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Meio Ambiente, Política Internacional

A Guerra pela Água – Parte II – Mercadoria e Questão de Segurança Nacional



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No artigo anterior (https://mkninomiya.wordpress.com/2011/05/22/104/), procuramos demonstrar a crítica situação por que passam os recursos hídricos em nosso Planeta. Apesar de ter cerca de 75% de sua superfície coberta por água, apenas 1% dela está efetivamente disponível para o consumo humano.  Um consumo que cresce a cada dia, num ritmo mais rápido do que aquele necessário para a renovação da água pelos processos naturais, fato agravado pela poluição, desperdício, contaminação por agrotóxicos, ocupação de áreas de mananciais, desertificação de regiões desmatadas e pelas mudanças climáticas.

Dessa forma, de dádiva aparentemente inesgotável da Natureza, a água vem se transformando em mercadoria, uma commodity a ser comercializada a peso de ouro no mercado mundial, atraindo a ganância de governos e empresas multinacionais. Segundo a ativista ambiental canadense Maude Barlow, autora de “Água, o Pacto Azul” e co-fundadora da ONG Blue Planet Project,o comércio de água está em estágio tão avançado que ao redor do mundo são várias as bolsas que possuem índices apenas com ações de empresas ligadas à água”.

Com crises já ocorrendo por falta de água no Oriente Médio, China, Índia, Paquistão, Austrália e mesmo na América do Norte, as grandes potências mundiais começam a ver a água como uma questão de segurança nacional e já planejam estratégias para buscá-la fora de suas fronteiras. Junto a fundos de investimento, países ricos e com poucas reservas do recurso têm comprado propriedades em outras nações para assegurar seu abastecimento futuro. Segundo Maude, esse processo está em curso em toda África e recentemente tem sido observado na América Latina. “O Brasil será o próximo alvo”, prevê.

Um caso emblemático desta realidade foi a chamada Guerra pela Água, que aconteceu na cidade boliviana de Cochabamba, em 2000. Em um processo não-competitivo, um consórcio multinacional liderado pela Bechtel Corporation (uma das maiores empresas de engenharia e construção do mundo), sediada nos Estados Unidos, obteve uma concessão de 40 anos para prestar serviços de abastecimento de água para os 600.000 habitantes de Cochabamba. O contrato estabelecia uma garantia de lucro de 16% e não previa nenhum compromisso de investimento inicial. Poucas semanas depois de assumir o controle da água, o consórcio anunciou um aumento de 200% nas tarifas. Trabalhadores que viviam com um salário mínimo de US$ 60 teriam que pagar cerca de US$ 15 para continuarem a ter água em suas torneiras. Isso causou uma revolta popular de proporções gigantescas e transformou a cidade numa praça de guerra, onde a população enfrentou a polícia e o exército, sendo violentamente reprimidos.Um jovem manifestante foi morto nos confrontos, e a revolta pública acabou por levar o governo a rescindir o contrato. Um relato detalhado dos acontecimentos, escrito por Jim Shultz, diretor do Democracy Center, pode ser lido em http://www.article19.org/work/regions/latin-america/FOI/pdf/Waterwar_Por.pdf

(continua…)

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Discussão

Um comentário sobre “A Guerra pela Água – Parte II – Mercadoria e Questão de Segurança Nacional

  1. Isso realmente era previsivel, pois o homem tem o poder de destruir, poluir,enfim….
    Não só a água, mas daqui a pouco vamos entrar em um processo de degeneração total, em função das poluições e da falta de capacidade dos homens em enxergar que está em suas mãos salvar o mundo.

    Publicado por Magna Figueira | 2011/05/28, 18:04

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