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BRIC: paises “emergentes” que ainda não emergiram do mar de lama da corrupção


O que há de comum entre Brasil, Rússia, India e China, além do fato de formarem, junto com a África do Sul, o auto-denominado bloco econômico dos países emergentes – BRICS?  Países localizados em continentes diversos, de línguas diferentes, hábitos e costumes próprios, eles compatilham porém um aspecto cultural comum: a corrupção endêmica.

No quadro abaixo, uma visão geral do Índice de Percepção da Corrupção de 2010. (onde a maior percepção de corrupção é de cor vermelha e a menor é de azul escuro.)

Desde 1995, a Transparência Internacional publica o relatório anual do Índice de Percepção de Corrupção, (IPC) que é hoje a mais conhecida e utilizada medição da corrupção em pesquisas científicas. Para formar o índice, empresários e analistas de diversos países são convidados a dar sua opinião sobre o grau de corrupção em cada país. Desta forma, o índice não mede objetivamente a corrupção, mas sim como o conjunto da sociedade percebe subjetivamente a corrupção em cada país. As notas próximas a zero indicam elevados índices de corrupção e as próximas de dez apontam para baixos níveis de percepção de corrupção.

Analisados sob este prisma, Brasil (IPC 3,7), Russia (2,1), Índia (3,3) e China (3,5) compartilham espaço no grupo de nações onde IPC sempre se encontrou abaixo de 4,0 – constituído de paises como o Haiti, Etiópia, Somália, Uganda, Eritréia e tantos outros que tem em comum os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano do planeta.

Na verdade, existe uma visceral relação entre a corrupção e o subdesenvolvimento, uma vez que os agentes de corrupção impedem o pleno desenvolvimento econômico criando fortes distorções e deficiências no mercado, porque que o custo oportunidade (termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada) do capital extraído para a corrupção é infinito, em razão de que não existe nenhum ganho alternativo para a sociedade como um todo com sua transferência para os grupos de agentes de corrupção.

Embora a corrupção em cada um destes países tenham origens históricas e sociológicas diversas, o fato é que ela se tornou um mal endêmico, parte indissociável da cultura de seus povos, manifestando-se em todos os níveis de sua organização política e social: suborno, extorsão, fisiologismo, nepotismo, clientelismo, peculato, tráfico de influência, utilização de informação governamental privilegiada para fins pessoais ou de pessoas amigas ou parentes, e a compra e venda de sentenças judiciárias são algumas das práticas mais comuns dos agentes de corrupção, sendo comportamentos aceitos sem qualquer tipo de questionamento moral, o que revela a propensão destes povos pela amoralidade.

Em países desenvolvidos, de povos civilizados, a corrupção ocorre de forma pontual e é severamente condenada pela sociedade, que exige punição exemplar para corruptos e corruptores, o que quase sempre acontece. Realidade bem diferente daquela que encontramos no Brasil, na Russia, na Índia e na China, onde a corrupção faz parte do jogo político, onde os corruptos não são punidos e os “escândalos” se sucedem indefinidamente, com o custo pago por toda sociedade. Não por acaso, além da corrupção endêmica – ou por sua causa – são países onde existem sérios desequilíbrios fiscais e flagrante desigualdade social.

Para que Brasil, Rússia, India e China possam deixar o rol de países subdesenvolvidos, merecendo a alcunha de países emergentes, é preciso primeiro emergir do mar de lama em que se encontram. É preciso mais que uma sigla (BRIC) para que sejam admitidos e respeitados como nações desenvolvidas e civilizadas, aptas a tomar parte na reorganização da economia mundial após a grave crise que assolou o capitalismo e que ensejará o surgimento de uma nova ordem política, econômica e social no mundo.

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Discussão

3 comentários sobre “BRIC: paises “emergentes” que ainda não emergiram do mar de lama da corrupção

  1. Muito bom o artigo, parabéns..

    Publicado por Sylvia | 2011/09/16, 13:44

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