Israel usa, em média, três vezes mais água que um habitante da Cisjordânia.
      Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que “é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade”, palavras do Ministro da Agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território, reproduzidas por Noam Chomsky no seu livro “Novas e Velhas Ordens Mundiais”.
      Não fosse isso verdade, o Acordo de Paz de Oslo não precisaria estipular, textualmente, que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região. (http://news.bbc.co.uk/2/hi/in_depth/middle_east/israel_and_the_palestinians/key_documents/1682727.stm).
      Conforme se constata, ao imputar ao Estado judeu a acusação de uma política genocida que tem como um de seus instrumentos o controle dos recursos hídricos, não o faço com base em infundadas teorias da conspiração, mas devidamente alicerçado em fatos históricos e ampla documentação, cujas fontes não poderiam ser mais claras, públicas e confiáveis.

      Publicado por mkninomiya | 2015/06/10, 16:33

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