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Oriente Médio, Política Internacional

Pronunciamento de Obama recebido com desconfiança no Mundo Árabe


Aguardado com tensa expectativa, o pronunciamento do presidente Barack Obama quanto à política americana para o Oriente Médio, proferido ontem (19/05/2011) em Washington, não trouxe nenhum fato novo para a conturbada situação na região. Pelo contrário, serviu apenas para aumentar a desconfiança de árabes e judeus quanto à política externa americana e ratificou a forma demagógica, hipócrita, mentirosa, arrogante e ignorante com a qual os EUA sempre trataram a questão do Oriente Médio.

DEMAGOGIA – Ao apresentar uma proposta de uma solução entre judeus e palestinos com base nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, Obama simplesmente criou um “factóide”, que ele mesmo sabe ser impossível de realizar. Sua proposta cumpriu na verdade um duplo objetivo: enfraquecer as lideranças israelenses e atrapalhar os planos de independência unilateral pretendida pela ALP. Não por acaso, tanto judeus quanto palestinos rechaçaram veementemente tal proposta;

HIPOCRISIA – Ao mesmo tempo em que cobrou “reformas democráticas” na Líbia, Síria, Irã e outros países, Obama omitiu descaradamente a situação da Arábia Saudita, governada por uma monarquia absolutista e recordista em “violação dos direitos humanos”. Aliada histórica, a Arábia Saudita é um dos principais clientes da indústria armamentista americana, e está para fechar um acordo de US$ 60 bilhões para compra de caças F-15, para consolidar sua superioridade militar em relação a vizinhos hostis aos EUA;

MENTIRA – Falando sobre a Primavera Árabe, Obama salientou que as mudanças ocorridas no Egito foram provocadas por manifestações pacíficas, fruto do desejo por reformas democráticas. O que Obama não disse é que tais “manifestações” tiveram apoio logístico e financeiro dos serviços de inteligência dos EUA, que agora “compra” o novo governo com promessas de ajuda financeira na ordem de US$ 1 BILHÃO, além do perdão de uma dívida que chega a outro bilhão de dólares. Com mais esta falsa promessa tentam enganar lideranças dos países vizinhos em mais uma ação conspiratória para derrubar governos que não mais interessam à sua estratégia na região;

ARROGÂNCIA – Dirigindo-se aos governantes da Líbia, Síria, Irã, Bahrein e Iêmen, o presidente norte-americano deixou claro que não haverá mudança nenhuma na política externa americana, e sempre que os EUA acharem necessário usarão sem hesitação uma solução militar, intervencionista e contrário ao Direito Internacional, como foi feito no Iraque;

IGNORÂNCIA – As palavras de Obama terão pouca ou nenhuma repercussão no mundo árabe, uma vez que o “novo capítulo para a diplomacia americana” pregada por ele, continua não considerando ou respeitando as diferenças históricas, religiosas e culturais dos povos muçulmanos. Ainda que os EUA continuem conspirando para o surgimento de movimentos insurgentes nos países árabes, não existe a possibilidade de fazer deles países “democráticos”, porque os modelos políticos dos países muçulmanos estão alicerçados nos preceitos do Alcoorão, muitas vezes incompatíveis com a permissividade moral da democracia judaico-cristã.

Foi sem dúvida, um discurso tipicamente americano: demagógico, hipócrita, ignorante, mentiroso e arrogante. No final das contas, nada mudará, porque a equivocada política americana não vai mudar.

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