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Política Internacional

11/09, dez anos depois: o que mudou após o maior ataque jihadista de todos os tempos?


Há dez anos, no dia 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos foram alvos da maior ação jihadista da história, quando num ataque coordenado 19 militantes da Al-Quaeda assumiram o controle de quatro aviões comerciais. Dois destes aviões foram arremessados contra as torres gêmeas do World Trade Center, no coração financeiro de Nova Yorque, causando a morte de cerca de 3.000 pessoas. As chamadas Torres Gêmeas desmoronaram cerca de duas horas após o impacto do segundo avião, destruindo ou causando danos a outros prédios do World Trade Center. O terceiro avião atingiu o Pentágono e outro caiu antes de chegar ao alvo primário: o Capitólio, em Washington DC.

Como resposta ao ataque, os EUA deram início a uma operação militar que culminou na invasão do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003), ações que resultaram em mais de 200 mil mortos, gastos na ordem  de US$ 4 trilhões e num atoleiro militar no qual estão mergulhados até hoje. Apesar disso a Al Quaeda, o Taleban e outras organizações extremistas continuam atuantes, tendo praticado ao longo destes anos várias ações de impacto, como os ataques em Madri (2004) e Londres (2005), estando particularmente ativos no Afeganistão, Iêmen, Quênia Iraque e Paquistão, onde as ataques jihadistas, embora de menor escala, são frequentes. No Iraque não se encontraram as “armas de destruição em massa” atribuídas a Sadam Hussein e que justificaram a invasão do país. Vistos sob a ótica de seus objetivos declarados, hoje estas são guerras sem propósito. Então, quais as razões para a presença militar americana no Oriente Médio, ampliada significativamente a partir do ano passado com ações de inteligência que resultaram na chamada “Primavera Árabe”, que já derrubou os governos do Egito, da Tunísia e da Líbia, agora ameaçando fortemente o governo da Síria?

Além da óbvia resposta que nos remete aos interesses relacionados ao petróleo, as ações norte-americanas tem por objetivo o desmantelamento de antigas alianças que se tornaram inconvenientes aos seus interesses, além da perspectiva, diante do colapso da economia mundial e suas conseqüências na economia doméstica, de promover uma guerra em larga escala no Oriente Médio, com envolvimento mundial.

O que parece mais uma “teoria conspiratória” ganha força e consistência quando observados as consequências da política americanas ao final destes 10 anos: o crescimento da influência do Irã (de governo xiita) no Oriente Médio, inclusive no Iraque; o estremecimento no relacionamento entre Israel e o Egito, lembrando que o frágil equilíbrio político da região vinha sendo avalizado pelo regime de Mubarack em respeito aos termos dos Acordos de Paz de Camp David, assinados em 1978; o crescente aumento de tensão entre judeus e palestinos em torno da criação do Estado Palestino e o retorno da política de novos assentamentos por parte de Israel; a instabilidade política no Iraque, no Afeganistão e na Líbia favorecendo os interesses e as atividades dos grupos extremistas, como o Taleban e a Al Quaeda, que aliás, era inimiga do regime de Kadhafi; a crescente tensão entre Índia e Paquistão, acusado de dar apoio a separatistas da Kashemira; a caótica situação da poderosa Síria, que ao reprimir violentamente as manifestações “pro-democracia” podem justificar, como na Líbia, a intervenção armada dos Estados Unidos. Todos estes elementos indicam uma situação potencialmente perigosa que pode levar o mundo a uma guerra de larga escala.

Os Estados Unidos encontram-se hoje isolados em sua política para o Oriente Médio, esmagado pelo peso do endividamento externo em grande parte causado pelo aumento nos gastos orçamentários relativos ás despesas com as guerras no Afeganistão e no Iraque e nas medidas de segurança internas. No âmbito interno existe grande tensão social, causado pelas altas taxas de desemprego e a desaceleração da economia. Um caldo de cultura bastante propício para o avanço político de setores conservadores ligados à industria armamentista, que enxergam numa guerra global a saída lógica para o dilema americano.

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