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Política Internacional

Estupidez ou conspiração?


A chamada “Primavera Árabe” inaugurou uma nova forma de intervencionismo dos Governos Ocidentais no mundo islâmico. Ao invés da abordagem militar direta, que se revelou cara e desgastante demais após a invasão e ocupação do Iraque, a inteligência judaico-cristã tem se valido da histórica divisão dos povos muçulmanos para insuflar rebeliões que já derrubaram os governos do Egito e da Tunísia, estando a um passo de acrescentar nesta lista a Líbia, onde Muamar Kadafi ainda resiste contra forças insurgentes apoiadas por caças-bombardeiros da OTAN. Na Síria a situação é cada vez mais crítica, acirrando -se os enfrentamentos entre as forças de Assad e a oposição patrocinada pelas agências de inteligência do Ocidente.

O mecanismo desta estratégia é bastante simples, mas para compreendê-la é necessário observar que apesar da aparente homogeneidade que o termo “Islã” possa sugerir, como unidade supranacional, cultural, ligando e abarcando diversos povos, o mundo mulçumano caracteriza-se pelo tribalismo e fraccionismo, cheio de disputas ideológicas próprias. A maior divisão dentro do Islã se dá entre xiitas e sunitas (ver Glossário), com várias sub-divisões em cada um destes grupos, que compõem as centenas de etnias e tribos que habitam o Oriente Médio e a África do Norte.

É preciso entender também que a maioria dos Estados do Oriente Médio surgiram recentemente, sob influencia do imperialismo franco-britânico, e que a conformação geo-política imposta pelo Ocidente não considerou as particularidades do mundo islâmico, de forma que vários Estados foram posteriormente consolidados com governos formados por minorias sunitas com uma população majoritariamente xiita, ou ao contrário, fato que ditou a necessidade de regimes autoritários ou despóticos – aceitos, financiados e apoiados pelos governos ocidentais – para um mínimo de controle social necessário para a manutenção de um relativo equilíbrio que permitisse a exploração do petróleo. 

Esse eram os casos do Iraque, Egito, Líbia e Síria. Sadam Hussein governou o Iraque por 25 anos; Hosni Mubarack o Egito por 30 anos; Muamar Kadafi, a Líbia por 42 anos, e o clã Assad vem governando a Síria há 40 anos. Ao lado da Arábia Saudita, monarquia absoluta islâmica governada pela mesma linhagem desde sua fundação, estes eram os governos mais influentes e estáveis do Oriente Médio!

Em 2001, após o ataque jihadista em NY, forças americanas invadiram e ocuparam o Afeganistão, mas a ação se revelou por demais custosa. Em 2003 a invasão do Iraque repetiu o desastre. Em ambos os casos a guerra continua até os dias de hoje, com elevado custo em vidas humanas, recursos militares e financeiros.

A mudança de estratégia materializou-se na chamada “Primavera Árabe”, uma série de ações financiadas e coordenadas pelas agências de inteligência judaico-cristãs que contando com as divisões etnicas no mundo muçulmano promoveram manifestações populares que desestabilizaram vários governos, levaram à queda de Hosni Mubarack no Egito, provocaram uma guerra civil na Líbia – da qual participam com forças especiais e aviação militar – e plantaram a semente de uma intervenção militar na Síria, opondo muçulmanos contra muçulmanos. 

A verdade é que tais fatos tem por consequencia imediata a ruptura do frágil equilíbrio da região, com o fortalecimento da militância islâmica jihadista, uma vez que a desestruturação dos regimes certamente trarão caos e dificuldades dos quais se aproveitarão os fundamentalistas para atuar militar e politicamente. Não por acaso, o mês de agosto foi especialmente violento, tendo sido registrados atentados no Iraque, Egito, Paquistão, Afeganistão e Nigéria.

Estupidez ou estratégia premeditada para justificar uma aventura militar de larga escala no Oriente Médio, “remédio” para a profunda crise econômica que se abate sobre as economias ocidentais?

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