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Intolerância: projeto aprovado na Alerj é mais uma sandice de nossos deputados.


A Alerj aprovou o projeto de lei 499/11 com o objetivo de determinar “uma abordagem especial de noções sobre o holocausto nazista como forma de educação, prevenção e combate a todas as formas de discriminação e intolerância”.

Esta sem dúvida é mais uma sandice de nossos deputados, que de uma maneira geral devem conhecer pouco de História, ou não tem mais o que fazer. Embora as atrocidades cometidas durante o chamado holocausto sejam inegáveis, a discriminação e a intolerância não foram pecados exclusivos do regime nazista, nem a “política de extermínio” de judeus fez tantas vítimas quanto outros crimes cometidos contra a humanidade em outros períodos históricos, que também são abordados de forma superficial nas escolas.

Exemplo significativo de intolerância encontra-se na formação da chamada “civilização cristã ocidental”, com fatos históricos que incluem os 200 anos das Cruzadas, que causaram a morte de cerca de quinze a vinte milhões de pessoas, a Santa Inquisição, com mais de três milhões de vítimas, e as guerras entre católicos e protestantes, ao final das quais cerca de 40% da população européia havia sido exterminada. Considerando o sentido geral da história da cristianização podemos falar de uma cifra global aproximada de oitenta milhões de vítimas da intolerância religiosa.

Outro exemplo – desta vez de genocídio e etnocídio – foi a história da colonização das Américas. Quando Colombo chegou na América, habitavam o continente cerca de 54 milhões de nativos. Em 1650 essa população estava resumida a pouco mais de 8 milhões, o que representa uma redução de 85% em cerca de 150 anos, ou o assassinato de mais de 45 milhões de ameríndios e a completa destruição dos impérios maia, asteca e inca, entre outras culturas.

A escravidão talvez tenha sido o maior crime cometido contra a humanidade, e seus efeitos ainda hoje se sentem na desesperadora situação econômica dos países africanos e no racismo em todo mundo. Quadro de Rugendas representando o interior de um navio negreiro

Mais um episódio – desta vez de racismo – que também é superficialmente abordado nas escolas – é o chamado Holocausto Negro (termo cunhado pelo ex-presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella), referindo-se aos quatro séculos (1450 a 1850) de escravidão impostos pelo colonialismo ocidental aos povos africanos. Segundo estatísticas apresentadas na 3a Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, realizada em 2001 na cidade de Durban, o tráfico transatlântico de escravos vitimou cerca de treze milhões de africanos, além de cerca de seis milhões de negros que foram vendidos para o Oriente e mais oito milhões que permaneceram escravos na própria África, servindo aos colonizadores europeus. 

Justificada na época por razões morais e religiosas e baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus, a escravidão, o comércio de escravos africanos e o colonialismo continuam tendo efeitos devastadores, e sem dúvida são a principal razão das tragédias humanitárias que assistimos hoje em grande parte do continente africano.

Mais recentemente a História registrou o horror e a carnificina da intolerância política praticada pelos regimes comunistas de Stalin e de Mao Tsé Tung – fatos que também não encontram espaço em nossas salas de aula.

Valas comuns do Comunismo. Massacres promovidos por Stalin levaram à morte milhões de pessoas.

Ao stalinismo os historiadores creditam mais de 43 milhões de vítimas, entre os quais se incluem os 4,5 milhões de ucranianos e 3 milhões de outras pessoas em toda União Soviética que morreram de fome em razão da política de coletivização agrícola, até as mais de 6 milhões de vítimas de assassinatos, perseguições e deportações cometidas pelo ditador soviético entre 1934 e 1949.

Seu congênere chinês foi ainda mais longe: entre 1949 e 1976, Mao Tsé Tung foi responsável pela morte de mais de 65 milhões de chineses, vítimas de perseguições políticas que terminavam com perseguições, aprisionamento, execuções em massa e assassinatos. 

Aliás, o comunismo é pródigo em ditadores sanguinários: Pol Pot matou cerca de 1/3 da população do Camboja – cerca de 2 milhões de pessoas – entre 1976 e 1979, quando foi presidente daquele país asiático; Josip Tito governou a Iugoslávia entre 1945 e 1980, tendo sido diretamente responsável por cerca de 1,5 milhão de mortes; Kim II Sung , “Grande Líder” da Coréia do Norte, tem em sua conta cerca de 5 milhões de pessoas que morreram em decorrência da opressão e da fome.

Ossadas de vítimas do Khmer Vermelho. O comunismo foi pródigo em ditadores sanguinários.

Estes números foram coletados pelo cientista político e historiador americano Rudolph J. Rummel, que escreveu quase duas dúzias de livros com informações sobre casos de “democídio” – nome que dá ao assassinato de pessoas por um governo.

Especificar o holocausto como exemplo único de intolerância e discriminação contribui apenas para estreitar a visão de nossos jovens para a História, levando-os a ignorar fatos tão ou mais aterradores que os crimes cometidos pelo nazismo.

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