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Meio Ambiente, Política Internacional

A Guerra pela Água – Parte III – O Brasil e a Teoria do Espaço Vital


Nos artigos anteriores (https://mkninomiya.wordpress.com/2011/05/22/104/ e https://mkninomiya.wordpress.com/2011/05/24/105/), expomos como o consumo excessivo, a poluição e o crescimento demográfico ameaçam esgotar as reservas de água doce do planeta, e que essa realidade vem transformando o que aparentemente era uma dádiva inesgotável da Natureza em mercadoria de luxo, fonte de lucro pela exploração comercial por empresas privadas e elemento estratégico para a sobrevivência das Nações.

O Brasil possui a maior reserva de água doce do planeta, cerca de 12% do volume mundial, representada não apenas por suas bacias hidrográficas como também pela presença dos maiores aqüíferos do mundo. Só para ser ter uma noção de nosso potencial hídrico, basta dizer que entre as sete maiores bacias hidrográficas do planeta, três se encontram no Brasil – Amazônica, do Rio da Prata e do São Francisco. Também no Brasil se localiza o maior manancial de água doce subterrânea conhecido, com volume estimado em mais de 46 mil km3 e talvez o único com água potável a mais de 2 mil metros de profundidade, o aquifero Guarani, que abrange os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Recentemente foi descoberto o aqüífero de Alter do Chão no Pará, que estima-se pode produzir uma capacidade de água quase duas vezes maior que a do aqüífero Guarani, o que seria superior a toda água contida nos rios e lagos de todo planeta.

Considerando tais fatos, não é difícil imaginar que o Brasil seria o alvo prioritário das grandes potências em caso de uma guerra pela água – cenário previsto pelo relatório das Nações Unidas, que prevê o colapso total na disponibilidade de água potável em pouco mais de 40 anos, quando a população do planeta atingir a marca de 10 bilhões de indivíduos.

Inimigo feroz do nazismo, os EUA acabaram por incorporar em sua política externa alguns dos princípios ideológicos daquele regime, entre eles a chamada Teoria do Espaço Vital (Lebensraum), desenvolvida por Friedrich Ratzel, que foi utilizada como discurso de justificativa para marcha alemã sobre a Europa. Não foi senão pelo atendimento aos princípios da Teoria do Espaço Vital que os EUA envolveram-se nas décadas de 50 a 70 nos conflitos da Coréia, Vietnã, Laos (sobre as atrocidades cometidas pelos EUA na Guerra do Laos, visite: http://www.iconica.com.br/alex/2005/02/laos.html) e Camboja. Do mesmo modo, determinou as recentes intervenções militares no Kuwait (1990), Afeganistão (2001) e Iraque (2003), assim como a estratégica aliança com o Estado de Israel para subjugar e oprimir os povos árabes, tudo pelo controle do petróleo.

Mas o que isso tem a ver com o assunto tratado? É isso que veremos na continuação deste ensaio…

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Discussão

Um comentário sobre “A Guerra pela Água – Parte III – O Brasil e a Teoria do Espaço Vital

  1. Michael,

    Mt legal a sua enciclopédia de informações. É mt útil para nosso conhecimento.
    Parabéns pelo trabalho.

    Abs

    Ronaldo

    Publicado por Ronaldo | 2011/06/01, 15:05

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