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Isso é o Brasil

Para que ninguém se esqueça! É nossa memória curta que produz aberrações como o Sérgio Cabral.


A crise deflagrada com a detenção de 439 militares do Corpo de Bombeiros, após dois meses de greves e protestos para reivindicar aumento salarial e melhores condições de trabalho não foi a primeira e nem será a última protagonizada pelo governador Sérgio Cabral, dado que sua prática política tem sido marcada pelo autoritarismo, desequilíbrio e falta de compostura em suas ações e declarações – um verdadeiro bufão.

Desde 2007, as mais diversas categorias do funcionalismo público – saúde, educação, polícia civil, polícia militar e agora os bombeiros – tem se manifestado duramente contra o autoritarismo e a falta de diálogo do governador Sérgio Cabral.

A primeira crise ocorreu em 2007, quando os profissionais da educação deflagraram uma greve diante da indecente proposta feita por Cabral, de um reajuste de 25% parcelados em 24 meses. Na prática, o tal “reajuste” representaria um acréscimo de R$ 2,00 – é isso mesmo que você está lendo… dois reais – mensais para os professores. Na época, mesmo reconhecendo que a categoria teve uma perda salarial de 60% após dez anos sem reajustes, Cabral recomendou aos professores que “deixassem de fazer corpo mole”.

Em 2008, policiais civis entraram em greve e manifestaram insatisfação pela falta de tratamento psiquiátrico aos profissionais, além de melhores condições de trabalho e reajuste salarial. Mais tarde, coronéis da Polícia Militar uniram-se às reivindicações por melhores salários, sendo afastados de seus cargos. O episódio culminou em uma crise na segurança pública. Na ocasião, Cabral insinuou que os policiais em protesto seriam “corruptos” e “incompetentes”.

Em 2010 foi a vez dos funcionários da rede estadual de saúde, que se manifestaram contra a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e o desmonte dos hospitais estaduais (isso o Cabral conseguiu mesmo fazer…), além é claro, pela melhoria das condições de trabalho. Mais uma vez, o “diálogo” resumiu-se a uma bravata do governador, que chamou os profissionais de saúde de “vagabundos”.

Quando aconteceu a tragédia em Angra dos Reis, o Sérgio Cabral só deu as caras mais de 24 horas após a ocorrência. A essa altura, os bombeiros já haviam salvo inúmeras vidas e trabalhavam ininterruptamente para aliviar o sofrimento das vítimas e de seus familiares. Hoje, estes mesmos homens e mulheres que tiveram tratamento de heróis na propaganda institucional do Estado, são chamados de “vândalos” e “irresponsáveis” pelo governador fanfarrão.

O salário médio de um soldado bombeiro no Rio de Janeiro é de R$ 1.030,00 sem direito a vale-transporte, hora-extra ou carga horária semanal pré-estabelecida, o que representa o PIOR SALÁRIO da categoria em todo Brasil.

Nem o irrisório reajuste proposto pelo governo – que na prática apenas antecipa os reajustes já previstos no programa de “recuperação salarial”, repudiado pela categoria, que prevê aumento de 1% (isso mesmo, 1%) ao mês ao longo de quatro anos – nem a libertação dos bombeiros presos, representam um ponto final na crise.

É certo que a imprensa vai falar cada vez menos no assunto, a população que deu apoio ao protesto dos bombeiros vai aos poucos se desmobilizar e tudo vai acabar no esquecimento. Enquanto isso, profissionais de saúde, policiais, bombeiros e professores continuarão enfrentando as mesmas dificuldades, como baixos salários e péssimas condições de trabalho, com sérios reflexos na qualidade de atendimento à população.

É essa falta de memória que alimenta políticos da estirpe do Sérgio Cabral.

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